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POLÍTICA Adilson
Donizeti (PSDB) será o maior beneficiado porque o subsídio
dele aumentou 81%, há dois meses, em comparação
à remuneração da gestão passada
Já está na Câmara de Santa
Cruz do Rio Pardo o projeto de lei de autoria do prefeito Adilson
Donizeti (PSDB) que concede 12% de reajuste aos servidores públicos
municipais. Se a lei for aprovada, o aumento será estendido
ao prefeito, vice, secretários e vereadores a partir de
abril.
De acordo com o assessor jurídico da Câmara, José
Eduardo Piedade Catalano, pela Constituição e Lei
Orgânica é obrigatório estender o reajuste
do funcionalismo aos agentes políticos.
Assim, o maior beneficiado será o prefeito, porque no final
do ano passado ele obteve um reajuste de mais de 80%. O salário
de Donizeti passou de R$ 3.864 para R$ 7 mil em uma votação
realizada após o pleito municipal.
Se o reajuste do funcionalismo entrar em vigor em 1º de abril,
o prefeito vai ter o segundo aumento em menos de três meses
e embolsará R$ 840 a mais. Para se ter uma idéia
da diferença, o servidor de menor salário, enquadrado
na referência mais baixa da grade salarial, com ganho de
R$ 260, vai ter um salário de R$ 279,78. Esse valor ainda
estaria inferior aos R$ 300,00 do salário mínimo,
anunciado pelo governo para maio. Pela proposta apresentadada
na última semana, o aumento acrescentaria R$ 19,78 para
o servidor da referência 1.
O prefeito negou que terá aumento salarial. Em entrevista
à rádio Morena, ele qualificou que era o jornal
se referindo ao DEBATE que estava divulgando
isso. A reportagem consultou o assessor jurídico
do legislativo, José Eduardo Piedade Catalano, que confirmou:
o dispositivo da Constituição Federal e da Lei Orgânica
estabelecem que o reajuste aos servidores é atrelado à
concessão do mesmo índice aos subsídios do
prefeito, vice, secretários e vereadores.
O projeto de autoria da Câmara, estendendo o reajuste aos
agentes políticos, já estava pronto na última
semana. No caso do prefeito, passa de R$ 7 mil para R$ 7.840,00,
o da vice de R$ 1.843,14 para R$ 2.076,14 e secretários
municipais de R$ 1.843,00 para R$ 2.064,00. Os vereadores passarão
a receber R$ 1.305,36.
O prefeito alega estar concedendo 7,6% equivalente à reposição
da inflação do ano de 2004 e mais 4,4% de perdas
salariais.
O primeiro projeto encaminhado ao legislativo excluía os
professores, como já ocorreu em 2003, mas a falha teria
sido corrigida pela administração, que se comprometeu
a estender ao magistério.
O presidente do Sindicato dos Servidores Público Municipais,
Ademir Palko, rebate o prefeito afirmando que a perda salarial
já chega a 40%. O último reajuste foi de 11% em
2003. Ele [prefeito] insiste que a reposição
deve ser de 2001 em diante, quando assumiu o cargo, mas computamos
a perda salarial existente ainda em 2000, na gestão de
Clóvis Guimarães, explicou Palko. O sindicalista
afirma que houve uma perda salarial na gestão de 2000
quando Donizeti era vice que tinha quer ser recuperada
no governo que assumiu em 2001.
Palko reclama que houve precipitação
do prefeito em anunciar em rádio e panfletos o índice
de 12%. O sindicato estava em negociação e
ele se antecipou, enviando o projeto ao legislativo, reclamou.
A Câmara decidiu segurar o projeto e aguardar reunião
com o sindicato.
Em assembléia na manhã de ontem, na sede do sindicato
dos servidores, os funcionários decidiram pedir nova rodada
de negociação para encaminhar uma contraproposta.
O prefeito divulgou ontem em panfleto que já enviou o projeto
de 12% de aumento à Câmara. Pelos cálculos
da administração repassado ao sindicato, o reajuste
de 12% representa um impacto a mais na folha de pagamento de R$
1,2 milhão por ano.
Revisão José Eduardo Piedade Catalano explicou
que a Constituição Federal estabelece no artigo
37 que a remuneração dos servidores públicos
e o subsídio dos agentes políticos (prefeito, vice,
secretário e vereadores) somente poderão ser fixados
ou alterados por ser lei específica, assegurada a revisão
geral anual sempre na mesma data e sem distinção
de índice.
Catalano cita que o artigo 39 da Constituição diz
especificamente que o prefeito, vice e secretário serão
remunerados por subsídio em parcela única, vedada
qualquer acréscimo. Esses valores serão reajustados
na mesma oportunidade e nos mesmos índices do reajuste
concedido ao funcionalismo.
O advogado disse que a Câmara, no dia em que apreciar o
reajuste dos servidores públicos, também vota o
projeto que estende a revisão ao prefeito, vice, secretários
e parlamentares municipais.
A votação será em três projetos: um
de 12% de iniciativa do prefeito concedendo o reajuste aos servidores;
outro de iniciativa da Câmara repassando os 12% ao prefeito,
vice, secretários municipais e o terceiro da Câmara
repassando o índice aos servidores da Câmara. Se
não for aprovado o repasse ao prefeito, caberá ao
executivo recorrer à Justiça para cumprir a Constitutição
Federal.
Catalano afirmou que caso algum agente político não
queira receber o aumento, depois de a lei aprovada, pode adotar
o que novo presidente do Congresso, Severino Cavalcanti, propôs
em caso semelhante sobre aumento de subsídio dos deputados.
Quem não quiser, faz uma declaração
abrindo mão do aumento e devolve o dinheiro para o município.
Catalano diz que a Câmara tem que cumprir a lei e propor
o projeto de reajuste de 12% ao prefeito e demais agentes políticos.
O direito de emenda existe, caso o vereador queira alterar
o projeto excluindo o reajuste ao prefeito , mas
como a matéria vai ao prefeito ele pode vetar por estar
inconstitucional. A matéria é de iniciativa da Câmara,
mas a sanção é do prefeito, por isso tem
que ser sancionada, disse Catalano.
O advogado explicou que as leis municipais 1.816 e 1.817 seguem
a CF, estabelecendo que o projeto de revisão deve constar
que seja estendido o reajuste ao prefeito, vice e secretários.
Um outro é exclusivo de aumento para os vereadores.