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Adestramento de cão garante segurança às pessoas

ALTERNATIVA — Além de pequenos truques, cachorros ensinados aprendem o momento certo de morder, largar e latir, proporcionando obediência ao dono



André Luiz com a schnauzer Jade, aluna do adestramento
Adestrar o cão de estimação é uma alternativa para os proprietários que querem a garantia de viver em segurança com o animal. O cachorro pode aprender, durante o treinamento, desde pequenos truques — como sentar, rolar, fingir de morto —, até comandos mais complicados para morder, largar e latir somente quando o dono ordenar.
O adestrador André Luiz Ribeiro da Silva, de Ourinhos, está há um mês com o serviço em Santa Cruz. André é vice-campeão paulista, brasileiro e latino-americano de adestramento e trabalha em parceria com a loja “Agro Bichos e Caprichos” e com a veterinária Ana Maria Lorenzetti.
A procura pelo serviço, segundo André, tem sido “razoável”. “No interior é mais difícil. As pessoas estão começando a entender agora que o adestramento é necessário”, avalia. A maior parte dos interessados possui cães de grande porte, mas André ressalta que os pequenos cachorros também precisam ser adestrados para que não se tornem agressivos — o que é muito comum, já que muitos donos adotam uma postura de mimar o pequeno cão e criá-lo sem limites.
Há dois tipos de treinamento: o básico, apenas para obediência, e o completo, com obediência e proteção. Nos dois casos, o tempo mínimo para o adestramento é, em média, de seis a oito meses — esse período varia de acordo com a raça e a idade do cachorro (leia texto no link abaixo).
Com o treinamento de obediência, o cachorro aprende comandos para serem usados no dia-a-dia — deitar, sentar, ficar e outros. Já com o treinamento de proteção, especializado, o cão vai aprender a morder, largar e até mesmo latir somente no momento apropriado.
O treinamento de proteção, especializado, trabalha com o aspecto comportamental do animal. É indicado, por exemplo, para cães que atacam à toa, que fogem de casa, que têm medo de veterinário, medo de rojão ou que não deixam o dono mexer em sua comida, entre outras finalidades.
Durante o adestramento, o dono passa a conhecer melhor o seu animal, sabendo o porquê de determinadas ações. Um mito muito comum, por exemplo, é achar que o cão ataca pessoas que entram nas casas “para defender o território”. “O cão só defende o território contra outros animais. Quando ataca o ser humano, é sempre para se proteger, quando se sente ameaçado”, explica André.
Também existem os cães que nunca atacam — os cães covardes. Três fatores determinam a “personalidade” do cão: a genética, a criação e o adestramento. É importante, antes de se comprar um filhote, observar o comportamento dos pais. Na parte de criação, o dono deve dosar punição e recompensas. “Se ficar só tratando bem, o cão se torna mimado. Se apenas punir, fica covarde”, diz André. O adestramento vem justamente ensinar o dono a criar o seu animal.
Bater no animal, por exemplo, é um comportamento recriminado pelos adestradores. “As pessoas têm muita dúvida sobre isso, acham que o cachorro apanha no adestramento. Não se deve bater no cachorro”, afirma André.
O adestrador explica que as pessoas fazem confusão ao associar a punição física do animal com uma melhora de comportamento. Um exemplo clássico é o dono que chega em casa e percebe que seu animal “fez bagunça” no quintal. “O dono bate no cachorro. No outro dia, ele bate de novo. A partir daí, quando ele chega em casa, o cachorro demonstra medo. Mas ele não associou a punição com a bagunça, e sim com a chegada do dono”, diz.
Isso ocorre, segundo o adestrador, porque o cão dispõe de apenas três segundos para “saber” se o comportamento foi certo ou errado. “Qualquer punição ou recompensa tem que ser feita imediatamente após o ato do cão, senão será inócua”, afirma.
No adestramento, a punição do cachorro é feita com um colar de elos (enforcadeira). “Cientistas descobriram que em matilhas de cães selvagens, a mãe punia o filhote mordendo a região posterior do pescoço e chacoalhando. Essa área é mais sensível. A coleira de elos age da mesma forma que a mãe da matilha”, explica. Isso significa que ela é mais eficiente para conter o animal do que coleiras e até mesmo peitorais.
Mas o adestramento, segundo André, trabalha muito mais com o estímulo positivo — aí se incluem recompensas como carinho, brinquedos e comida. O dono do animal também tem que aprender a comandar o cão. “O cão observa postura, gesto e sons”, diz.
O adestramento custa R$ 120,00 por mês e é feito duas vezes por semana. O adestrador busca e leva o animal em casa. Também é possível fazer o internato, por R$ 150,00 mais a ração a ser consumida. O cão passa a semana em Ourinhos e volta para casa aos sábados e domingos. Mais informações sobre o adestramento podem ser obtidas na “Agro Bichos e Caprichos”, pelo telefone (14) 3372-6902 ou com a veterinária Ana Maria Lorenzetti pelo telefone (14) 3373-1026.

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