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Excesso de flúor pode causar
danos à dentição permanente

ODONTOLOGIA — Fluorose dentária danifica esmalte dos dentes, deixando-os frágeis e susceptíveis às cáries



A odontopediatra Fabiana Pimentel: pais devem supervisionar escovação dos dentes das criançasO excesso do uso de flúor na hora de prevenir as cáries das crianças pode resultar na fluorose dentária — distúrbio provocado pela ingestão do fluoreto em proporções acima do adequado durante o período de formação do esmalte dentário.
Segundo a odontopediatra Fabiana Pimentel, de Santa Cruz do Rio Pardo, os primeiros sinais da doença podem ser vistos como linhas brancas finas cruzando toda a superfície do esmalte (como linhas traçadas com um lápis) que só são percebidas após secar a superfície do dente.
“Com o aumento da gravidade toda a superfície do dente apresenta áreas brancas, irregulares, opacas ou nebulosas. A cor das manchas pode variar do amarelo para o marrom por causa da absorção de substâncias da alimentação”, explica Fabiana. Nos estágios mais graves, segundo a odontopediatra, a superfície opaca do dente apresenta perda do esmalte externo — as chamadas “depressões”. “Em alguns casos mais graves ocorre a perda quase total da superfície do esmalte e o formato normal do dente fica bastante alterado”, diz. Além disso, um dente com fluorose é mais frágil e mais susceptível à cárie.
A ocorrência da fluorose é mais comum na dentição permanente, mas pode ocorrer na dentição decídua — “dentes de leite”. O pré-molar normalmente é o dente mais afetado, seguido pelos segundos molares permanentes.
A principal dificuldade de se combater a fluorose dentária é que ela só é percebida quando já não há como evitá-la — o dente permanente já “nasce” danificado. “Por isso é importante trabalhar a prevenção”, afirma Fabiana. Em Santa Cruz do Rio Pardo, o paciente mais novo atendido pela odontopediatra com fluorose dentária tem oito anos. A supervisão da escovação dos dentes das crianças pelos pais é fundamental na prevenção à fluorose (leia texto nesta página).
Fatores — Os fatores que afetam a incidência e a gravidade da fluorose dentária são a absorção do flúor pelo corpo, a concentração de flúor na água potável, nos alimentos infantis e nas bebidas e o uso de leite materno, mamadeiras, dentifrícios e suplementos fluorados.
A água é a principal fonte de flúor para a população atualmente. “Existe uma relação direta entre o aumento das concentrações de flúor nas fontes de abastecimento de água e o grau de fluorose dentária”, diz Fabiana.
A média anual da temperatura deve ser considerada na determinação da concentração ideal de flúor na água de abastecimento de uma comunidade, pois o consumo de água está diretamente relacionado com a temperatura. No Brasil, o valor considerado ideal é de 0,7 ppm (partícula por milhão), mas varia de 0,8 ppm a 1 ppm.
Segundo Fabiana, a quantidade de flúor ingerida através de alimentos sólidos geralmente é pequena em relação à ingerida através dos líquidos, mas há alimentos com níveis relativamente altos de flúor, como alguns tipos de peixes.
Já os cremes dentais fluorados contêm altas doses de flúor. “Por isso a ingestão diária excessiva, principalmente por aqueles que já contam com outras fontes de flúor, pode causar risco de fluorose”, alerta a odontopediatra.
Tratamento — A fluorose não tem cura, mas existem procedimentos que podem amenizar suas conseqüências. O tratamento consiste em lixar o esmalte externo do dente, danificado, até que o esmalte interno, quase perfeito e melhor mineralizado, fique exposto — procedimento chamado de microabrasão. Nos casos mais graves, com depressões ou escamações, pode ser necessário restaurar a superfície dos dentes com resinas compostas. Depois pode ser necessária a colocação de coroas.
Segundo Fabiana, embora os principais danos da fluorose sejam estéticos, ela pode deformar um dente. “Existem casos, bem avançados, de pessoas que precisaram fazer próteses”, conta a odontopediatra.

SERVIÇOA odontopediatra Fabiana Pimentel atende em seu consultório na rua José Epiphânio Botelho, 794. Telefone (14) 3372- 2369..


Escovação das crianças deve
ser supervisionada pelos pais

Para evitar a ingestão excessiva de flúor por parte das crianças, os pais devem supervisionar a escovação dos dentes dos seus filhos — principalmente dos menores de sete anos.
A quantidade de creme dental usada durante a escovação é um dado importante. “A prática clínica recomenda o equivalente ao tamanho de um grão de ervilha”, afirma a odontopediatra Fabiana Pimentel. O creme deve ser colocado no sentido transversal às cerdas da escova — “atravessado”.
Os pais também devem repassar às crianças explicações sobre o uso restrito do creme dental, a quantidade correta e a não ingestão da espuma.
Embora a higiene bucal da criança precise ser iniciada desde o nascimento, o uso de creme dental é desnecessário. “Mesmo antes de nascerem os dentes, a limpeza da gengiva tem que ser feita, com uma gaze embebida em água filtrada. Principalmente antes de dormir, pois nesse horário a salivação diminui e o leite fica retido ali a noite toda”, explica Fabiana.
O uso da escova de dentes é indicado quando nascerem os primeiros molares de trás. O creme dental, porém, ainda é desaconselhado. “Tem mãe que gosta de usar a pasta para melhorar o hálito. Mas não é a pasta que limpa os dentes e sim a técnica correta de escovação”, alerta a odontopediatra.
Os pais também devem ficar atentos à vontade que a criança sente de comer creme dental. Existem atualmente cremes com sabores mais atrativos para crianças, que representam grande risco de ingestão inadequada de flúor.
O uso de produtos para bochecho também pode ser dispensado se a criança tiver uma higiene bucal correta. A recomendação profissional é de os pais procederem a escovação e o uso de fio dental nos dentes dos filhos. “A criança com menos de oito anos não tem coordenação motora para escovar e passar fio dental corretamente”, diz a odontopediatra. No caso da criança demonstrar vontade de fazer a limpeza bucal sozinha, os pais devem orientar e depois “conferir” o resultado, escovando novamente os dentes, corretamente.
Bebês — Fabiana também ressalta a importância do controle de ingestão de flúor durante a gestação e a amamentação do bebê. “Na impossibilidade de se obter fluoretação nas fontes de água, recomendava-se à gestante ou à criança o uso de suplementos fluorados como forma alternativa para ingestão de flúor. Mas nos últimos 10 anos ocorreram mudanças nos conceitos de como o flúor age e a suplementação foi abandonada”, explica. A odontopediatra ressalta que até mesmo a água mineral engarrafada possui fluoração, na maioria das marcas disponíveis.
Existe também diferença na ingestão de flúor para crianças amamentadas no peito e por mamadeira. “A criança amamentada no peito não recebe quase nenhum fluoreto através do leite materno, enquanto a amamentada com a mamadeira pode ser exposta a doses relativamente altas de flúor contido na fórmula do leite em pó e na água usada para o preparo”, afirma Fabiana Pimentel.