| Caderno D |
TELEVISÃO O
remake da novela A escrava Isaura ultrapassa o SBT,
conquista o segundo lugar de audiência e já incomoda
a Rede Globo
James
Cimino
Da Agência
JBON News
A Rede Record parece ter exorcizado
o último fantasma de seu núcleo de teledramaturgia.
Depois da equivocada Metamorphoses, a emissora acerta na readaptação
do romance de Bernardo Guimarães, A escrava Isaura. Desde
sua estréia, às 18h50, o folhetim conquistou o segundo
lugar na audiência do horário e desbancou o SBT,
que apresenta a essa hora desenhos e a trama mexicana Alegrifes
e rabujos.
O remake também bate de frente com Começar de novo,
da Rede Globo, líder no horário. Ainda é
cedo para afirmar de onde vêm os pontos a mais para a Record,
mas, se a novela continuar a crescer, a trama global terá
de tomar cuidado. Segundo Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia
pela Universidade de São Paulo, sob o comando de Herval
Rossano que dirigiu a primeira versão, na Globo,
em 1976 a trama da emissora paulista demonstra ser uma
aposta acertada. Tenho certeza de que começaram da
maneira certa, com bons atores, um diretor experiente, uma história
boa e que fez sucesso no mundo todo.
Alencar adverte, no entanto, que fazer frente à Globo exige
algumas providências. Acho bárbaro que a Record
queira formar um novo núcleo em São Paulo. Mas,
para isso, é preciso criar uma equipe de base. Fazer sucesso
com uma novela não garante o sucesso de outras. Além
disso, é necessário estabelecer um horário
com público cativo para depois se aventurar em outros horários.
A escrava Isaura é mesmo uma história cativante.
O drama da garota meio escrava, meio sinhá, e sua luta
pela liberdade deixam o telespectador ansioso para ver os capítulos.
O autor da novela, Tiago Santiago, disse que não teve acesso
à versão de 1976: Tentei ser fiel ao livro.
Mas criamos alguns personagens, tiramos outros e mudamos algumas
histórias paralelas.
O autor fez uma composição de personagens adequada
à linguagem do folhetim. Mesmo assim, ainda há ajustes
a fazer. A heroína Isaura, que projetou internacionalmente
a carreira de Lucélia Santos e agora é interpretada
por Bianca Rinaldi, deveria diminuir o tom de angústia
que antecipa demais o sofrimento que ainda está por vir.
A vingadora Tomásia (Mayara Magri) também está
um pouco exagerada na carga de drama e revolta, o que a deixa
beirando o dramalhão mexicano. Os vilões, como sempre,
são uma atração à parte. O psicopata
Leôncio (Leopoldo Pacheco) é, ao mesmo tempo, odioso,
fascinante e sedutor, o que justifica seu apelo entre as mulheres
da trama.
O comendador Almeida (Rubens de Falco) é a encarnação
do senhor de escravos, patriarcal e duro. E, por fim, a escrava
Rosa (Patrícia França) rouba a cena. Principalmente
por se tratar de uma vilã que reúne sentimentos
contraditórios. Vale a pena ver de novo.