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ECONOMIA Donos de
padarias afirmam que custo do pão francês para o
consumidor sofre influência de energia elétrica,
mão-de-obra etc., e não só da matéria-prima
A isenção do ICMS (Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Prestação
de Serviços) na farinha de trigo não vai provocar
queda no preço do pão francês em padarias
de Santa Cruz do Rio Pardo e região. O custo do pão,
segundo os comerciantes do setor, tem influência maior da
mão-de-obra, manutenção e, principalmente,
da energia elétrica.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que vai zerar a alíquota
de ICMS da farinha, atualmente tributada em 7%.
A Associação Brasileira da Indústria de Trigo
(Abitrigo) chegou a projetar que o pãozinho francês
poderia ficar 4% mais barato. Esse percentual, porém, não
é confirmado por comerciantes de Santa Cruz do Rio Pardo
e Ourinhos, ouvidos pelo jornal.
A isenção do ICMS da farinha ainda não foi
aprovada pela Assembléia Legislativa para entrar em vigor
em todo o estado.
O proprietário da Panificadora Jardim, de Santa Cruz do
Rio Pardo, Nivaldo Jardim, cita alguns dos elementos geradores
de custo ao consumidor, que influenciam o preço final do
pão. Meu forno é elétrico e a energia
elétrica teve aumento. A mão-de-obra é especializada
e houve aumento no piso salarial em 8,9%. Assim, o preço
do pão não vai baixar porque existem outros fatores
de manutenção e ingredientes utilizados, disse.
A proprietária da panificadora Central de Pães,
Terezinha Borges Figueira Alvim, disse que a redução
do ICMS no preço da farinha pode provocar uma queda no
preço final do pão francês de apenas R$ 0,01.
É muito pouco e teríamos dificuldade de dar
o troco, disse.
Ela também cita que o preço do produto é
influenciado por outros fatores. Não é só
a farinha que mexe com preço do pão. A energia,
assim como o preço da embalagem, do trabalho, do fermento
e outros gastos que temos, disse.
Em Ourinhos, o proprietário da padaria Record, da
rua Antonio Prado, Eduardo Ferrari, disse que, antes de o governo
isentar o ICMS, os moinhos já reajustaram o preço
em R$ 2 por saco de farinha. Com esse aumento dos moinhos,
o preço da farinha pode ficar o mesmo. Assim, não
tem como reduzir o preço final do pão, declarou
Ferrari. A alta, segundo ele, ocorreu dois dias depois de anunciada
a redução de 7% para zero na alíquota do
imposto da farinha. Ele disse que o reajuste no preço da
farinha foi verificado ao receber visita de representantes de
empresas de moagem. O consumo anual de farinha de trigo no País
é de 7,5 milhões de toneladas e São Paulo
é o estado que mais utiliza a materia-prima, que representa
entre 30% e 40% do custo do pão. A Organização
Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o consumo do pão
francês seja de 60 kg per capita por ano. No Brasil, o consumo
anual é de apenas 27 kg per capita. O fato de a maior parte
das padarias estar enquadrada no Simples é outra causa
que impede redução no custo. O ICMS das empresas
é cobrado sobre o faturamento.