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Cidade se especializa
no cultivo da melancia

AGRICULTURA — Espírito Santo do Turvo tem cerca de 750 hectares de áreas plantadas com melancia; a produção da fruta no ano passado foi superior a 30 mil toneladas


O vereador Onofre Gabriel à frente de sua produção de melanciaElaine Damaceno
Da Reportagem Local

O cultivo de melancia em Espírito Santo do Turvo é tradicional há mais de 45 anos. O plantio da fruta é a principal atividade agrícola da cidade e a produção está entre as maiores do Estado, segundo dados da Secretaria Municipal de Agricultura.
Um dos primeiros produtores de melancia na cidade foi o agricultor Junishi Sasaki, morto há três anos. Ele começou a plantar melancia por volta de 1955, alguns anos depois de ter chegado do Japão. “Meu avô começou plantando café, arroz, batata e outros produtos, só depois começou a plantar melancia. Desde então, não parou mais e a família deu continuidade à tradição”, conta Koiti Sasaki, neto de Junishi.
Atualmente a família Sasaki possui cerca de 15 alqueires plantados com melancia. Eles vendem principalmente para o Estado do Rio de Janeiro. Há dez anos exportaram parte de sua produção para a Argentina, mas deixaram o ramo da exportação porque o mercado nacional oferecia mais vantagens.
Depois da família Sasaki, outras famílias também se tornaram tradicionais no plantio de melancia em Espírito Santo, como a dos também imigrantes japoneses, Yamashita, e a família do produtor e vereador Onofre Gabriel, que iniciou o cultivo de melancia há mais de 20 anos.
Produção — A secretária da Agricultura de Espírito Santo, Roseana Cláudia Guerra, estima que a cidade tenha 30 produtores de melancia. Anualmente uma área aproximada de 750 hectares é ocupada com o plantio da fruta.
A produção em 2000 foi de 30 mil toneladas e a expectativa é de que a mesma média seja atingida nesse ano.
No ano passado, Onofre e seu filho Jair Gabriel colheram aproximadamente 700 mil quilos de melancia, nos 20 alqueires que plantaram. Nesse ano, eles plantaram uma área menor — 13 alqueires —, mas esperam colher quantidade semelhante ao do ano anterior.
“Apesar da área ser menor, a produtividade por alqueire está ultrapassando a média do ano passado”, avaliou Onofre.
Em média cada alqueire produz 50 toneladas de melancia. “Em Espírito Santo, entretanto, há produtores que conseguem 100 toneladas por alqueire”, afirmou a secretária de Agricultura municipal.
Após o plantio, a melancia demora 120 dias para estar no ponto. Ela oferece duas colheitas “boas” e uma terceira com menos produtividade.
A qualidade mais cultivada de melancia em Espírito Santo do Turvo é a rubi, seguida pela taiti e ureca. A melancia rubi é a primeira híbrida totalmente brasileira que se adaptou ao clima da região. O híbrido é um fruto cuja semente passa por um processo seletivo, apresenta padrão uniforme e é mais resistente a pragas.
Em média a rubi pesa entre 10 Kg e 12 Kg. Alguns frutos, entretanto, são desenvolvidos para atingirem tamanhos bem superiores, mas esses não são próprios para consumo porque têm baixo teor de açúcar.
Venda — Os produtores da cidade vendem a melancia para os Estados do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e para várias cidades paulistas.
Alguns produtores, como Onofre e Jair Gabriel, ajudam a abastecer grandes redes de supermercados com a melancia plantada em Espírito Santo. “Nós já vendemos para vários supermercados de São Paulo e atualmente negociamos com o Carrefur e com o Pão de Açúcar”, conta Onofre.
Os produtores contam que o período de melhor venda do ano é durante o feriado de finados. Nesses dias, a fruta é vendida por preços bem melhores do que o de mercado.
“O preço atual para venda é em média de R$ 0,07 o quilo. Durante o feriado de finados, chegamos a vender a melancia por R$ 0,15 o quilo”, disse Onofre Gabriel.
Dificuldades — A principal dificuldade encontrada pelos produtores de melancia é o alto custo para manter a produção. As sementes, os insumos, os adubos e os inseticidas são comprados em dólar. Como conseqüência da constante variação da moeda em relação ao Real, o custo para manter a produção também varia.
“Se no início do Plano Real, um produtor gastava em média R$ 140 para colher uma tonelada de melancia, hoje esse gasto é de R$ 400”, estimou a secretária de Agricultura Roseana.
Jair Gabriel estima que gasta em média R$ 2 mil por alqueire com inseticida, calcário e adubos.
Uma outra dificuldade enfrentada pelos produtores é conseguir novas áreas para plantar todo ano. “Depois que se planta a melancia, é necessário dar um descanso de pelo menos cinco anos porque há uma bactéria que fica na terra”, explica Onofre Gabriel. “Já houve casos de agricultores insistirem e plantarem a melancia antes do prazo e perderam quase toda a produção porque houve uma praga”, contou Jair Gabriel.
Segundo os produtores, nesse intervalo de tempo a terra pode receber o plantio de qualquer outro produto, menos o da melancia. “Nós costumamos plantar abóbora, milho, feijão ou arroz, até completar os cinco anos para reutilizarmos a mesma área”, conta o produtor Onofre Gabriel.
Por causa da tradição da melancia em Espírito Santo, a prefeitura municipal promoveu nesse ano a primeira “Festa da Melancia” da cidade, no domingo, 4. Durante todo o dia houve várias gincanas e distribuição da fruta para a população da cidade.