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Chuva danifica pontes e estradas em Santa Cruz

TEMPORAL DE VERÃO — Defesa Civil registra 379 pessoas atingidas pelas enchentes de domingo e várias casas foram invadidas pelas águas no meio da semana


A ponte no Chafariz foi destruída pelo transbordamento do ribeirão São Domingos: perda totalA chuva que castigou Santa Cruz na última semana deixou 379 pessoas desabrigadas, danificou pontes na cidade e zona rural e deixou intransitáveis vários trechos de estradas vicinais. O prefeito Adilson Donizeti (PSDB) decretou estado de calamidade pública. Isso possibilita dispensar licitação pública para compra de material e na contratação de empresa para executar obras que forem necessárias para recuperar os locais danificados.
O decreto também possibilita buscar recursos do governo do estado e até federal para investir em obras de infra-estrutura.
O prefeito superestimou o número de desabrigados e chegou a divulgar em rádio e na televisão a existência de 2 mil pessoas desabrigadas. De acordo com a Defesa Civil, cerca de 300 pessoas foram atingidas pela enchente.
Pelo menos 95 foram hospedadas no Gande Hotel entre o dia 18 até o dia 21. As despesas vão ser custeadas pela prefeitura. A maior parte dos desabrigados foi para casas de amigos e parentes.
Do início do mês até quarta-feira, choveu na cidade 588 mm. Só no domingo a Casa da Agricultura registrou 253 mm — cada milímetro significa um litro de água por m2. “Foi uma quantidade de chuva muito grande em menos de seis horas, por isso causou inundações e prejuízos em vários pontos do municípo, principalmente em locais vulneráveis”, explicou o presidente da Defesa Civil, sargento Valdir da Costa. A chuva também derrubou pontes no bairro rural da Onça, Ribeirão dos Cubas, Palmeiras, Mandassaia, Alecrim, Barreiro, Caporanga e danificou vários açudes.
O Corpo de Bombeiros contabilizou 26 casas atingidas e interditadas e pelo menos 34 parcialmente interditadas. Entre os prédios com interdição parcial está o “Educandário O Lar da Criança” (leia em outro link, em "cidade").
A chuva alagou casas próximas do ribeirão São Domingos. As áreas mais afetadas foram os bairros do Chafariz, Jardim Ipê, União, Vila Saul e um trecho da rodovia Ipaussu-Bauru.
A ponte do Chafariz não suportou a força da água e ruiu. Ela fica no marco histórico, onde o município foi fundado há aproxidamente 135 anos. O presidente da Companhia de Desenvolvimento Santacruzense (Codesan), Eder Pereira, informou no final da noite de domingo que o estrago na zona rural foi grande, danificando açudes e estradas vicinais.
O lago Pantaninho, no Parque São Jorge, que está há três anos em obras devido à interditação pela Vigilância Sanitária do Município, rompeu próximo da tubulação, num aterro de interligação ao bairro. Uma grande quantidade de água desceu pelo ribeirão São Domingos, causando estragos em casas da Vila Fabiano e Jardim Ypê. A demora na conclusão da obra coloca a prefeitura sob suspeita.
O volume de água foi tão forte que encobriu a ponte que liga duas partes da cidade, próxima do clube Rama. O caseiro José Carlos da Silva teve que sair às pressas com a sua família. O ribeirão transbordou, invadiu a casa dele, o campo de futebol e o barracão usado para festas do clube. Segundo ele, por volta das 16h veio uma quantidade de água forte que provocou a primeira enchente, mas depois diminuiu. No entanto, por volta das 18h houve novo transbordamento do São Domingos, provocando mais estragos no clube. Um freezer ficou boiando.
José Carlos estava auxiliando os moradores das imediações a retirar móveis quando percebeu que o nível do ribeirão subiu rapidamente, atingindo também a sua residência no clube Rama. Possivelmente a segunda enchente ocorreu depois de estourar o açude do Pantaninho.
A água invadiu também a sede social do Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Calçados e ainda derrubou um alambrado.
