Morre Zilo, cantor da dupla "Zilo e Zalo"

MÚSICA — Dupla santa-cruzense perde a ‘primeira-voz’ , Zilo, que morreu no Incor de São Paulo após sofrer um terceiro derrame; cantores iniciaram carreira em Santa Cruz


Noel Junior homenageou Zilo e Zalo com especial na Radio DifusoraElaine Damaceno
Da Reportagem Local

O compositor e cantor Aníbio Pereira de Souza, o “Zilo” da dupla Zilo e Zalo, morreu às 11h de domingo, 6, no Instituto do Coração (Incor) de São Paulo. O cantor estava hospitalizado no Incor desde as vésperas do Natal, quando sofreu um derrame. Ele havia tido um primeiro derrame cerca de cinco meses antes e, por esse motivo, sua saúde estava bastante debilitada.
Na manhã de domingo, Zilo teve um terceiro derrame e não resistiu. Foi sepultado na tarde de segunda-feira, 7, em um cemitério da capital paulista.
Zilo completaria 67 anos no próximo 1º de março. O irmão, Belizário Pereira de Souza, o Zalo, está com 64 anos.
Os irmãos nasceram em Santa Cruz do Rio Pardo e desde pequenos demonstravam gosto pela música. Gravaram músicas em diversos estilos — raiz, moda de viola, country, canção rancheira, forró, toada, batidão e guarânia.
Eles percorreram muitos Estados brasileiros e obtiveram reconhecimento em São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Homenagem — No mesmo dia de seu sepultamento, Zilo foi homenageado com um especial na Rádio Difusora de Santa Cruz — a primeira emissora onde a dupla se apresentou. O apresentador Noel Júnior dedicou à dupla uma hora de seu programa, o “Cantinho de Violeiro”. “As músicas deles fazem parte do programa, são bastante requisitadas pelos ouvintes. Por isso achei justa uma homenagem”, disse Noel Junior.
Para Noel, a música de maior sucesso da dupla é O milagre do ladrão, composta por Zilo e Léo Canhoto na década de 60. Recentemente essa música recebeu tratamento de blues e foi gravada pelo cantor Paulo Miklos, do grupo Titãs, em um CD solo.
Zilo e Zalo tiveram ainda outros sucessos que se eternizaram em suas vozes, como Meu bem, que tristeza é essa, de Ronaldo Adriano e Marquinho, Coromandel, de Goiá e Zalo, Mata o véio, de Sílvio Rocha e Aparecido Moda, Louca ilusão, de Zalo e Oswaldo Galharda e Feitiço Espanhol, de Goiá e Zacarias.
O início — Desde crianças, os irmãos Aníbio e Belizário tiveram o pai como grande incentivador. O “seu Pereira” cantava e dançava catira nas festas das redondezas do sítio onde moravam, em Caporanga. Aos poucos, os filhos começaram a acompanhar o pai e tornaram-se conhecidos.
Com nove e sete anos de idade, eles já animavam bailinhos, festas paroquiais e as tradicionais festas de “Santos Reis”. Aprenderam a cantar e tocar viola, violão e cavaquinho e começaram a compor suas próprias letras. Nessa época, ainda moravam no sítio e tinham que aliar a música aos trabalhos rurais, como criação de animais e lavoura.
Em 1954 a dupla ganhou o nome de “Pereré e Pereirinha” e começou a se tornar conhecida após cantar por três meses em um programa da Rádio Difusora de Santa Cruz. No repertório, músicas de Tonico e Tinoco, Zé Carreiro e Carreirinho, Vieira e Vieirinha e Zico e Zeca.
Em agosto do mesmo ano a família vendeu as terras em Santa Cruz e se mudou para São Paulo, onde os dois jovens cantores pretendiam seguir carreira.
No começo, Aníbio trabalhou como almoxarife em uma empresa e Belizário trabalhava no comércio com seu pai.
A caminho do rádio — A primeira chance que tiveram de cantar na capital foi no Circo Rancho Alegre, que pertencia ao apresentador de programa de rádio “Paiolzinho”. O combinado era de que cantariam apenas uma moda de viola e, se agradassem, poderiam cantar mais uma. Acabaram cantando quatro, tal foi o sucesso com o público.
Reconhecendo o talento da dupla, Paiolzinho e Zé Tapera a levou para a Rádio Cultura, no programa de auditório “Casa dos Fazendeiros” e assim surgia “Zilo e Zalo”. Naquele mesmo ano, a Rádio Record promoveu o Festival do Jubileu de Prata e entre 253 duplas, conquistaram o nono lugar.
Em 1956 participaram de programas de auditório da Rádio Bandeirantes, onde permaneceram até 1961. Ao mesmo tempo em que a carreira no rádio se firmava, os shows e as apresentações em circos também se intensificavam.
De 1962 a 1964 ficaram na Rádio 9 de Julho e depois ganharam um programa semanal exclusivo na Rádio Nacional. Em 1973 voltaram para a Rádio Record e participaram da formação do programa “Linha Sertaneja Classe A”, no qual permaneceram até a década de 80. Talvez a última visita de Zilo e Zalo a Santa Cruz ocorreu no início dos anos 90, quando a dupla se apresentou no Palácio da Cultura. Deu casa lotada, com gente até nos corredores.

LEIA MAIS
Dupla gravou primeiro disco a convite de "Cascatinha"

Crônica "Plantando dá?"

Esportes

Americana elimina Ourinhos do Paulista de basquete

Religião

"O Padre e o Frei"

Artigo

"Gotinhas de bem viver"

Publicidade

Louras das cervejas numa gelada

Jornal
Diretor: Sérgio Fleury Moraes Av. Cel. Clementino Gonçalves, 1070 CEP 18900-000 Santa Cruz do Rio Pardo - SP Fone (14) 372-5555
Críticas e sugestões: jdebate@uol.com.br

WebMaster: Marco "Brother" Boaventura brother@argon.com.br - BrotherWebDesign©

.