| Cidade |
ISENÇÃO SUSPEITA
Apuração do rombo superior a R$ 400 mil com
a isenção de imposto sobre transação
imobiliária agora fica na dependência da Promotoria
Sem os votos de vereadores da própria
bancada de oposição, a Câmara de Santa Cruz
arquivou segunda-feira à noite o requerimento do vereador
José Antonio Fonçatti (PTB) que pedia instalação
de Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar
os prejuízos aos cofres públicos com isenção
de R$ 429 mil de Imposto Intervivos tributo sobre transação
imobiliária. O presidente da Câmara, Luiz Besson
(PP), se confundiu, votou a favor da CEI e depois mudou o voto.
Valter Fernandes (PHS) também não entendeu e votou
pelo arquivamento. A CEI foi rejeitada por 8 votos contra e 5
a favor. Sem os votos dos vereadores Israel Benedito de Oliveira
(PMDB) licenciado do cargo por 29 dias e de Wilson
Primo de Souza (PTB), o caso do ITBI ficará na dependência
da apuração da Promotoria.
O vereador Idílio Biroca Nelson Rodrigues (PSDB) também
mudou de opinião, depois de se reunir com o prefeito na
terça-feira. O tucano defendia a abertura de CPI sob o
argumento de que os vereadores tinham que defender a moralidade,
porque a função de fiscalização é
prerrogativa da Câmara. Uma semana depois, Biroca disse
que se convenceu que o secretário de Finanças, Armando
Cunha, tinha tomado todas as medidas para apurar as irregularidades
e votou contra a comissão de inquérito.
O caso aconteceu em pleno período eleitoral, quando o prefeito
enviou à Câmara lei para isentar o ITBI. Na época,
a vereadora Maura Macieirinha vice-prefeita eleita
confirmou que a lei seria direcionada a empresários que
comprariam terras em Caporanga. Pela proposta do prefeito, a lei
só valeria por 30 dias, mas uma emenda ampliou o prazo.
Dias depois da aprovação da lei, os empresários
transacionaram terras entre si, sem gerar empregos e causando
um prejuízo de centenas de milhares de reais aos cofres
públicos.
Sem decreto José Antonio Fonçatti (PTB) declarou
que a prefeitura concedeu afoitamente isenção
de 3% de ITBI a empresários que negociaram terras na região
de Caporanga sem que a lei tivesse regulamentada. Para ele, a
bancada de situação arquivou a comissão para
acobertar o prefeito.
Na opinião do petebista, a CEI seria o melhor caminho para
apurar a responsabilidade pelos prejuízos causados à
administração. Pelos cálculos do vereador,
no mínimo R$ 317 mil deixaram de ser recolhidos por megaempresários
beneficiados pela lei do prefeito, que não teria eficácia
jurídica por não ter sido regulamentada. O
prefeito baixou o decreto em 8 de outubro, após o caso
ter sido denunciado na Promotoria e depois de ser apresentado
na Câmara um requerimento requisitando a cópia do
decreto.
Fonçatti estranhou também o registro das escrituras
no cartório de imóveis da cidade, que sempre
foi muito zeloso. Foi tudo registrado [no cartório]
sem a cópia do decreto, disse.
O petebista afirmou que a prefeitura notificou um dos proprietários
para recolher a diferença de R$ 71 mil, mas ele não
atendeu o chamamento. O caso já foi registrado em dívida
ativa, mas a execução pode demorar mais de uma década.
Para Fonçatti, a CEI poderia reunir mais subsídios
para que o Ministério Público não arquive
o caso, como aconteceu em outras irregularidades. Segundo ele,
vários casos investigados pela Promotoria de Santa Cruz
foram arquivados, como o suposto superfaturamento na compra de
gás, gasto duvidoso com computadores e merenda escolar
com excrementos de barata.
Direcionado Vanderlei Freire de Souza (PFL) lembrou
que a lei original do prefeito previa a isenção
somente por 30 dias para empresas que comprovassem a efetiva geração
de emprego e renda. Na ocasião, o pefelista contou que
o argumento do governo para a lei ser aprovada foi de que uma
grande empresa do setor de laranja estava se instalando
no município.
Por iniciativa de Freire, a lei teve emendas inclusão
do decreto e prazo indeterminado por estar direcionada
aos empresários. Mas no mesmo dia essa fazenda foi
vendida por três vezes e não gerou emprego nenhum.
Este caso merece uma apuração para saber o que realmente
aconteceu. O pefelista estranha, por exemplo, a lei ter
sido aprovada em 8 de julho e o prefeito só baixar o decreto
em 8 de outubro, após três meses. A prefeitura
não poderia ter permitido a isenção de ITBI.
Os culpados precisam responder judicialmente.
Procurada pela reportagem do jornal no final da sessão,
a vereador Maura Macieirinha (PSDB) confirmou que quando o projeto
foi encaminhado ao legislativo, o objetivo era o de atender uma
fazenda que estava se instalando no município para o plantio
de laranja. Ela não soube apontar o nome dos empresários,
mas admitiu que falou-se na prefeitura que o objetivo
era gerar empregos no município. Maura votou contra a abertura
da CEI.
Inócuo O vereador Dorival Parmegiani
(PSDB) alegou que, pelo fato de o promotor Silvio Brandina já
estar investigando o caso, seria inócuo o trabalho
da CEI. Há perda de objetivo nessa investigação
e não vamos dizer que o MP não tem condições
de promover uma investigação, pois seria um absurdo.
O tucano afirmou que há dois casos diferentes de isenção,
ao defender o parecer da assessoria jurídica que, semanas
após as transações milionárias, rejeitou
pedido do comerciante Ernesto Darros, que iria gerar empregos
na compra de um pequeno sítio. Parmegiani declarou que,
neste caso, havia um requerimento do contribuinte pedindo o benefício.
No outro, houve sonegação porque não
estava regulamentada a lei. E não houve nenhum pedido do
contribuinte através de requerimento para isentá-lo.
Sabemos que a lei é publicada e qualquer um pode utilizá-la
da forma que entender que seja legal, justificou o vereador
tucano. Os empresários teriam, segundo a tese do líder
do prefeito, usado a lei de isenção sem protocolar
requerimento na prefeitura. Nas escrituras, porém, consta
que as guias de recolhimento parcial foram emitidas pela própria
prefeitura.
Parmegiani disse que tão logo a prefeitura tomou conhecimento
da irregularidade no recolhimento do ITBI, foram tomadas as medidas
necessárias, como notificações dos empresários
para que complementassem o pagamento. Ele voltou a dizer que vão
ser tomadas medidas judiciais contra os contribuintes, acusados
de sonegação.