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Decretada falência do supermercado Pavão

OURINHOS — Proprietários não conseguem quitar primeira parcela do pedido de concordata; Justiça determina o fechamento de todas as filiais do supermercado



Fachada da filial de Ourinhos do Supermercado Pavão que teve as portas lacradas pela Justiça na quarta-feiraO Supermercado Pavão fechou as portas na última quarta-feira. A medida atinge também as outras cinco filiais, duas no estado do Paraná. A empresa pediu concordata há um ano, mas não conseguiu pagar a primeira parcela. Ela teve a falência decretada na última semana pelo juiz da 2ª Vara da Comarca de Ourinhos, José Carlos Hernandes Holgado.
A própria empresa declarou seu estado de insolvência nos autos do processo de concordata.
O presidente do Sindicado dos Comerciários de Ourinhos, Aparecido Jesus Bruzarrosco, declarou que até a próxima terça-feira será feita a rescisão dos contratos dos cerca de 50 empregados para que possam sacar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e ter direito ao seguro-desemprego.
Bruzarrosco disse que a assessoria jurídica prepara ação na Justiça para se habilitar aos direitos trabalhistas. No processo de falência, os créditos trabalhistas têm prioridade.
Segundo o promotor de Justiça Adelino Lorenzetti Neto, a empresa confessou a situação de insolvência. “Ante a confissão, não restou outra alternativa do que a Justiça decretar a falência”.
A Justiça nomeou a advogada Carla Ferreira Aversani para síndica da massa falida. Ela será a responsável pela arrecadação de todos os bens e mercadorias que serão catalogadas para o ressarcimento dos débitos trabalhistas, tributários e dos credores. A advogada esteve quarta-feira na filial de Cornélio Procópio-PR. O Pavão tinha lojas em Cerqueira Cesar, Botucatu, Assis, Jacarezinho e Cornélio Procópio.
A reportagem não conseguiu localizar os sócios Francisco Carlos Pavan, Gilberto Pavan, Juraci Pires Pavan e Mônica Aparecida Pavan. Segundo Bruzarrosco, na última segunda-feira o empresário Francisco Pavan se reuniu com o sindicato para anunciar a falência do supermercado. “Na reunião, ele chegou até a chorar ao dizer que não teria mais condições de pagar as verbas rescisórias”, declarou Bruzarrosco. No ano passado a dívida estava estimada em R$ 1,8 milhão, mas os valores não estão corrigidos. Quando pediu concordata, a empresa alegou dificuldades financeiras por causa dos altos juros cobrados pelo mercado financeiro. A filial era conhecida por manter promoções e vender por meio de cheque pré-datado com prazo de 60 dias. Isso teria descaptalizado a empresa. O juiz fixou prazo de 20 dias para a habilitação dos credores e notificou os estabelecimentos bancários para encerrar as contas do Pavão na praça.