• Cartas
• As cartas para esta coluna deverão conter nome completo e endereço. A redação se reserva no direito de publicar trechos do texto ou adiar sua publicação, por problemas de espaço. Por E-Mail, o endereço é: jdebate@uol.com.br



Leitores criticam o prefeito


A desculpa da vez foi: “Estou recebendo muita pressão”. Palavras ditas a mim por sua secretária de educação, a quem não atribuo o próprio discurso, porque até hoje ninguém entende qual a sua qualificação para ocupar um cargo tão alto (gostaria de ver seu currículo),o que me faz pensar que estória de pressão é “texto decorado”.
Estou falando do concurso para as tão disputadas secretarias de creches. Não entendo a causa de uma disputa tamanha por essas vagas, pois minha mãe, Neusa Sanches, diretora da creche Maristela há onze anos não ganha mais do que ganharia dando aulas, o que lhe tomaria menos tempo, também não é da “society” nem tem a menor vocação ou vontade de ser. Por isso, para mim e para todos que a conhecem, fica muito claro que o que a motiva é o amor que ela tem por essa creche.
Mas vamos aos fatos e julguem vocês mesmos:
Ela, Neusa, não tem pedagogia, porém ocupa o cargo há onze anos e a creche que ela dirige é a mais elogiada da região. Todo mundo elogia, inclusive o próprio prefeito. Um professor da faculdade que tem o curso de pedagogia, cujo nome infelizmente não posso divulgar pois é funcionário da prefeitura, me disse que entende que ela não consiga cursar a faculdade, pelo simples fato de que não vai aprender nada de novo e talvez até desaprenda, o que tornaria a aula muito maçante. A prova de que ela é uma excelente profissional se verifica na comunidade onde se localiza a creche (Vila Maristela), uma comunidade pobre, mas muito respeitosa e fiel que é contra a demissão. Cito como exemplo a vez que o Manezinho a demitiu, só que de uma forma mais sórdida ainda: por telefone e no dia das mães. A comunidade abandonou a festa das mães na creche e foi para a minha casa, deixando como testemunha do desastre o maestro Mario Nely, que não entendeu patavina do que estava acontecendo. O então prefeito Manezinho foi obrigado a voltar atrás e readmiti-la, pois a voz do povo é a voz de Deus. Mas será que o Dr. Adilson acredita em Deus? Ou se acha o próprio? Que o Manezinho tenha agido assim é até compreensível, pois é de sua índole, e ele era oposição ao governo do qual ela fazia parte. Mas o Mira agir assim???
O Dr. Adilsom Mira foi pedir à minha mãe para ajudá-lo na campanha porque ela tinha a confiança da comunidade onde atua e disse que o prefeito que a tirasse de lá seria um burro, pois ela era uma excelente profissional e um exemplo a ser seguido. E disse mais um monte de mentiras que a convenceram a acreditar nele e conseqüentemente ajudá-lo, negando-se até mesmo a fazer campanha para o candidato Pedro Milton. Realmente acreditou nele, como todos nós. Acho que todos que votaram no sr. Adilson Mira também se sentem traídos quando olham seu carnê de IPTU ou a rua à frente de sua casa toda esburacada.
Apesar de saber que ele não honra seus compromissos, tenho que admitir que ele é no mínimo um bom estrategista, pois ao mesmo tempo em que demitiu minha mãe, começou as obras de desfavelamento na vila Maristela só para desviar a atenção da comunidade do assunto da demissão. Esperou seus dois “peixinhos” se formarem para realizar esse concurso, e vem dizer que está “recebendo pressão!”, como se ele fosse homem de aceitar, ou mesmo ouvir, o que os outros falam!
Lembro-me que há pouco tempo levava meus amigos de São Paulo para passear em Santa Cruz e eles diziam: “Que cidade gostosa, bonita, quero voltar mais vezes”... Mas foi-se esse tempo. Hoje, quando me perguntam de onde sou, digo que sou de uma cidade linda porém destruída por um político profissional que só pensa no próprio umbigo e que ainda por cima tem aspirações de ser deputado. É claro que jamais vai ser eleito, mas com certeza vai tentar. Afinal de contas, precisa sobreviver e todos sabemos que Direito não é o seu forte. De qualquer forma, ou a sociedade vai ser contaminada pela sua representatividade na câmara estadual, ou vai ser o ramo do Direito contaminado (categoria tão bem representada em nossa cidade por ótimos advogados). Pois que seja o Direito porque os advogados estão acostumados a lidar com gente desse tipo, e nós, pessoas comuns, não, ou não o teríamos elegido.
O certo é que não tínhamos opção. À sociedade parecia ser o mais certo a fazer, já que conhecíamos o trabalho (ou a falta dele) do Manezinho e não tivemos tempo para conhecer o Pedro Milton. Só nos restou, então, votar num falso moralista que bradava na Câmara contra o nepotismo e que agora nomeia familiares e amigos incompetentes só para satisfazer seu ego de ditador de segunda, um homem que acusava o então prefeito Clóvis de irregularidades e que agora manda pôr placas com autopromoção em obras publicas, e ainda acha gente sem brio capaz de assumir seus desmandos; um homem que manda máquinas doadas pelo estado, para servir a todos os municípios da região, desfilarem nas ruas da cidade como se fossem compradas por ele.
E agora essa história dos computadores. Será que ele sabia das irregularidades na licitação? Se a resposta for positiva, ele é desonesto. Se for negativa, ele é incompetente por contratar alguém desonesto capaz de pagar mais de R$ 5.000,00 por um computador que eu não pagaria mais que R$ 2.500,00. Digo isso como responsável pelo departamento de compras da maior empresa de evento do país. Nunca vi tamanha cara-de-pau nem entre os piores profissionais de compras.

