|
Paixão por carros
antigos
atravessa gerações em S. Cruz
COMPORTAMENTO Em Santa Cruz do Rio Pardo, pai e filho
são apaixonados por modelos de veículos antigos,
usados até para levar noivas às igrejas gratuitamente
Thelma Yeda Roder Kai
Da Reportagem Local
Dono de um Ford Custom 1951
e apaixonado por carros antigos desde criança, o caminhoneiro
Paulo Sérgio Pereira de Castro, 43, afirma que, se tivesse
dinheiro, só compraria carro velho. Essa é
uma paixão, aliás, que parece estar no sangue da
família. O filho mais velho do caminhoneiro, o autônomo
Paulo Roberto Pereira de Castro, 21, o Paulinho também
possui um carro antigo: um Landau 1978.
Castro nunca comprou um veículo novo. Usa os carros antigos
normalmente, até para viajar para cidades próximas.
De vez em quando, faz de graça o serviço antes
reservado à limusine das noivas da prefeitura,
vendida na atual gestão (leia texto nesta página).
Na posse dos eleitos para cargos públicos, em 2001, levou
o vereador Wilson Primo de Souza (PTB) à Câmara
no reluzente Landau.
O pai do caminhoneiro, Osias Pereira de Castro, era taxista.
Até hoje Castro guarda em casa as fotografias dos carros
antigos parados no ponto da igreja Matriz de São Sebastião,
em Santa Cruz do Rio Pardo. Também conserva a fotografia
de um acidente ocorrido com o Ford 1934 de seu pai na avenida
Tiradentes o carro tombou. Naquela época
já tinha acidente na avenida, ironiza.
Castro
já teve um Ford 1940 Luxo, um Ford 1948 e uma F-100 de
1963. O Ford Custom 1951 é uma raridade. É
difícil de achar, porque na época as oficinas desmanchavam
os carros e até derretiam. É mais fácil
encontrar um Fordinho 1929, explica.
O carro tem muitas peças originais o relógio
e o velocímetro que ainda funcionam e o câmbio de
modelo americano, ao lado da direção, por exemplo.
O proprietário avalia o veículo em cerca de R$
10 mil.
No último domingo, na comemoração do pentacampeonato
da seleção brasileira, pai e filho saíram
com os carros para a avenida. Todo mundo olha, conta
Castro.
O filho mais velho herdou do pai o gosto pelos carros velhos.
Praticamente aprendeu a dirigir neles. Desde que eu sou
pequeno meu pai já vem falando de carro antigo. Vivia
tirando fotografias minhas nos carros, conta Paulinho.
O carro, segundo ele, faz moral. Todo dia tem
alguém em casa, principalmente moçada, perguntando
se quero vender, mas negócio mesmo só sai com gente
de fora, acredita. |