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Técnica antiga, a touca de gesso
está de volta para alisar cabelos

BELEZA — A touca de gesso é indicada para quem quer alisar, relaxar ou diminuir o volume dos fios



A cabeleireira Vanda Moreira Firmino voltou a aplicar a touca de gesso para alisamentoUma técnica que já foi muito comum nos salões de beleza na década de 60 voltou como alternativa para quem quer alisar, relaxar ou tirar o volume dos cabelos: a touca de gesso.
Em Santa Cruz do Rio Pardo, a touca de gesso vem sendo aplicada há um ano pela cabeleireira Vanda Moreira Firmino. Ao contrário do que o nome sugere, a técnica não consiste na colocação de uma touca e nem mesmo usa gesso.
O alisamento com a touca de gesso é feito com a aplicação de produto para permanente nos cabelos. Os fios não são enrolados na cabeça e sim penteados, de forma a ficarem lisos.
O principal inconveniente da touca de gesso é o tempo de aplicação: a cliente chega a ficar seis horas com o produto na cabeça e não pode se mexer. “Chama-se de touca de gesso porque quando a gente passa, o cabelo fica durinho, como se estivesse engessado”, diz Vanda.
Após o período do alisamento, os cabelos são lavados e passam por uma hidratação. Na hora de secar, é feita uma escova. Segundo Vanda, dependendo do tipo de cabelo, a hidratação deve ser repetida com certa freqüência.
O principal benefício da técnica é o tempo que o efeito dura. “O cabelo não volta a enrolar”, garante Vanda. A cliente precisa apenas ficar atenta ao crescimento das raízes, para aplicar novamente a técnica quando achar necessário.
Segundo Vanda, a volta da touca de gesso agradou. “Tem sido procurada por mulheres de todas as idades”, conta. A cabeleireira só não faz a aplicação em crianças e mulheres grávidas.
O preço da aplicação também é outro chamariz: varia de R$ 30,00 a R$ 50,00, dependendo do comprimento dos fios e do tipo — pouco ou muito cacheados. “Muita gente ia fazer isso em Ourinhos, porque aqui ninguém fazia mais. Depois que eu comecei a procura foi tão grande que chegou a faltar o produto para permanente”, conta a cabeleireira.
Preferência por fios lisos
remete à posição de status

A cabeleireira Vanda Moreira Firmino, de Santa Cruz do Rio Pardo, acredita que apesar de ser uma técnica antiga, a touca de gesso voltou a ganhar força devido à moda dos cabelos lisos. Mais do que uma moda, os cabelos lisos parecem ser um símbolo social, com raízes históricas e culturais.
O santa-cruzense João Baptista Borges Pereira, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do livro O Corpo do Brasileiro — estudos de estética e beleza, sustenta que um dos motivos que levam as mulheres a alisar os cabelos é tentar se identificar como pessoas de classes sociais mais elevadas.
O cabelo liso teria sido, durante séculos, uma representação de status das classes mais altas. A obra foi lançada pelo Senac, organizada por Renato da Silva Queiroz, e traz cinco trabalhos de especialistas — entre eles A linguagem do corpo na sociedade brasileira, do ético ao estético, de Borges Pereira.
As mulheres, na opinião de Borges Pereira, ainda estão sujeitas à influência dos padrões de beleza ditados pela indústria da moda, representados principalmente pelas modelos.
Essa “tendência” da moda nos cabelos é ditada pelos europeus e norte-americanos, considerados padrões de beleza no mundo ocidental, e que possuem cabelos lisos e loiros.
O professor salienta que os cabelos lisos chegam a ser modelo até mesmo nos seus movimentos — são jogados para os lados ou para trás, balançam com facilidade e as mulheres estão o tempo todo mexendo neles.
A influência desse símbolo pode ser comprovada quando se repara nas técnicas que as mulheres chegaram a usar para alisar cabelos há algumas décadas — grande parte delas era bastante agressiva aos fios.
Antes de 1960, uma técnica muito popular era colocar as mechas entre duas chapas de metal que chegavam à temperatura de 250º C. O calor excessivo desintegrava a queratina — proteção natural do cabelo — e estragava os fios. Atualmente há uma versão remodelada dessa “chapinha excessiva”, que regula a temperatura e oferece maior proteção aos cabelos.
Outra tática muito usada foi o ferro de passar roupas. As jovens colocavam papel sobre os fios e passavam o ferro bem quente sobre os cabelos.
Nos anos 60, surgiram os alisamentos a frio, feitos com produtos químicos. Uma das técnicas mais convencionais e de pouco impacto era dormir com uma touca de meia na cabeça. O único inconveniente era ter que acordar no meio da noite para mudar o “lado” do cabelo”.

SERVIÇOA cabeleireira Vanda Moreira Firmino atende em seu salão na avenida Coronel Clementino Gonçalves, 301, centro de Santa Cruz do Rio Pardo, com hora marcada. Telefone (14) 3372-3887.