(a) — Marcos Donato Sanches Carlomagno (São Paulo – SP)



O povo de Santa Cruz gostaria de comunicar à administração atual e aos vereadores que nós, através do voto, colocamos vocês aí — e que também através do voto podemos tirá-los. Vivemos numa democracia e ela nos dá este direito. Então, está na hora de começar a trabalhar e deixar de brincadeiras porque nossa cidade já não suporta mais estes desmandos de pessoas que não tem um pingo de bom senso. Já está mais que na hora de deixar de lado as desavenças, a autopromoção pessoal de imagem e outras coisas mais que vem acontecendo em nossa política.
Um conselho ao nosso prefeito: quando a gente faz alguma coisa não é necessário divulgar porque as pessoas por si só vão ver, e sobre o que foi publicado no jornal anterior (14/04/02), você não fez mais que sua obrigação, pois é pago para isso. Então, trabalhe mais. Não é que o DEBATE esteja contra a administração atual ou os vereadores: o jornal simplesmente está (e deve estar) a favor do povo. Se trabalha direito, recebe elogios; senão, críticas. Agora, se não são capazes de aceitar críticas, a porta da rua é a serventia da casa. Para terminar, uma pergunta que está no ar: por que 10 ou 12 funcionários do alto escalão da prefeitura pediram a conta? O mais estranho nisto tudo é que todos saíram alegando problemas pessoais. O que será isto? Doença ou divergência?
(a) — Maurício J. S. Cury (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Esclarecimento

Nós, professoras da rede municipal de ensino infantil, queremos esclarecer que não recebemos abono no final do ano de 2001, porque não fazemos parte do “FUNDEF”, pois esse fundo é destinado somente ao ensino fundamental (1º A 8º série). E que nosso salário está defasado em relação aos demais municípios da região.
(a) — Adriana G. Ortega Godoy, Adriane Lara contieiro, Adriane P. Borges Scudeler, Alessandra Terezan F. Souza, Alethea R. Martins R. Souza, Ana Rosa de Marchi Sakoda, Ana Madalena Biel Lemos, Andréia F. Prozoto Gazola, Aparecida J. S. Casanova, Aricia J. da Silva Oliveira, Beatriz G. Santos e Simão, Cláudia Vieira Franciscon, Daisy Maria Sanches, Deise Dias V. Sagae, Denise F. A. Fernandes, Denise de F. Lamino C. Silva, Donata C. Marçola, Durcelina M. S. Pellegatti, Elesandra M. Ferrari Gazola, Eliana F. Orlando Donini, Elis Ângela M. Bacochini, Elsen Butignoli A. Molitor, Érika Alves Dinis Andrade, Gisela Basseto F. Prates, Giselle Maria Salles, Helena de Souza Cruz, Ieda Maria R. de P. Pereira, Inês A. Parmegiani da Costa, Luci Damasceno Salandin, Lúcia Marisa Pinhata, Maria Aparecida M. Barreto, Maria Benedita C. Pilato, Maria de Lourdes Viol, Maria Goreti Bermejo Dário, Maria Helena Nogueira Abreu, Maria José de A. Picinin, Maria Regina R. P. Tozato, Maria T. Scarmen Simão, Maria Zumira E. Martins, Marilza Ap. Pelegatti Rosso, Marisa Goreti B. A. A. de Jesus, Marta E. Consalter Maitan, Marta M. Raimundo Bianchi, Maura Alice B. Souza Pegorer, Meire de L. Gazzola Marsola, Natalina F. G. Souza Ramalho, Noriko Izumi Kawabata, Norma A. Pilatos Camargo, Olívia Helena F. S. Silva, Renata Dezo Singulani, Rita de Cássia S. F. Vieira, Rita de Cássia T. T. Sanson, Rosana Maria P. Pelegati, Rosângela C. Camparim, Rosária Barbieri Castanho, Rose Letícia Morgueti, Rosenilda M. B. da Silva, Sandra H. Faria Silva Lázaro, Silvana Roberta B. Campos, Silvia Gomes Pinho, Simone Amaro Ferdin, Simone C. Almeida Pegorer, Solange Maria Calvo, Tânia Regina de A. Tulli, Vânia Regina Sabino Serra, Virgínia Regina Sabino Serra, Simone Pradini Ribeiro Ferrari, Nara Regina Tajes Salaro.



