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Distrito de Caporanga reclama de abandono

PROTESTO — Moradores do distrito de Santa Cruz do Rio Pardo querem novas pontes, manutenção de estradas rurais, ambulância, e um subprefeito presente



Gervásio mostra tábua podre na ponte da Água dos CoqueirosMoradores de Caporanga — distrito de Santa Cruz do Rio Pardo — cobram do prefeito Adilson Donizeti (PSDB) atenção maior para os problemas do local. Na última semana, moradores do distrito mostraram à reportagem do DEBATE alguns dos pontos críticos de Caporanga.
Um deles é a ponte do Ribeirão Bonito, que caiu devido a uma enchente em janeiro de 2001. Na ocasião, foi construída uma ponte “provisória” de madeira — que ainda continua no local. Em abril deste ano, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que a obra de instalação de uma ponte metálica havia sido iniciada, mas que não tinha sido concluída “por causa das chuvas”. Durante toda a estação seca, porém, a obra continuou paralisada. “A gente pede para fazer uma ponte mais forte e a prefeitura diz que não tem madeira. Se ela não tem, quem vai ter? Os produtores vão ter que dar madeira para fazer a ponte?”, questiona Luiz Carlos Hidalgo, o Gervásio, morador de Caporanga.
Acompanhado do primo Alfredo Ramos, Hidalgo também levou a reportagem até outra ponte, a da Água dos Coqueiros. Pouco antes da ponte uma placa indica que a capacidade máxima permitida é de 6 toneladas. “Um caminhão vazio pesa 7 toneladas. Como é que vai passar um carregado aqui?”, pergunta Gervásio. “Se a gente passar e a ponte cair, a prefeitura vai alegar que tem placa avisando e a gente passou porque quis. Mas vai passar por onde?”, reclama. Segundo Gervásio, há outro caminho, dando a volta por São Pedro do Turvo — o que significa cerca de 20 quilômetros a mais no trajeto e encarece o frete da entrega de insumos agrícolas.
Na última semana, um produtor teve um carregamento de calcário “barrado” por causa da ponte. O entregador não quis arriscar passar com o caminhão carregado pelo local. “Ele ia despejar o calcário no pé da ponte. A gente avisou que a água podia levar e ele deixou em uma propriedade por perto. Mas o dono vai ter que dar um jeito de levar o calcário mais 10 quilômetros”, diz.
Outra reclamação dos moradores diz respeito às condições da estrada da Água dos Coqueiros. Em um trecho da estrada, de subida, após as chuvas é difícil um veículo passar. “Os alunos perdem aula, atola carro. Aqui só precisava jogar um pouco de pedra, mas a prefeitura diz que não tem pedra”, conta Gervásio.
O problema poderia ser resolvido, de acordo com os moradores, se as máquinas agrícolas do distrito não tivessem sido retiradas pela prefeitura. Os moradores dizem que as máquinas antes ficavam em Caporanga para consertar as estradas rurais do distrito, mas agora “sumiram”.
Saúde — Os moradores ainda se queixam da retirada da ambulância que permanecia no distrito à noite. Segundo eles, o veículo foi destinado a Santa Cruz por um deputado e a Câmara solicitou que a ambulância fosse para o distrito. “Quando precisa de socorro, a pessoa tem que esperar o Corpo de Bombeiros vir buscar. Nem todo mundo tem carro ou dinheiro para colocar combustível”, explicam.
Gervásio diz que, se até o dia 15 o prefeito não der uma posição sobre a volta da ambulância ao distrito, os moradores encaminharão um abaixo-assinado ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) para solicitar outro veículo.
Outras reclamações são em relação ao estado lastimável do prédio usado como velório no distrito e a demora para instalação de um “balanção” — o que teria sido promessa do prefeito Adilson Donizeti (PSDB). “Caporanga está em um abandono total”, lamenta Gervásio. Os moradores também reclamam de não ter a quem solicitar melhorias. O subprefeito do distrito, Márcio Catalano, não se encontrava em Caporanga na manhã de terça-feira e, segundo os moradores, só apareceu no local uma vez. “A função do subprefeito é ficar aqui para atender a população”, protesta Gervásio.

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