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Exame prático de motorista reprova 40%

TRÂNSITO — Ciretran adota novas medidas abolindo uma série de manobras, mas percurso e baliza continuam eliminatórios; tensão é a maior inimiga dos alunos



O exame de baliza com novas especificações: alguns alunos criticaram
Em torno de 40% dos alunos submetidos a exame prático para tirar a carteira de motorista são reprovados em Santa Cruz do Rio Pardo. Há duas semanas estão em vigor novas normas no teste final — a última fase para o futuro motorista conseguir a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Foram abolidas várias manobras, mas o estacionamento entre duas balizas foi mantido, com a vaga um pouco menor em comparação ao teste anterior.
O examinador João Serra atribui o excesso de reprovação à pressa que o aluno tem de tirar a carteira de habilitação. “Muitos vêm despreparados, embora seja obrigatório fazer pelo menos 15 aulas práticas de 50 minutos cada uma, mas há casos de alunos que precisam de mais aulas”, declarou.
Em outubro do ano passado, segundo dados da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), 49 alunos de um total de 131 inscritos foram reprovados.
Seguindo determinações superiores, a Ciretran aboliu a exigência de o aluno estacionar o carro em 45 graus, 90 graus, 180 graus e o percurso de ré de 10 metros de extensão sem queimar a faixa.
O teste da baliza foi mantido, mas houve alteração no tamanho, diminuindo a vaga em relação ao sistema anterior. Pelas novas regras o aluno tem 5 minutos para estacionar num espaço de 5 metros e 35 centímetros. Antes podia fazer três tentativas sem exigência de tempo. Pelas regras do Contran, a vaga deve ter o tamanho de um veículo acrescido de 40%.
No percurso de rua as novas normas eliminam o aluno se, por exemplo, ultrapassar o sinal vermelho ou não respeitar uma parada obrigatória. “A parte mais difícil está no percurso, onde realmente o aluno é avaliado. Antes havia muitas manobras que não avaliavam o motorista”, disse Emerson Sakoda, instrutor de auto-escola.
Novas regras — A reportagem acompanhou na manhã de quarta-feira o exame final de um grupo de futuros motoristas. Nervosa, a estudante Erica Cristina Chaves não conseguiu concluir o exame de baliza. Ela disse que o vidro ficou embaçado, dificultando visualizar a parte traseira e errou ao estacionar o carro. A prova foi feita debaixo de uma garoa fina.
Ela fazia o exame pela segunda vez. A primeira reprovação ocorreu quando vigorava a série de manobras, abolidas há poucas semanas. “Eu queimei a faixa ao dar a ré”, contou Erica. Aquele tipo de exame ela não teve que fazer na última semana, em compensação o exame de percurso tem novas regras eliminatórias e o teste de baliza teve redução de tamanho.
“Acho muito rigoroso o exame. Deveria ser mais fácil. Também não concordo de ter que fazer todo o exame novamente”, comentou a estudante. Na opinião dela, deveria só refazer o teste reprovado, no caso a baliza, e não novamente o percurso pela cidade. Se o aluno for reprovado o novo exame demora em torno de 15 dias.
Ela admitiu que houve simplificação nos exames práticos por diminuir o número de manobras em comparação ao exame que fez na primeira vez submetido ao teste.
Luiz Victor Rodrigues, 18, conseguiu ser aprovado na quarta-feira, depois de reprovado na primeira vez. “Antes acho que era mais difícil, principalmente entrar de ré sem queimar duas faixas”, declarou o estudante, residente em Bernardino de Campos.
Rodrigues afirmou que a baliza ficou mais difícil em comparação ao exame anterior. “Não dá para entrar direto, é necessário fazer mais manobras”, contou.
Maria Luiza Giacomini, 18, admitiu que ficou nervosa antes do exame e teve dificuldade para dormir na noite anterior ao exame. Apesar de toda tensão, foi aprovada e admitiu que as novas normas são mais fáceis, embora tenha treinado pelo sistema antigo de aprender fazer manobras de estacionamento em 45, 90 e 180 graus. Ela reside em Bernardino de Campos, onde fez as aulas práticas. Segundo ela, lá não tem semáforo e o trânsito é mais simples do que Santa Cruz.
Para o radialista Cássio Adriano Veloso, 21, no novo exame não é necessário fazer muitas manobras como a série de estacionamentos que treinou antes de ser submetido ao teste. “Mas tem de prestar muita atenção na sinalização no percurso de rua, porque pode ser reprovado”, declarou.
Ele conseguiu passar, apesar de admitir nervosismo durante o exame. Cássio citou também que a manobra de ré — abolida pela nova sistemática — era difícil, mas contou com a sorte de não precisar de fazê-la no teste de quarta-feira porque há 15 dias passou a vigorar a nova sistemática adotada pela Ciretran de Santa Cruz do Rio Pardo.