“Matou a pau”

No final de sua aula sobre Ciência Política e Teoria Geral do Estado, o mestre nos dá o tema para o próximo trabalho acadêmico: “Hoje no Brasil, existe Democracia ou demagogia?”. É mais um entre dezenas de trabalhos a serem entregues até o final do semestre. E é preciso muita calma para não entrarmos em pânico.
Durante toda a semana estive pesquisando por livros e mais livros sobre o assunto, querendo demonstrar que na verdade, por parte do povo existe sim a Democracia. E podemos perfeitamente observá-la, principalmente quando da nossa convocação para cada pleito, seja ele Municipal, Estadual ou Federal, não importa. Por outro lado, por parte daqueles que nos representam — já que nossa Democracia é representativa — o que existe na verdade é a mais pura demagogia. Os interesses, as vontades e as necessidades das classes públicas majoritárias se perdem, juntamente com a Democracia, em meio aos interesses das classes dominantes e minoritárias, representadas na maioria das vezes pelos partidos políticos e seus constituintes demagogos que anseiam incansavelmente pelo poder às custas das mazelas sociais.
Deu um pouco de trabalho, é claro, mas com base nessas idéias consegui desenvolver o trabalho na exigência desumana, diga-se de passagem, de suas vinte laudas. Depois de concluído, com capa e tudo mais, me chegou às mãos a obra “Ciências Política”, de Paulo Bonavides, onde o autor cita a seguinte frase: “O partido onipotente, a essa altura, já não é o povo nem a sua vontade geral. Mas ínfima minoria que, tendo os postos de mando e os cordões com que guiar a ação política, desnaturou nesse processo de condução partidária toda a verdade democrática”. O pior é que o Bonavides menosprezou as minhas vinte e poucas páginas e deu o seu veredicto em duas linhas. E como diria o meu mestre Reinéro, “matou a pau”.
(a) — Fabrício Dias de Oliveira (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)



Crítica ao jornal

Um amigo experiente em administração púbica me disse uma vez que “dinheiro de Prefeitura é um só”, referindo-se à prática rotineira de deslocamento de recursos de um setor para outro. O orçamento público, apesar de aprovado com destinações fixas para cada setor, é sabidamente flexível, permitindo adequações de forma a atender necessidades não previstas ou mudança de prioridades.
O DEBATE, em sua última edição, fez coro com os descontentes de plantão, ao destacar em manchete que “recursos da saúde foram desviados para a cultura”, referindo-se à suplementação de verbas do Departamento de Cultura para a obra do término do Centro Cultural, em Ourinhos. É necessário lembrar que a construção do Centro Cultural está prevista no orçamento do município desde 1992. Em 1995, o então prefeito Claury tomou as primeiras providências para que o projeto fosse realizado, e em 1996 a obra teve início, com recursos do município, em local privilegiado, entre duas das maiores escolas da cidade. Ao longo desses anos, a vida cultural ourinhense deu um grande salto em quantidade de pessoas envolvidas e qualidade do trabalho apresentado. Foram criadas as Escolas Municipais de Música e Bailado, que abrigam sua grande clientela em prédios alugados, com acomodações que estão longe de atender suas necessidades. Há uma grande expectativa, acumulada em anos de espera, de podermos acomodar melhor nossos alunos e professores.
É preciso que se diga também que o orçamento destinado à cultura — nos municípios, estados e governo federal — é quantia ínfima. Em Ourinhos, com todo o equipamento cultural existente, a Prefeitura gastou no ano passado 2,38% de seu orçamento com a Cultura. Para esse ano há previsão de que 2,59% dos recursos sejam encaminhados para o setor. E aí, quando o Prefeito Claudemir toma a iniciativa de retomar construção desse espaço, que se encontra paralisada e que vai abrigar 2 mil alunos hoje atendidos em espaços alugados, surgem vozes isoladas que insinuam que “os doentes ficarão sem remédios”, “a saúde ficou em segundo lugar”, e outras demagogias. Nenhum governante sensato iria tirar recursos da saúde e prejudicar a população. Trata-se de um recurso contábil, de suplementação de verbas, para que a obra possa ser concluída. Além disso, a destinação estipulada de recursos para cada setor é uma questão de organização administrativa, pois na prática é muito tênue a linha que separa a educação da cultura, da saúde ou do bem estar social. É evidente que quem possui mais acesso à educação e cultura terá uma saúde melhor, pois o acesso à informação é decisivo na prevenção de doenças. E nem estou falando de saúde mental, de equilíbrio emocional, para os quais as atividades culturais são indicadas pelos profissionais da área.
Resumindo, acredito que investir em cultura é também investir em saúde, porque é pouco inteligente resumir o serviço público na área ao atendimento nos postos de saúde. Pelo exposto, manifesto minha tristeza pela maneira como o DEBATE se referiu ao assunto, pois o título da matéria apenas repetiu a ladainha dos que tentam impedir o progresso da cidade, e querem colocar a população contra a retomada dessa obra tão importante.

(a) — Neusa Fleury Moraes (Diretora de Cultura — Ourinhos-SP)