| Caderno D |
HISTÓRIA A
estudante paulistana Andréa de Araújo Nogueira narra
a vida do ex-professor do Leônidas
Andréa
de Araujo Nogueira
Caricaturista, escritor, advogado
e professor, José Nelo Lorenzon nasceu na cidade de Ribeirão
Preto, interior de São Paulo no dia 1º de junho de
1909, numa família de origem italiana. Veio para a capital
com a finalidade de cursar a Faculdade de Direito no Largo de
S. Francisco, concluindo o curso em 1932.
Contudo, desiludido com os reveses no exercício da profissão,
preferiu permanecer no meio universitário. Em meio a tradicional
seriedade das Arcadas, contribuiu para criar um ambiente de contestação,
atuando como ilustrador e caricaturista autodidata de revistas
do meio acadêmico, como a 11 de agosto e Problemas, entre
1936 e 37.
Os periódicos, que preservavam uma estreita ligação
com o Partido Comunista e simpatizantes ao partido entre
eles o próprio Nelo , manifestavam a resistência
dos intelectuais à mobilização dos integralistas,
os chamados galinhas verdes e ao endurecimento político
do governo de Vargas, que desencadearia o período do Estado
Novo (1937-45).
Com o acirramento da censura getulista, o artista retorna ao interior
do estado de São Paulo, lecionando no Instituto de Educação
de Araras e na Escola Normal de Santa Cruz do Rio Pardo na cátedra
de Língua Portuguesa. A espirituosidade de Nelo entremeava
suas aulas, deixando lembranças de seu humor e inteligência
nos alunos.
Convidado a participar do Diário da Noite, de propriedade
de Assis Chateaubriand, Nelo volta para a capital, iniciando a
publicação de tiras cômicas para o jornal
em 13 de janeiro de 1944, intitulada Jóias da Língua
Portuguesa e a sátira aos costumes, em Uma
Família Paulistana, entre outras. Paralelamente ao
trabalho como caricaturista, Nelo irá continuar a lecionar
no Colégio Fernão Dias Pais, publicando no jornal
do bairro, A Gazeta de Pinheiros, sua crônica mensal, Lições
de Português, onde tratava questões sobre a
língua portuguesa de forma muito bem-humorada.
Em 1946 criou para o Jornal de S. Paulo, as charges do Zé
Marmiteiro acompanhado por seu cachorro, o Chuvisco, em diálogos
com os políticos nacionais. Nelo adotou o nome de seu personagem
a partir de uma polêmica articulada por Hugo Borghi envolvendo
as candidaturas para Presidente da República de Eurico
Gaspar Dutra e Eduardo Gomes em 1945.
Contratado como caricaturista pelas Folhas empresa que
editava a Folha da Manhã, Folha da Tarde e Folha da Noite
, inicia a produção de seus desenhos em 23
de março de 1948 na primeira página da Folha da
Noite, sob a direção de Nabantino Ramos, levando
o seu Zé Marmiteiro. Ao longo da década de 50 e
início dos anos 60 permaneceu trabalhando para o jornal
apresentando diariamente seu traço limpo sem refinamento,
mas não menos elaborado, associado ao recurso da cor. Como
a Folha da Noite dedicava-se principalmente ao trato dos problemas
da cidade de São Paulo, Zé Marmiteiro questionava
freqüentemente o fortalecimento da controvertida imagem pública
de Jânio da Silva Quadros, valendo a Nelo em 1957 um processo
do então governador paulista.
Nelo Lorenzon foi casado com Maria José Batista Pereira,
também professora. Faleceu em 7 de abril de 1963, vitimado
por um infarto do miocárdio deixando dois filhos: Luís
Lorenzon, também ilustrador, e a psicanalista Sandra Lorenzon
Schaffa. Uma rua no bairro da Água Branca leva seu nome,
além do Colégio Estadual Nelo Lorenzon no Alto da
Ponte Rasa, conforme decreto assinado pelo governador Adhemar
de Barros, um dos alvos prediletos de suas charges.
Em Santa Cruz do Rio Pardo, a única homenagem ao saudoso
professor José Nelo Lorenzon foi dar seu nome à
biblioteca da Escola Estadual Leônidas do Amaral Vieira,
antiga Escola Normal.