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ECONOMIA Prefeito
Adilson Donizeti (PSDB) deve enviar projeto de lei ao legislativo
instituindo nova taxa para ser cobrada dos munícipes a
partir de 2005
Os vereadores de Santa Cruz do Rio Pardo
receberam, segunda-feira à noite, o anteprojeto de criação
da taxa de bombeiro. Se aprovada este ano, a medida entrará
em vigor a partir de 2005. Destinada à manutenção
dos serviços de bombeiros, o dinheiro arrecadado será
lançado em boleto separado e entregue junto com o carnê
do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
O prefeito Adilson Donizeti (PSDB) deve enviar o projeto de lei
dentro de 15 dias, se der tempo para entrar na pauta da última
sessão ordinária. No entanto, ele poderá
convocar sessão extraordinária, como fez em outras
ocasiões para aprovar projetos polêmicos como a criação
da taxa de iluminação pública e a lei que
reajustou o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza
(ISSQN).
O anteprojeto foi apresentado aos vereadores antes do início
da sessão de segunda-feira pelo comandante do Corpo de
Bombeiros de Santa Cruz, tenente Renato Marcel Carbonari. Ele
levou vários soldados dos bombeiros na audiência
com vereadores.
Antes, Carbonari havia falado com o prefeito. A previsão
é arrecadar por ano cerca de R$ 70 mil. Mesmo com a taxa,
os Bombeiros continuarão a receber repasse para manter
os serviços, que atualmente está calculado em R$
69 mil/ano.
O contribuinte santa-cruzense já pagou em outras ocasiões
a taxa de bombeiro embutida no IPTU, mas o tributo foi declarado
ilegal. A prefeitura, na época, foi obrigada pela Justiça
a cortar a cobrança na gestão Clóvis Guimarães
(PMDB), cujo vice era o atual prefeito.
O Código Tributário Nacional veda a cobrança
da taxa se a mesma não for divisível, ou seja, quando
não é possível dimensionar o gasto com o
o serviço prestado à população. Na
época, a prefeitura usava o dinheiro para prestar serviço
de limpeza pública, coleta de lixo e manutenção
dos Bombeiros.
Para não repetir o erro anterior, Carbonari disse que agora
a proposta de projeto de lei permite a divisibilidade da tributação,
ou seja cada contribuinte vai pagar de acordo com o metro quadrado
de construção e tipo de risco de incêndio
que o imóvel oferece. Assim, será possível
quantificar quanto cada contribuinte deve recolher para o fundo
dos bombeiros.
A lei, se aprovada, vai estabelecer o risco que cada estabelecimento
oferece, calculado pela carga-incêndio, conforme instrução
técnica nº 14 do decreto estadual de proteção
contra incêndio.
O texto conterá uma tabela enquadrando vários tipos
de estabelecimento. No caso de uma papelaria, por exemplo, há
maior risco de incêndio do que uma mercearia. Diante disso,
a taxa incide em cima do tamanho da área e de quantas calorias
liberaria por m3 se ocorresse incêndio.
A taxa será arrecadada pela prefeitura junto com o IPTU
e destinada a um fundo. Se o contribuinte não recolher,
a prefeitura poderá lançar em dívida ativa
como ocorre com os impostos municipais. Pelos cálculos
de Carbonari, o valor da taxa das residências, enquadradas
como unifamiliares, deverá ser de R$ 10 ao ano. A maior
parte das casas, segundo o tenente, é enquadrada como baixo
risco de incêndio.
Justiça Em Bauru, a criação
da taxa de incêndio gerou polêmica e demorou para
ser aprovada no legislativo após amplo debate entre vereadores
e representantes da sociedade civil. Depois de instituída,
três liminares foram concedidas pela Justiça a contribuintes,
suspendendo a cobrança sob argumento de ilegalidade da
lei municipal.
Carbonari admite que existem contestações judiciais
em Bauru, mas alega que aprendeu com aquela cidade
a não repetir o erro e criar em Santa Cruz uma lei que
não possa ser constestada na Justiça. O que
ocorre em Bauru é diferente da versão da lei que
elaboramos. Em Santa Cruz nenhum contribuinte vai pagar o mesmo
valor, pois a taxa é individualizada. A metragem do estabelecimento
será calculada pela área de risco. Uma drogaria
vai pagar mais do que uma mercearia. Quanto maior o imóvel
e maior risco de incêndio, mais alta a taxa, declarou
o tenente da corporação. Em Bauru, segundo ele,
o sistema de cobrança não seria divisível.
Em Ourinhos, o tenente do Corpo de Bombeiros, Alexandre
de Castro Costa, enviou para o prefeito Claudemir Alves da Silva
(PTB) o anteprojeto que prevê a criação do
Fundo de Bombeiros para instituir a mesma taxa.
A intenção é cobrar da população
junto com o carnê do IPTU. O dinheiro arrecadado seria destinado
para o Corpo de Bombeiros através de uma conta, que será
fiscalizada por uma comissão.
Segundo os cálculos, Ourinhos tem planos de arrecadar R$
450 mil por ano, uma quantia bem superior ao que está sendo
planejado em Santa Cruz. Há controvérsia quanto
à legalidade, porque no IPTU já existe a cobrança
da taxa de incêndio. Assim, será necessária
adequação na lei. Na Câmara ourinhense alguns
vereadores já demonstraram contrariedade com a criação
da taxa.