• Caderno D
“Acreditamos no milagre”

Frei Lourenço M. Papin. OP
Da Equipe de Colaboradores

Há muitos anos, estando em Fortaleza, fiquei impressionado com um fato ocorrido nessa bonita cidade do Nordeste. Na periferia de Fortaleza havia um bairro muito populoso que era temido por todos os cidadãos. Ali predominavam a violência, a prostituição e tantos outros males sociais. Um jovem sacerdote resolveu morar nesse bairro, iniciando um trabalho capilar, tipo mutirão, de promoção humana e evangelização. Aos poucos o bairro foi se humanizando e cristianizando, tornando-se um lugar tranqüilo de trabalho, onde todos conviviam pacificamente. Os numerosos prostíbulos desapareceram... Uma simpática igreja, espaçosa e simples, foi erguida pelo povo. Numa grande tábua, bem visível, aos pés do altar estava escrito em letras brancas: Acreditamos no Milagre.
Para que o povo todo de Fortaleza também acreditasse no milagre, organizaram uma grande e ordeira passeata de paz no centro da cidade. Por segurança foram mobilizados até contingentes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha! Teria acontecido o milagre da paz e do bem-estar social?
Sem querer entrar na análise bíblico-teológica do milagre, me detenho apenas em fazer algumas constatações. E começo citando o Manifesto de Desdren que é um documento de teólogos luteranos alemães a respeito sobretudo dos fatos milagrosos ocorridos em Lourdes e Fátima, por intercessão de Maria e que desafiam toda explicação natural. “Parece que Deus quer dar uma resposta irrefutável à incredulidade dos nossos dias. Como poderá um incrédulo continuar a viver de boa fé na sua incredulidade diante de tais fatos”? indaga esse Manifesto.
Sabemos que a Igreja não declara santa uma pessoa sem que antes se constate, com todo rigor teológico e científico, algum milagre a ela relacionado.
Fatos milagrosos podem ocorrer na dimensão social, como também na dimensão física e psíquica da pessoa.
Conheço um amigo sacerdote italiano, residente em Piraju-SP que, vítima de um câncer maligno já com adiantada metástase, voltou para sua pátria, tentando um tratamento num hospital de Parma. Quando os médicos declararam seu caso incurável, ele acordou de noite e viu aos pés do seu leito uma linda imagem de Nossa Senhora de Fátima e ouviu uma voz doce e materna que lhe dizia: “Tudo passou. A prova foi vencida”. Alguns dias depois, o Diretor Geral do Hospital e alguns médicos, tendo constatado a sua cura, vieram dizer-lhe: “O senhor está de alta”! E um deles perguntou com boa dose de humor: “Que Santo forte é o seu”?
Um outro colega meu que foi vigário em Espírito Santo do Turvo-SP, contou-me o seguinte fato: Morava numa velha casa paroquial no interior de Minas Gerais. Sentindo-se muito cansado e com forte dor de cabeça, avisou a secretaria que iria descansar um pouco. Apenas tinha se deitado na cama, a secretaria o chama: “Padre, telefone urgente para o senhor”. Logo após ouvir a suave voz feminina de uma mulher que dizia pertencer a uma sua Capela dedicada à Imaculada Conceição, ouviu-se um forte estrondo na casa. Bem sobre o leito onde o padre ia repousar, desabou uma pesada viga de madeira, juntamente com o forro e o telhado do quarto!
Indo em seguida celebrar Missa nessa Capela, citando a data e a hora do desabamento, perguntou quem da comunidade lhe havia telefonado. Fez-se um grande e curioso silêncio. E o padre continuou a Missa emocionado e grato a Ele e a Ela!
Sugiro a esses dois colegas sacerdotes que mandem gravar em tábua ou em bronze as palavras daquela humilde igreja de Fortaleza: “Acreditamos no milagre”!