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Santa-cruzense Sampaio Gouveia
encerra a campanha na terra natal

ELEIÇÕES NA ORDEM — Advogado estará em Santa Cruz na quarta-feira


Luiz Antônio Sampaio Gouveia, da chapa "Umbigos no balcão"O santa-cruzense Luiz Antônio Sampaio Gouveia, que chegou a figurar como candidato a presidente da seccional de São Paulo da OAB, retirou seu nome e optou por sair como vice na chapa “Umbigos no balcão”. No acordo, o candidato à presidência é Clito Fornaciari Junior.
Gouveia deverá encerrar a campanha em Santa Cruz do Rio Pardo, onde fará uma visita à Casa do Advogado na quarta-feira, 26 — véspera da eleição. A seguir os principais trechos da entrevista.

DEBATE Qual o principal objetivo da chapa “Umbigos no Balcão”?
Gouveia — A nossa chapa tem por objetivo redimir a advocacia, tirá-la da situação crítica em que se encontra. O ponto fundamental é a criação de um corpo de advogados e advogadas especializados na defesa das prerrogativas dos advogados, na remuneração dos advogados que prestam assistência judiciária de acordo com a tabela da OAB. Existe um subemprego do advogado e uma remuneração abaixo do ideal.
DEBATEPor que o senhor considera que a advocacia está em situação crítica?
Gouveia — Por causa do desinteresse e do descaso das lideranças principais da OAB com relação ao que precisa o advogado para o exercício da profissão. A OAB cresceu demais e passou a se distanciar dos interesses mais peculiares dos advogados no que diz respeito a facilitar o exercício profissional.
DEBATE Qual a opinião do senhor em relação às investigações sobre suposta corrupção no Judiciário?
Gouveia — O que precisa ser dito com relação à “operação anaconda” é que se trata de uma investigação policial e, com essa característica, não se pode ter por verdade absoluta todas as conclusões que estão sendo publicadas pela imprensa. Por enquanto são apenas investigações. É preciso que nós preservemos o princípio da inocência presumida. Somente se pode considerar uma pessoa culpada por um determinado delito em conseqüência da perda da inocência que o cidadão pode ostentar quando existe um pronunciamento do Poder Judiciário a respeito dos fatos sobvre os quais ele está sendo acusado.
DEBATEO corporativismo é citado como o principal mote das campanhas das chapas na OAB em detrimento de outras questões sociais. Qual a opinião do senhor sobre isso?
Gouveia — Essas postulações existentes nas eleições da OAB são normais, conseqüencias da medida em que a Ordem, por absorver outros tipos de bandeiras, “pensou muito na cabeça e esqueceu os sapatos”. E os advogados terminaram “descalços”, empobrecidos, sem condição de advogar. De um lado, sociologicamente é compreensível esse refluxo dos planos e das idéias para questões domésticas, mas filosoficamente é lamentável porque não se pode esquecer que não há advocacia sem o primado da liberdade e ele se faz garantindo instituições livres e democráticas no país, liberdades individuais nos termos da Declaração Universal do Direito do Homem e nos princípios de justiça social.
DEBATE Qual a opinião do senhor sobre a redução da maioridade penal?
Gouveia — Se ela for feita no momento como que agora se pretende fazer, estaremos fazendo-a sobre a pressão de um momento de desespero, de extremo crescimento da criminalidade do país.
DEBATEOs últimos exames de ordem da OAB tiveram índice de reprovação muito grande. O senhor acredita que esse fato é reflexo da má qualidade de faculdades?
Gouveia — O ponto principal da crise da advocacia e do Direito em geral é a proliferação de faculdades. A OAB deveria ter força para impedir que nos próximos dez anos, no mínimo, não se instale cursos de Direito no país. As faculdades existentes deveriam ser bem equipadas e providas em seus corpos docentes para ter condições de formar advogados com condição de exercer a advocacia. Nessa circunstância o exame de ordem deve ser mais rigoroso para que a sociedade seja servida por advogados em condição de defender os interesses da cidadania. O exame acaba sendo a seleção.