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O veículo da
prefeitura foi usado para buscar a mudança de uma funcionária
do vereador José Nunes Safera (PTB) e sofre acidente no
PR
O promotor de Justiça Adelino
Lorenzetti Neto instaurou na última segunda-feira inquérito
civil para apurar improbidade administrativa (má gestão
de dinheiro público) e peculato de uso contra o prefeito
Claudemir Alves (PTB), o presidente da Câmara, José
Roberto Nunes Safera (PTB), e o chefe do pátio municipal
Paulo Sergio Dias Garcia.
Os três são acusados de autorizar o uso de um caminhão
da merenda escolar da prefeitura de Ourinhos numa viagem até
Curitiba, para buscar a mudança de Andréa Aparecida
dos Santos Fonseca, funcionária de um estabelecimento comercial
do vereador petebista.
O caminhão sofreu acidente em Piraí do Sul, a 78
km da capital paranaense, danificando-o completamente. No choque
com dois caminhões ficou ferida a funcionária que
viajava na cabine junto com o motorista do município Benedito
Roque da Silva. É vedada à administração
pública liberar veículos da frota para utilização
em atividades que não tenham finalidade e interesse público.
Esse procedimento de usar veículo para fim particular caracteriza
improbidade administrativa e peculato de uso. A nova Lei de Responsabiliade
Fiscal também prevê sanção.
O vereador pode responder a processo por crime de responsabilidade.
O decreto-lei 201/67 tipifica peculato de uso usar bens materiais
da administração pública com finalidade particular.
A pena é de 2 a 12 anos de reclusão, perda do cargo,
inabilitação pelo prazo de cinco anos para o exercício
de cargos ou função pública eletivo ou de
nomeação, sem prejuízo da reparação
civil do dano causado ao patrimônio público e particular.
O secretário municipal de Negócios Jurídicos
de Ourinhos, Celso Cruz, negou quinta-feira que o prefeito Claudemir
Alves (PTB) tenha autorizado o uso do veículo da prefeitura.
O petebista abriu sindicância para apurar a responsabilidade
pela liberação do caminhão. Até sexta-feira,
o chefe do Pátio permanecia no cargo e não havia
sido afastado. O presidente da Câmara, José Roberto
Nunes Safera (PTB), nega que tenha usado influência
política para liberar o caminhão do pátio
da prefeitura.
O petebista admitiu que telefonou ao chefe do Pátio, Paulo
Garcia para ajudar a funcionária (leia texto
nesta página).
A batida O caminhão Volkswagem da merenda
escolar placas CDZ 2428 bateu na traseira de um caminhão
parado na pista no km 284 por volta das 8h no trecho da PR-151
entre Piraí do Sul e Castro no dia 18 de agosto, um sábado.
Logo em seguida a primeira colisão, houve o choque de mais
dois caminhões na traseira do veículo de Ourinhos
que ficou totalmente danificado. Andréa Aparecida, funcionário
de um estabelecimento comercial do vereador, foi internada no
hospital de Ponta Grossa com fraturas e escoriações.
A Promotoria de Justiça de Ourinhos foi acionada 48 horas
depois do acidente por intermédio de representação
assinada por Marco Antonio Cesari Saliba, dono do jornal O Casmurro
de Ourinhos. Ele divulgou naquele jornal o acidente e forneceu
a cópia da gravação com entrevista feita
com o presidente da Câmara, que teria admitido a intermediação
junto ao chefe do pátio para utilizar o veículo
da prefeitura em proveito da sua funcionária. Saliba acusa
também o prefeito e o chefe do pátio como os responsáveis.
O promotor vai pedir aos peritos da Polícia Civil a transcrição
da fita. Com base nas declarações da conversa do
vereador com o jornal, o promotor pretende interrogar as pessoas
envolvidas. Adelino requisitou diligências que correm sob
sigilio de Justiça para não atrapalhar a investigação.
Safera teria solicitado o caminhão ao chefe do Pátio
Municipal, Paulo Sergio Garcia, que teria sido nomeado por interferência
do vereador junto ao prefeito.
O vereador petebista nega que tenha nomeado Garcia,
mas admite que é seu amigo pessoal.
Inicialmente, os três são acusados, mas depende das
provas testemunhais para comprovar quem foi o principal responsável
por liberar o caminhão.
A ação deve ser ajuizada dentro de 60 dias. O promotor
enviou ofício informando à Câmara da abertura
do inquérito civil e para os vereadores tomarem alguma
providência político administrativa, se necessário,
contra os envolvidos.
Legislativo Dois vereadores da bancada de oposição
consultados pela reportagem demonstraram cautela ao responder
se deve abrir algum processo investigatório na Câmara
porque há inquérito civil na Promotoria de Justiça.
Procurado pela reportagem para comentar o caso, o vereador Antonio
Amaral (PT) admitiu que, se for tomada alguma medida, será
em conjunto com os demais vereadores de oposição.
Como o Ministério Público já está
apurando o caso, o petista prefere aguardar o desfecho das apurações.
Amaral faltou à última sessão por problemas
de saúde. Não sei se basta só a apuração
do Ministério Público ou se o legislativo deve também
inferferir nas apurações. Isso vai ser analisado,
disse o petista. Ele afirmou que, independente da funcionária
trabalhar para o vereador, a Lei Orgânica não dispõe
de nenhum artigo que permite à prefeitura fazer mudanças
a terceiros dentro da cidade e nem para fora do município.
Num primeiro momento, parece que existe a irregularidade.
É um mau costume que existe na política atender
o eleitorado, em que denominados de clientelismo, disse
o petista. O vereador José Alberto Torres (PMDB) disse
que dependia de reunião com demais companheiros de partido
para decidir se haverá algum tipo de apuração
no legislativo. Por não saber detalhes do acidente, o vereador
é da opinião de aguardar o resultado da sindicância
interna da prefeitura antes de tomar providência na Câmara
Municipal.
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