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Comerciantes têm que adaptar depósitos

GÁS DE COZINHA — Quase metade dos locais de armazenagem e venda de botijões de gás em Santa Cruz do Rio Pardo desrespeitam normas de prevenção de incêndio e segurança


O comandante do Corpo de Bombeiros, Valdir da Costa: 40% dos depósitos precisam se adaptarO Corpo de Bombeiros e a Promotoria de Santa Cruz do Rio Pardo iniciaram há dois meses uma “ofensiva” de regularização dos depósitos e postos de venda de botijões de gás no município.
Desde o final de abril os bombeiros têm vistoriado esses locais para verificar se estão atendendo à legislação vigente sobre normas de prevenção de incêndio e segurança.
O comandante do Corpo de Bombeiros, sargento Valdir da Costa, estima que cerca de 40% dos depósitos do município não atendem à legislação, estando em fase de adaptação. A cidade tem atualmente 23 depósitos funcionando legalmente.
O armazenamento de botijões de gás liqüefeito de petróleo (GLP) precisa atender normas de segurança que prevêem, entre outros itens, o número máximo de botijões, a área mínima de armazenamento, as dimensões das portas de acesso e as distância de locais de aglomeração de público. O objetivo é garantir a segurança da comunidade. Existem seis classes de armazenamento, com características diferentes.
Em Santa Cruz, a maior parte dos estabelecimentos se enquadra nas classes 1 e 2. A classe 1, por exemplo, prevê armazenamento de até 520 kg de GLP (40 botijões) em área mínima de 8 m2 — sem contar os espaços reservados ao distanciamento de segurança de outros pontos. A classe 2 já prevê armazenamento de até 1.560 kg (120 botijões) em área mínima de 16 m2.
Durante a vistoria, os bombeiros orientaram os proprietários sobre a legislação vigente, concedendo um prazo para adaptações necessárias. “Muitos têm que se adaptar, mas não querem”, afirmou Costa.
O comerciante, por exemplo, que passa a armazenar mais botijões para atender um aumento da demanda, deve adaptar o local de armazenamento.
“Os comerciantes reclamam muito”, afirma Costa. O comandante acredita que a resistência dos comerciantes em se adequar às normas não se deve a empecilhos financeiros, mas a “desleixo”. Ele recorda que há três anos a promotoria realizou uma reunião com os comerciantes e comunicou a necessidade da adequação às normas. “Eles se comprometeram a estar regularizando a situação e muitos não cumpriram”, conta Costa.
Os bombeiros chegaram inclusive a apreender botijões de estabelecimentos que não tinham condições mínimas de segurança. “Hoje há uma febre do gás, todo mundo quer abrir um depósito, mas o gás é explosivo e altamente inflamável e não podemos proibir, por exemplo, alguém de andar fumando na rua. A segurança tem que partir do proprietário”, afirmou.
Os bombeiros também estão recebendo informações sobre depósitos clandestinos na cidade. “Se constatarmos a irregularidade e houver condições para o proprietário regularizar a situação, ele tem um prazo para fazer isso. Se não houver condições mínimas para a regularização ou se o prazo não for atendido, os botijões são recolhidos e o caso é enviado à promotoria”, explica Costa.
Ele salienta, porém, que a intenção da corporação é educativa. “É melhor para todo mundo que eles regularizem a situação. Só apreendemos botijão em caso de perigo imediato ou se não houver a adequação dentro do prazo concedido”, disse.
O Corpo de Bombeiros já realizou a vistoria em Espírito Santo do Turvo, São Pedro, Óleo e Bernardino de Campos. A próxima cidade a passar por vistoria será Ipaussu. “Temos informação de que muitos locais que não estão de acordo com as normas e vamos apreender botijões”, alerta o comandante.
Segurança — Segundo Costa, Santa Cruz tem registros freqüentes de acidentes com botijões de gás. “A principal causa é a falta de cuidado ao manusear o botijão na residência”, explica.
O comandante afirmou que poucos consumidores são esclarecidos a respeito da legislação do GLP. “Pedimos sempre para prestarem atenção no funcionário que fez a entrega e no local onde compraram, porque a responsabilidade sobre o botijão é do depósito, mesmo dentro da residência do consumidor”, explica.
Segundo Costa, a lei exige até mesmo que o funcionário do depósito faça a instalação do botijão de gás dentro da residência.

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