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OURINHOS Companhia
Luz e Força pede 14,40% de reajuste a ser concedido em
duas etapas; primeiro aumento pode ser aplicado em fevereiro do
ano que vem
O
reajuste da tarifa de energia elétrica, previsto para fevereiro
de 2004 na área de concessão da Companhia Luz e
Força Santa Cruz, foi discutido em audiência pública
na Câmara de Ourinhos sexta-feira de manhã. Representantes
da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e
da Comissão de Serviços Públicos de Energia
do Estado de São Paulo ouviram as opiniões de prefeitos,
vereadores, sindicalistas e a população. A Companhia
Luz e Força pleiteia reajuste integral de 14,49% concedidos
em duas etapas. O primeiro aumento de 6,49% e mais 1,63%
denominado de fator x que permite repassar aos consumidores
projeções de ganhos de produtividade das distribuidores
de energia elétrica. O tal fator x seria um
índice calculado em 1,63 pontos percentuais a mais na conta
de luz (veja tabela ao lado sobre fator x).
O aumento poderá chegar a 8,22%, restando 6,22% a ser repassado
na segunda etapa. A tarifa ainda não está definida.
Os valores foram apenas apresentados na audiência para saber
a opinião da sociedade sobre a proposta da empresa.
A Companhia Santa Cruz atende 151,1 mil unidades consumidoras
em 24 municípios da sub-região de Ourinhos e Santa
Cruz do Rio Pardo. A concessionária integra a lista de
27 empresas que terão suas tarifas reposicionadas
em 2004.
O índice final da tarifa será aplicado de forma
diferenciada para as categorias de consumo (residencial, comercial,
industrial), segundo a Aneel.
Imposto demais O diretor da Companhia
Luz e Força Santa Cruz, José Geraldo dos Santos,
declarou que o custo alto da energia é por causa de encargos
embutidos na tarifa, entre os quais o seguro apagão.
Ele disse que não é culpa das concessionárias
os valores da conta de luz. Santos apesentou exemplo de uma conta
de luz de R$ 100,00 em que a empresa fica com R$ 12,00 e o restante
é distribuido em impostos e encargos.
Os consumidores estão descontentes e nós também.
Causa perplexidade a quantidade de encargos embutidos na conta
de luz, declarou o diretor. Ele citou como exemplo os encargos
que o consumidor paga na conta de luz, como RGR (Reserva Global
de Reversão) taxa obrigatória revertida em
fundo do governo para investir em obras antiapagão ,
CCC (Conta de Consumo de Combustível) dinheiro recolhido
para cobrir despesas de combustível para geração
de termoelétricas e CDE (Conta de Desenvolvimento
Energético) utilizado para desenvolver projetos
de eletrificação rural e cobrir gasto com transporte
de gás de termoelétricas , seguro apagão
2,9% incidente sobre consumo residencial e 7% sobre industrial
além da taxa de iluminação pública
cobrada pelas prefeituras. O consumidor recolhe ICMS na faixa
de 33% na conta de luz consta 25% por conta de um mecanismo
que tributa em cima de toda a conta de luz.
O diretor da Aneel Isaac Averbuch confirma a existência
dessa tributação exagerada. Segundo
ele, existe lei permitindo esse cálculo (leia texto nesta
página).
Pelo menos três donas-de-casa humildes ocuparam os microfones
da reunião reclamando que a luz está muito
cara. Lurdes Ribeiro Batista disse que gasta uma média
mensal de R$ 42. Só tenho uma televisão, pouco
passo de roupa e a luz sobe de preço todo mês.
Na sua simplicidade, ela questionou o porquê do aumento
no preço da energia elétrica. Se ficar no
escuro, parece que mesmo assim pago mais. Faço a mesma
coisa todo mês e o preço só sobe. Pagava R$
20, subiu pra R$ 30 e já veio para R$ 48, reclamou
a dona-de-casa.
Desconto
para hospital O prefeito de Ourinhos, Claudemir Alves
(PTB), pediu desconto para contas de energia elétrica de
hospitais filantrópicos.
O petebista disse que as Santas Casas não podem disputar
com o consumidor comum as contas de energia elétrica.
Os hospitais são sem fins lucrativos e estão
cada vez mais em situação calamitosa. A população
tem arcado com esses custos para manter em funcionamento, com
muito sacrifício, o atendimento de saúde,
disse o prefeito.
Representantes de sindicatos pediram que o reajuste da tarifa
leve em conta a concessão de melhoria salarial aos eletricitários.
O gerente geral da Cooperativa de Eletrificação
Rural de Itaí, Paranapanema e Avaré Ltda., Hugo
Ferraz da Silveira, reclamou dos valores da tarifa cobrados pela
concessionária da cooperativa, composta de 5.402 associados.
O preço da energia está mais caro do que do consumidor
normal, segundo o gerente.
A maior concentração de consumo de energia de toda
a cooperativa está na alimentação de 400
pivôs centrais de irrigação de culturas agrícolas.
O presidente da Aneel, Isaac Aberbuch, recebeu um documento sobre
este custo, mas afirmou que o assunto não fazia parte da
audiência pública.