| Coluna de João José Corrêa |
João José Correa
Da Equipe de Colaboradores
Se eu perder esse trem, que
sai agora, às onze hora, só amanhã de manhã!
Eu perdi muitos trens das onze em minha vida. E quanto me arrependo!
Quando eu deveria obedecer meus pais só lhes dei
trabalho!
Quando deveria estudar, faltei às aulas, fui pra Diretoria,
fui suspenso, só dei vexame!
Quando moço, perdi noites de sono em busca de aventuras,
mariposas, de festas, de prazeres!
Quando precisei trabalhar, não estava preparado e nem tive
garra para enfrentar a realidade.
Quando pensei em me casar, não tive com quê pagar
seu preço.
Quando me achei homem e pronto para assumir tal papel, percebi
que era, ainda, alguém sem condições de assumir
tamanho fardo!
Só então, entendi que havia perdido o Trem
das Onze, do Adoniram Barbosa!
Uma lição inteira de vida, numa simples composição
de um poeta de botequim!
A cada hora da vida, o trem do momento o de obedecer, o
de aprender, o de amar, o de ser capaz de assumir responsabilidades.
É preciso ouvir e atender o poeta:
Minha mãe não dorme, enquanto eu não
chegar! Sou filho único! Tenho minha vida pra cuidar! Não
posso ficar!...
Lição de vida!
É... Há horas em que não se pode ficar. Nem
perder o Trem das Onze, o cavalo arreado
que só passa uma vez pra gente.
Tudo na vida deve ser feito na hora certa.
Não percam, meus caros leitores os seus Trens das
Onze.
O amanhã já pode ser tarde demais!...