Enchente — Na travessa Salim Abras, fundos do clube Rama, 9 casas foram invadidas pelas águas do ribeirão na noite de domingo. “Só deu tempo para levantar os móveis”, contou Maria Barbosa de Souza, empregada da enfermeira Auricéia, que estava fora da casa porque fazia plantão na Santa Casa. A água invadiu a casa inteira.
Os moradores da rua Carmelo Comegno, na Vila Fabiano, também foram castigados com o aumento da vazão do ribeirão. A ponte que faz a ligação entre o centro e a Vila Fabiano, perto da capela Ritinha Emboava, foi interditada. A água chegou a passar pelos lados do tabuleiro da pequena ponte. A moradora Maria da Graça Garcia Ribeiro disse que por volta das 16h houve a primeira enchente. Quando os moradores estavam limpando as casas, voltou a ocorrer novo transbordamento do ribeirão, seguido de forte chuva. “Nunca aconteceu de a água invadir 20 metros no quintal da minha casa”, contou.
O Corpo de Bombeiros registrou 31 chamadas telefônicas entre às 16h e meia-noite de domingo. O primeiro telefonema foi de um morador na rua Antonio Mardegan, que teve a casa invadida pela água da rua. Depois os soldados começaram a ser acionados em vários pontos da cidade, principalmente moradores à beira dos ribeirões.
O açude da Fazenda Solange, na cabeceira do ribeirão São Domingos, também deixou os Bombeiros em alerta devido ao risco de romper-se e provocar mais estragos. Os bombeiros fizeram monitoramento do açude durante a madrugada, porque a água chegou a ultrapassar o barranco de sustentação. Os bombeiros mergulharam no açude da fazenda Santa Helena para desentupir as saídas de água. Os dois açudes foram abertos parcialmente para reduzir o volume d’água.
Estrada — A Polícia Rodoviária interditou trecho da rodovia SP-225 (Ipaussu-Bauru) entre os trevos do Posto Camacho e Posto São Paulo. Parte do acostamento solapou próximo da erosão da Chácara Peixe. Por medida de segurança, o tráfego foi impedido na noite de domingo. O Departamento de Estrada de Rodagem (DER) aterrou o acostamento e chegou a liberar o tráfego na terça-feira, mas na quinta-feira interditou novamente devido a novas chuvas e problemas no barranco. O motorista que vem de Bauru com destino a Ipaussu, tem de entrar em Santa Cruz para continuar a viagem pela SP-225. De acordo com relatório da Defesa Civil, a ponte do Chafariz teve perda total. Será necessário a construção de novo aterro, aumentar o vão em 1,50 m e recuperar o asfalto. No residencial Eldorado, uma ponte ficou interditada devido ao desmoronamento da cabeceira da ponte. A Codesan fez obras provisórias para retomar o tráfego.
A quantidade de chuva de domingo supera a das tempestades que causaram estragos em Santa Cruz em 2002 e 2003. O levantamento é da Defesa Civil. Em 12 de janeiro de 2002, quando houve estragos em pontes da zona rural, choveu 140 mm, bem menos dos 253 mm do último domingo.
Em janeiro de 2003, quando vários pontos da cidade foram castigados pela chuva, a Defesa Civil registrou durante 30 dias 286 mm, nível inferior se comparado com a quantidade de chuva de 15 dias deste mês, que ultrapassa 400 mm. “A quantidade de chuva de domingo último equivale à quantidade de um mês inteiro”, explicou o sargento Valdir da Costa.
Mas na última terça-feira voltou a chover bastante, quando ocorreram novos estragos, como a queda de muro na rua Júlio Marcondes Salgado. Segundo dados de José Augusto Cassiano, chefe da Casa da Agricultura, na quarta-feira choveu 161 mm.
O Ministério da Integração Nacional não reconhece nenhum decreto de situação de emergência em todo o país, mas alguns pedidos ainda estão sendo avaliados. O reconhecimento é exigência legal para o governo federal prestar socorro às vítimas de desastres. As prefeituras que decretam estado de emergência estão livres do recolhimento de impostos e podem fazer compras sem licitação.

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