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Sabesp promete licitação de estação de esgoto

CIDADE — Obra planejada para acabar com a poluição do esgoto lançado no rio Pardo está orçada em cerca de R$ 7 milhões pela estatal



A estação de tratamento de esgoto é semelhante à de Avaré (foto)
Seis anos depois de projetar a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) anuncia para abril a licitação pública para contratar a empresa que vai construir a estação no município. A obra, calculada em R$ 7 milhões, é um dos mais antigos anseios da população santa-cruzense.
A Sabesp já foi condenada na Justiça de Santa Cruz por jogar o esgoto no rio Pardo sem o devido tratamento. A estatal recorreu da sentença para o Tribunal de Justiça, numa ação movida pelo Ministério Público contra as unidades de Santa Cruz e Espírito Santo do Turvo. No antigo distrito a estação de tratamento já está concluída e funcionando, mas em Santa Cruz a obra já foi licitada e depois teve o contrato suspenso.
Se a sentença for mantida, no caso de Santa Cruz a estatal poderá receber multa diária e ser obrigada a instalar a ETE. No final do ano passado, o superintendente da Unidade de Negócio Alto Paranapanema, José Aurélio Boranga, informou à Câmara de Santa Cruz que o processo licitatório estava previsto para janeiro, mas houve adiamento. O projeto de engenharia contempla também a construção de estação elevatória e interceptor — tubulação para recolher o esgoto da região do Bairro da Estação e jogá-lo na rede por meio de bombas de recalque.
A Sabesp já tem licença prévia da Secretaria de Meio Ambiente, expedida em 30 de agosto de 2000, e licença de instalação da Cetesp assinada em 19 de outubro de 2000. Uma área de 10 alqueires também já foi desapropriada. Só falta o sinal verde da direção da Sabesp para a licitação. Pelos cálculos da estatal, a obra deve demorar em torno de dois anos.
Em 1998, a obra foi licitada no valor de R$ 4,2 milhões, mas a instabilidade econômica com valorização do dólar em relação ao real prejudicou os negócios da Sabesp, detentora de dívida indexada pela moeda norte-americana. Repentinamente, os financiamentos externos tiveram que ser suspensos.Local onde atualmente é jogado o esgoto no rio Pardo, sem tratamento
A obra teve que ser adiada e o contrato com a empresa vencedora renegociado. Depois de todo esse período, o projeto de engenharia foi retomado e revisto, incluindo não só a ETE como estações elevatórios e interceptores.
O gerente da unidade da Sabesp de Santa Cruz, Sergio Buscarini, disse que a estatal revisou o projeto e aumentou o diâmetro da tubulação. A estação é um conjunto de seis lagoas instaladas numa região fora da cidade, próxima do rio Pardo. A Sabesp já desapropriou uma área próxima do clube Banespinha.
Para o tratamento do esgoto da cidade optou-se pelo sistema australiano. São três lagoas anaeróbias de 34 por 127 metros com 3,50 metros de profundidade. Todo o esgoto recolhido é jogado nessa lagoa que fica a céu aberto. Os anaeróbios são os organismos que podem viver privado do contato do ar ou do oxigênio livre. Eles é que vão consumir os dejetos. Após esse processo, a água passa para três lagoas facultativas de 90 por 360 metros com 1,60 metro de profundidade que decantam — separam, por gravidade, impurezas sólidas que contenham em um líquido até devolver a água ao rio com 98% livre de impureza. Atualmente o esgoto é lançado in natura nas águas do rio Pardo. Pelo projeto a ETE vai atender a cidade até 2020, com vazão média diária de 200 litros por segundos.