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Teatro de bonecos conta artes de Villa-Lobos

ESPETÁCULO — A Companhia de Teatro de Bonecos Articularte irá apresentar no ginásio de esportes de Santa Cruz do Rio Pardo a peça “O Trenzinho Villa-Lobos”



O boneco-personagem Tuhu, com um de seus instrumentos musicais
A Caravana Paulista de Teatro irá apresentar em Santa Cruz do Rio Pardo a peça “O Trenzinho Villa-Lobos!”, da Companhia Articularte de Teatro de Bonecos. A apresentação será no Ginásio de Esportes Anis Abraz às 9h e às 14h de terça-feira, 5 (somente para escolas municipais) e às 10h da quarta-feira, 6, para o público geral.
O Trenzinho Villa-Lobos é uma peça inspirada na vida e nas artes infantis do menino Tuhu — apelido do próprio Heitor Villa-Lobos, que veio a se tornar um dos mais importantes compositores musicais do Brasil e do mundo (leia texto ao lado).
O espetáculo é uma peça musical de Teatro de Bonecos, com o diferencial de que são manipulados de corpo inteiro, com o uso adaptado da técnica japonesa Bunraku. No total são cinco manipuladores, sendo que cada boneco é manipulado por duas ou três pessoas.
A peça mostra passagens da vida do menino Heitor (Tuhu), desde as suas primeiras peripécias até ele entrar em contato com a riqueza dos sons e da música brasileira. O garoto ganhou o apelido “Tuhu” por gostar de imitar os sons engraçados e esquisitos que ouvia, principalmente das locomotivas.
Ainda criança, Heitor mudou-se com a família para Minas Gerais. A viagem é acompanhada pela obra “O Trenzinho Caipira”.
Durante a viagem, o menino percebe a grandeza do país e fica encantado com tanta beleza natural. Na nova terra, o garoto vive livre pelas matas e faz uma de suas artes e malcriações. Como resultado, ganha um castigo.
A partir da sombra do pai, Tuhu tem a visão de uma Maria Fumaça gigantesca e muito feroz, como se fosse um imenso dragão. Essa imensa locomotiva faz desaparecer o seu melhor amigo: um cachorrinho que se transforma em bola — o Bolinha.
De repente, Tuhu recebe a ajuda de uma pequena personagem alada, a Solai, e parte em uma aventura para procurar o seu cachorrinho. Tuhu acaba caindo em uma outra terra, habitada por estranhos seres musicais. Ele conhece um mundo rico e fica fascinado com a nova experiência musical. Depois de muitas peripécias, acaba reencontrando seu melhor amigo, o Bolinha.
A experiência marca para sempre a vida do garoto Tuhu e nasce assim desejos, sentimentos e emoções do futuro gênio musical brasileiro.
A peça aborda, de forma sutil, os relacionamentos, principalmente o difícil diálogo afetivo entre Tuhu e seu pai — representado como um homem severo, mas que influencia musicalmente Villa-Lobos.
Bonecos — A peça conta com diversos bonecos-personagens e adereços, entre eles, estão Tuhu (Villa-Lobos quando menino), Pai Raul (uma interação de homem com livro), Mãe Noêmia (mulher com viola), Tia Zizinha (mulher com busto de piano e chapéu de órgão), Bolinha (cachorrinho com bola), Clarinete, Viola, Trio Mineiro (interação de instrumentos, pés, mãos e chapéus) e Maria Fumaça (carranca manipulada).
A manipulação dos bonecos faz de “O Trenzinho Villa-Lobos” uma encenação bastante divertida, quase sempre acompanhada por um fundo musical. Entre as músicas que compõem o espetáculo, estão Bachianas número 2, 4 e 5, Uirapuru, Quarteto de Cordas, Pequena Suíte, Floresta Amazônica e Trenzinho Caipira.
O cenário mostra uma reprodução de locomotivas de ferro do início do século passado, vista de frente. A duração do espetáculo é de cerca de 50 minutos.
Ficha técnica — A Companhia Articularte tem três anos de formação. Seu primeiro espetáculo, “A cuca fofa de Tarsila”, já conta com várias conquistas, entre elas o Prêmio Panamco 2000 de Teatro Infantil, no item Criação de Bonecos, para a bonequeira Surley Valério. Outro trabalho bastante conhecido de Surley é a produção de bonecos para o teatro infantil Castelo Rá-tim-bum.
A peça tem texto e direção do dramaturgo, ator e diretor Dario Uzam e cenário de Hernandes de Oliveira.
Parte da renda da apresentação do espetáculo na quarta-feira em Santa Cruz será revertida para o fundo de Assistência à Classe Teatral (Fact) — entidade comandada pela atriz Etty Frazer, que há nove anos trabalha em favor de artistas portadores do vírus HIV (transmissor da Aids)

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