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Secretaria registra casos de leishmaniose

SAÚDE — Seis pacientes contraíram a doença em Santa Cruz do Rio Pardo e um em São Pedro do Turvo; pacientes estão sendo tratados na rede pública



A secretária municipal de Saúde, Luizete Alexandre Pereira
Em Santa Cruz do Rio Pardo foram registradas seis pessoas com leishmaniose. O sétimo caso é um paciente de São Pedro do Turvo. A informação foi confirmada ao DEBATE na última semana pela secretária municipal de Saúde, Luizete de Souza Alexandre Pereira.
Os pacientes santa-cruzenses residem em bairros próximos das margens do rio Pardo e ribeirão São Domingos. Em 1997, o município teve 13 casos.
De acordo com a secretária, a doença detectada no município é a leishmaniose tegumentar americana e todos casos autóctones — contraídos na própria localidade.
Os pacientes estão tendo apoio no diagnóstico e tratamento da doença pela rede básica municipal de saúde, segundo a secretária. O governo fornece a medicação — Antomoniato-N-metilglucamina. Esta medicação é aplicada via intramuscular durante período que varia de paciente para paciente (dose é adequada conforme o peso).
A secretária explicou, ao responder um questionário por escrito enviado pelo jornal, que a medicação é aplicada de forma ininterrupta, inclusive nos finais de semana. Nos dias em que os postos de saúde estão fechados, os pacientes vão até a Santa Casa para que uma auxiliar de enfermagem do Programa de Agente Comunitário da Saúde faça a aplicação do medicamento.
Os casos em Santa Cruz são diferentes dos registrados em Bauru, aonde já houve morte de paciente. Segundo a secretária, em Bauru trata-se de leishmaniose visceral americana, onde o cão é um dos principais reservatórios da doença. “Esse tipo de leishmaniose não atingiu o nosso município”, declarou a secretária.
A leishmaniose tegumentar americana é uma doença que parasita animais silvestres como rato do mato, gambá, raposa, tamanduá, bicho preguiça, entre outros.
A ocorrência de casos da doença no município, na opinião da secretária, é atribuída ao crescimento demográfico que atinge matas, margens de rios e o destino inadequado do lixo. Os animais ficam mais próximos aos domicílios e contaminados pelo mosquito (febótomo), que transmite a doença para seres humanos.
A Secretaria de Saúde realizou entre 15 e 17 de julho mutirão de limpeza para orientar a população, principalmente próximo dos locais onde houve incidência da doença.
A recomendação à população é para tomar algumas medidas para se proteger do mosquito que transmite a leishmaniose. A utilização de mosquiteiros, instalação de telas finas em portas e janelas, uso de repelentes, uso de camisa de manga comprida, calças compridas, meias e sapatos antes do entardecer — o mosquito ataca após às 17h. Também deve-se manter quintal limpo, retirar fezes de animais, arbustos densos — que fazem sombra —, não usar folhas, frutos e restos de alimentos como adubo. Segundo a secretária, o mosquito gosta de lugares úmidos, escuros e materiais em decomposição.
Outra medida é acondicionar adequadamente o lixo orgânico para evitar a colonização de animais como rato do mato, gambá, que podem ser transmissores da doença, e não jogar entulhos em terrenos baldios.
A leishmaniose tem sua ocorrência geralmente em áreas de desmatamento, na zona rural ou próximo de bairros em expansão. Foi muito comum em Bauru no começo do século passado na construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil entre Bauru e o Mato Grosso do Sul, o que inclusive gerou o nome popular da doença: úlcera de Bauru.
Com a expansão urbana e o desmatamento, outros animais passaram a apresentar a presença do protozoário, como o cachorro e cavalo.
A leishmaniose pode ser identificada por uma ferida característica que se forma no local onde o mosquito pica — geralmente em áreas “descobertas” da pele, onde não há roupa. Após a picada, surge uma bolinha vermelha que evolui para a ferida e forma uma lesão na pele. O que identifica a lesão como leishmaniose são as bordas emolduradas — em relevo, elevadas, avermelhadas.
A leishmaniose tem cura, já que o tratamento elimina o protozoário do corpo. Após o exame — normalmente biópsia e reação de pele — e a confirmação da doença o tratamento é iniciado com um medicamento específico, controlado pelo governo.