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Safera admite uso do veículo
e minimiza responsabilidade

O presidente da Câmara, José Roberto Nunes SaferaO presidente da Câmara de Ourinhos, José Roberto Nunes Safera (PTB), admitiu ter feito o “pedido verbal” para emprestar da prefeitura o caminhão Volkswagen da Merenda Escolar que foi buscar em Curitiba (PR) a mudança da funcionária do estabelecimento comercial dele, Andréa Aparecida dos Santos Fonceca. Ele nega, porém, ter usado de influência política no pátio da prefeitura para retirar o caminhão.
Safera falou ao DEBATE quinta-feira à noite em entrevista por telefone. O transporte é classificado pelo vereador de “trabalho social”. A funcionária, na versão dele, não tem posses e precisou da ajuda “numa emergência”.
Andréa dos Santos mudou de Curitiba para Ourinhos recentemente, depois da separação conjugal dela com o marido. Ela veio com a filha morar na casa de seus pais e trabalhar na padaria de propriedade do vereador. Há dois meses e meio, ela tentava trazer a mudança; porém, na semana que antecedeu o sábado, 18, apertou o prazo para Andréa retirar a mobília da casa em que ela alugava em Curitiba depois das pressões da proprietária do imóvel.
Andréa se comprometeu que, naquele final de semana, retiraria a mudança. A mãe viajou na frente, mas a funcionário teve novo imprevisto, segundo explicou Safera.
Depois de tentar emprestar dois caminhões, sem sucesso, ela alugou um caminhão particular por R$ 400,00, mas o motorista pegou outro frete, deixando-a “na mão” naquela semana.
A funcionária, então, pediu ao vereador para ajudá-la. Safera diz que “sugeriu” à funcionária que fosse procurar o Chefe do Pátio, Paulo Sergio Dias Garcia, “amigo pessoal” do parlamentar.
O consentimento para liberar o caminhão teria sido verbal. O vereador reconhece, por exemplo, que houve erro de não passar por avaliação de assistente social para checar se a funcionária se enquadraria em caso excepcional.
A justificativa para não formalizar o pedido teria sido a “urgência” e pelo fato de a viagem ocorrer num sábado, que não tem expediente na prefeitura.
Safera alega ter feito o encaminhamento da funcionária ao chefe do pátio. O vereador não se considera responsável por liberar o caminhão da prefeitura.
Quando questionado se tem responsabilidade pelo prejuízo, o vereador responde que a sindicância interna aberta pela prefeitura vai apurar quem é o culpado: “Antes tem de ser apurado. É lógico que pelo fato de a funcionária trabalhar comigo estão me responsabilizando, mas eu não tinha o poder de exigir a retirada do caminhão, apenas fiz o pedido”.
Não há nenhum documento, segundo o vereador, formalizando por escrito o pedido no pátio para usar o caminhão para viagem que, em tese, teve fins particulares.
Safera afirma que a prefeitura sempre fez esse “trabalho social” — de emprestar veículos para transportar mudanças de municípes.
Segundo ele, o prefeito Claudemir Alves (PTB) não sabia do empréstimo do caminhão. “Foi no final do expediente de sexta-feira e não avisamos o prefeito”.
Durante a entrevista, o presidente do legislativo diz que não se considera um “vereador clientelista” — que intermedia pedidos da população para conseguir consultas médicas, remédios e outros serviços prestados pelo Poder Público: “Não sou de pedir remédio e cesta básica. Dificilmente peço essas coisas”, disse.
Safera negou que o chefe do pátio tenha sido indicação política dele, por isso teve facilidade em conseguir favores. De acordo com Safera, a nomeação do titular do cargo foi iniciativa do prefeito. “Pode checar, este ano só fui lá duas vezes. Não indiquei ninguém em cargos”.
O secretário de Negócios Jurídicos, advogado Celso Cruz, disse que o caminhão que chocou-se com o veículo da prefeitura tem seguro. O prejuízo, segundo ele, deve ser ressarcido pela seguradora. “O acidente foi provocado por outro caminhão, inclusive o da prefeitura estava na mão certa de direção”, afirmou Cruz.
Sobre a liberação do caminhão da merenda a pedido do vereador, Cruz diz que o prefeito Claudemir Alves (PTB) só soube do uso do veículo depois de ocorrer o acidente em Piraí do Sul (PR). “O prefeito não sabia da liberação do veículo. Soube do acidente na segunda-feira, 20, mas não sabia o que aquele veículo estava fazendo no Paraná”, declarou.
O advogado do prefeito confirma que o veículo foi liberado pelo chefe do Pátio atendendo pedido do presidente da Câmara, José Nunes Safera. “Não sei se foi solicitado por escrito ou só verbal”.
Cruz afirmou que “salvo melhor juízo” é possível autorizar a liberação de veículos para “alguém reconhecidamente pobre”.
Cruz confirmou que a sindicância aberta vai apurar a responsabilidade pela liberação do veículo. Perguntado se o presidente da Câmara usou da sua influência política para conseguir a concessão do caminhão, Cruz respondeu: “Nem é influência, em cidade pequena todo mundo conhece todo mundo. Ele fez o pedido e liberaram”. O chefe do pátio não foi localizado para dar a versão dele sobre a liberação do veículo.