| Região |
REGIÃO Autor
da denúncia, o vereador José Claudinei Messias (PMDB)
protesta contra a decisão do Legislativo e quer apuração
pelo Ministério Público
A CPI da Apostila foi arquivada pela
Câmara de Ourinhos na última segunda-feira à
noite, sob protesto do vereador José Claudinei Messias
(PMDB). Ele insiste que houve irregularidade.
Depois de seis meses, os vereadores chegaram à conclusão
de não ter havido irregularidade na licitação
que escolheu a empresa Expoente Informática,
de Curitiba, para fornecer material didático a alunos de
escola infantil e do ensino fundamental da rede municipal de Ourinhos.
O presidente da CPI da Apostila, Osvaldo Barbosa (sem partido),
discordou de Messias de enviar o relatório à Promotoria,
alegando que o parecer da comissão foi pelo arquivamento
por não existir irregularidade.
No final da sessão, Messias causou constrangimento ao comentar
que a documentação já havia sido enviada
ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), Procuradoria Geral do Estado,
Ministério Público e Ministério da Cultura
(MEC) quando foi instalada a CPI.
O relator da CPI, João Felício Figueira (PSD), reclamou
da atitude do companheiro e ficou surpreso. Não adiantou
todo esse trabalho, desabafou no final da sessão.
Pelos menos 12 vereadores votaram a favor e 4 se manifestaram
contra o relatório.
Abafa A CPI não tomou nenhum depoimento
e se concentrou na solicitação de pareceres jurídicos
junto a órgão de consultoria. Os membros da comissão
chegaram a viajar a São Paulo para consulta informal a
auditores do TCE e ao Centro de Estudos da Administração
Municipal (Cepam), que emitiu parecer por escrito.
Durante seis meses os trabalhos foram conduzidos de forma lenta,
sem divulgação na imprensa. Os vereadores requisitaram
uma sala no legislativo, para guardar diversos exemplares de apostilas.
O relatório final tem três páginas redigidas
numa fonte de tamanho grande, sem muito detalhamento técnico.
O contrato custou aos cofres municipais R$ 935.511,00. A prefeitura
usou dinheiro do Fundef e do próprio município para
adquirir o material apostilado semelhante ao utilizado por escolas
particulares, embora o MEC tenha enviado livros gratuitamente
aos alunos do ensino fundamental da rede municipal.
Irregularidade Messias denunciou na Câmara que a
licitação teve vício por estourar
o limite previsto na lei , além de discordar da manobra
da prefeitura de dividir em duas concorrências a compra
do mesmo tipo de material. A Expoente ganhou as duas concorrências.
O que Messias apontou de ilegal a prefeitura corrigiu durante
a tramitação da CPI.
Para o vereador, a prefeitura homologou o contrato no valor de
R$ 674 mil superando o limite da modalidade tomada de preço
R$ 650 mil.
Esse descuido, no entanto, foi corrigido três meses depois.
O prefeito fez aditamento no contrato que reduziu de R$ 674.876,36
para R$ 641.110,40.
O vereador José Claudinei Messias (PMDB) discorda do argumento
de que houve erro da prefeitura e a falha corrigida
a tempo, sem prejudicar a licitação.
O contrato foi assinado, a prefeitura fez os pagamentos
e quando a Câmara abriu a CPI a prefeitura reduziu o valor
numa canetada, declarou o peemedebista.
Para Messias, a prefeitura burlou a lei com o ato do prefeito
de reduzir o valor da licitação para se adequar
à modalidade de tomada de preço. A licitação
homologada com o valor maior é o suficiente para anular
todo o processo licitatório, pois caracterizou vício
de origem. A licitação tinha que ser cancelada,
afirmou Messias.
Na opinião dele, o prefeito Claudinei Alves simplesmente
mudou o valor ao perceber que havia ilegalidade. Houve falha
e não concordo com o relatório: burlaram para desrespeitar
a lei , declarou.
Outro ponto que o vereador contestou foi a argumentação
dos vereadores da CPI de que houve duas licitações
com objetos diferentes aquisição de material
escolar. A finalidade era diferente, mas não justificava
abrir duas licitações.
No entender da CPI, o material comprado para alunos do ensino
fundamental foi custeado com verba do Fundef e a outra compra
destinada a alunos do ensino infantil custeado com recursos do
município. Por ter duas fontes de custeio diferentes, justificou
o ato da abertura de duas licitações.
O objeto da licitação compra do material
é o mesmo. Por isso não se podia dividir
a licitação. No relatório da CPI consta que
os materiais são distintos. A única diferença
é a destinação das apostilas, ou seja um
material seria a alunos de escolas infantil e o outro aos alunos
de ensino fundamental, mas o material era didático, caracterizando
o mesmo objeto, alegou Messias.
O peemedebista também destacou que a empresa vencedora
da licitação fez apenas uma mudança na capa
da apostila.
Segundo ele, foram encontrados lotes de apostilas com páginas
em que enfoca a região do Paraná e não o
estado de São Paulo. A sede do fornecedor do material didático
é Curitiba (PR).
Defesa do governo O relator da CPI, João Felicio
Figueira, rebateu o argumento do peemedebista dizendo que as duas
licitações foram independentes e na modalidade tomada
de preço, como define a legislação.
Ele inocenta a administração municipal e justifica
a existência de duas licitações por existir
duas fontes de custeio. Na sua opinião, é plenamente
legal o ato do prefeito Claudemir Alves (PTB) assinado
três meses depois reduzindo o valor para se adequar
à modalidade tomada de preço. Está
dentro da lei.
Felicio explicou que uma das licitações chegou a
ficar um período acima do limite permitido, mas a irregularidade
foi corrigida a tempo com o aditamento. Isso é possível
conforme estabelece a lei de licitações 8.666/93,
explicou o vereador em seu parecer aprovado pela maioria dos vereadores.
A comissão foi presidida pelo vereador Osvaldo Barbosa
(sem partido), João Felicio Figueira (PSD) relator, Frednês
Correia Leite (PPB), Donizete Jorge Xavier (PDT) e José
Ricardo Bordihon (PV). Pelo menos quatro dos cinco integantes
da CPI apóiam a administração do prefeito
Claudemir Alves.