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SAÚDE Chegada
do inverno deve provocar a diminuição da contaminação
da dengue; o mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti,
não resiste às baixas temperaturas
A Secretaria de Saúde de Santa
Cruz do Rio Pardo registrou na última semana mais um caso
de dengue no município. A pessoa infectada trabalha como
vendedor e provavelmente contraiu a doença durante uma
viagem a Dourados-MS.
Logo depois da confirmação, a equipe de combate
à dengue da cidade fez a nebulização em quadras
próximas à residência do vendedor, na vila
Sidéria, e ao redor da Santa Casa local onde ficou
hospitalizado por quatro dias.
Até o momento, a secretaria de Saúde municipal fez
mais de 30 exames de pessoas com suspeitas de dengue nesse ano.
Quatro foram confirmados, sendo que dois deles contraíram
a doença no Rio de Janeiro e dois no Mato Grosso do Sul
(um em Dourados e o outro em Sorriso).
Essa é a primeira vez que mais de uma pessoa é contaminada
pela dengue em um mesmo ano no município.
O aumento significativo dos casos tem relação direta
com a epidemia que se espalhou em grandes centros urbanos, principalmente
o Rio de Janeiro.
Como muitas pessoas viajam no verão para cidades
de praia, onde há epidemia, foi inevitável o surgimento
desses casos também em Santa Cruz, explicou o chefe
da equipe de agentes de combate à dengue de Santa Cruz,
Danny Anderson Meneses Cunha. O fator positivo é
que conseguimos evitar a contaminação na cidade.
Não houve nenhum caso autóctone, completou
Cunha.
Na região, a cidade mais próxima com casos autóctones
de dengue é Ibirarema, onde no mínimo oito pessoas
contraíram a doença no próprio município.
Inverno Com a proximidade dos meses mais frios do ano,
diminui gradativamente o número de pessoas com dengue.
Isso acontece porque o mosquito transmissor da doença,
o Aedes aegypti, não resiste às baixas temperaturas
e morre.
Em anos que há geada, o número de focos do
Aedes é praticamente zero nos meses seguintes. O mosquito
seria eliminado se o ovo não resistisse por muito tempo
nos criadouros, explicou Cunha.
Ele informa que o único tipo de inseticida capaz de matar
as larvas do mosquito da dengue é o usado em locais de
maiores riscos, como borracharias.
Mas esse inseticida é mais difícil de ser aplicado
nas casas porque é líquido, mais concentrado do
que o outro e deixa branco os locais onde é passado.
Cunha estima que, por causa da epidemia de dengue no país
nesse ano, é maior o risco de haver também um grande
número de pessoas que contraiam a doença no próximo
verão.
Com a introdução do terceiro sorotipo de vírus
da doença no Estado de São Paulo, o número
de pessoas suscetíveis a terem a dengue hemorrágica
é muito maior para o próximo ano, alerta Cunha.
A dengue hemorrágia ocorre quando uma pessoa que já
teve dengue é novamente picada pelo Aedes aegypti contaminado
por um vírus diferente do que causou a doença da
primeira vez. A hemorragia é uma espécie de reação
alérgica do organismo.
Cunha lembra que um dos problemas é que muitas pessoas
que têm dengue não comunicam os órgãos
de Saúde.
Muitos preferem tratar em casa, e não fazem exames.
Por esse motivo, quando contraem a dengue hemorrágica,
já tiveram dengue uma primeira vez, mas não ficaram
sabendo, cita Cunha.