• Caderno D
Caro Frei Humberto

Frei Lourenço M. Papin
Da Equipe de Colaboradores



Encontra-se entre nós, em Santa Cruz, Frei Humberto Pereira de Almeida, celebrando seu Jubileu de Ouro Sacerdotal, ou seja, seus cinqüenta anos de padre. Suas raízes mais profundas estão plantadas aqui. Nasceu no bairro rural da Grumixama aos 22 de julho de 1924, filho de Francisco Pereira de Almeida e Ana Teodoro de Jesus, uma família de treze irmãos. Foi aluno de nossa Escola Apostólica Dominicana, ao lado do Santuário Nossa Senhora de Fátima. Cursou Filosofia em São Paulo e Teologia em Bologna, norte da Itália, onde se ordenou sacerdote no dia 6 de julho de 1952. Foi pároco de São Sebastião em Santa Cruz, da Sagrada Família em São Paulo e de São Judas Tadeu em Goiânia onde reside atualmente. Por duas vezes exerceu o cargo de Prior Regional do Vicariato Dominicano Santa Catarina de Sena. Em Goiânia, por seis anos presidiu a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB Regional) e durante onze anos foi secretário do Regional Centro-Oeste da CNBB.
Caro Frei Humberto, por um desígnio amoroso do Pai, você foi chamado lá da Grumixama para uma missão: anunciar e semear a Palavra de Deus; servir aos irmãos e irmãs, sem distinção; ser testemunha do Reino e pastor de ovelhas; ser despenseiro dos Sacramentos. Essa missão você viveu com amor-compaixão, no serviço-doação, sem interesses humanos, com despreendimento dos bens materiais, indignado com as situações de injustiça de nosso povo, atuante na pastoral familiar e sempre pronto a dar a vida pelas ovelhas. Você viveu evangelizando, mas soube também deixar-se evangelizar sobretudo pelos pobres e humildes. Você certamente tremeu ao pensar na responsabilidade de ser padre, mas confiou na Graça de Deus e no apoio da comunidade, de seus irmãos pelo Batismo.
Você vem vindo de uma longa jornada exclusivamente a serviço do Senhor e da sua Igreja, tecida de esperanças e de temores, de alegrias e de tristezas, de vitórias e revezes, de semeaduras e de colheitas. Seus cabelos encaneceram, é verdade, mas seu espírito continua jovem. Com seus 77 anos, você não deixou de sonhar e de esperar, a exemplo do apóstolo ancião, Pedro, exclamando: “O que nós esperamos são novos céus e uma nova terra onde habitará a justiça”. (2 Pd, 3, 13).
Em sua homenagem, Frei Humberto, transcrevo aqui uma breve reflexão sobre o sacerdote, do Padre Henri Lacordaire (1802 – 1861), dominicano, insigne orador, acadêmico e parlamentar francês:
“Viver no meio do mundo sem cobiçar seus prazeres; ser membro de cada família sem pertencer a nenhuma; compartilhar todo sofrimento; penetrar todos os segredos; curar todas as chagas; ir dos homens a Deus e lhe oferecer as suas preces; voltar de Deus aos homens, trazendo perdão e esperança; ter um coração de fogo em caridade, e um coração de bronze em castidade; ensinar e perdoar, consolar e abençoar sempre. Essa vida é a sua, ó sacerdote de Jesus Cristo!”
Por Frei Humberto dirijo esta prece: Senhor, pela força de vossa Graça, fazei germinar para a messe eterna as sementes do Reino que este nosso irmão lançou nos corações de tanta gente ao longo desta sua jornada sacerdotal de cinqüenta anos. Amém!