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ESCÂNDALO DO ITBI
Adilson Donizeti não comparece à CPI e, em documento
enviado à comissão, insiste na existência
de irregularidades na investigação
Como alguns vereadores suspeitavam,
Adilson Donizeti não compareceu à CPI que apura
corrupção no caso ITBI para depor. O depoimento
do prefeito estava marcado para 16h da última segunda-feira,
18. Nas semanas anteriores, Donizeti fez suspense nas emissoras
de rádio, dizendo que estava estudando com
advogados o provável comparecimento na comissão.
Na manhã de segunda-feira, porém, o prefeito atacou
a CPI nas mesmas emissoras e finalmente disse que não iria
comparecer. Para o presidente da comissão de investigação,
Jorge Araújo, Adilson Donizeti perdeu uma ótima
chance de explicar todas as denúncias de corrupção
feitas pelo empresário Francisco Falavigna, que no ano
passado foi beneficiado por uma lei do prefeito, obtendo mais
de R$ 400 mil de isenção de ITBI. Em abril, o empresário
admitiu que entregou R$ 30 mil ao prefeito de Santa Cruz na época
da campanha eleitoral.
Com a ausência do prefeito, a CPI teve uma sessão
diferente. Os trabalhos foram abertos somente às 17h15,
pois os membros da comissão resolveram aguardar a presença
do prefeito para oficializar definitivamente a ausência.
Segundo o advogado César Mércuri que assessora
a CPI um simples pronunciamento do prefeito em emissora
de rádio não pode ser considerado uma comunicação
oficial da ausência. Com os trabalhos iniciados, o presidente
da comissão, vereador Jorge Araújo (PHS), fez um
pequeno pronunciamento lamentando a ausência do prefeito.
Em seguida, a comissão realizou uma reunião administrativa.
O vereador Celso Localli (PSDB), relator da CPI, acabou desenterrando
a ata da terceira reunião da comissão, insistindo
que os vereadores Jorge Araújo (PHS) e Leandro Mendonça
(PSDB) que nem integra mais a CPI poderiam estar
atuando ilegalmente, uma vez que, conforme afirmou em sessão
plenária da Câmara o tucano Rui Reis, ambos ficaram
sabendo do escândalo de corrupção antes do
caso ganhar as páginas do DEBATE. O caso já foi
muito explorado pelo grupo do prefeito, mas Localli insistiu que
a CPI deveria enviar o assunto para deliberação
da Comissão de Justiça e Redação da
Câmara. O presidente da comissão, Jorge Araújo,
esclareceu que a CPI não tem competência para analisar
esta questão e decidiu que Localli deve encaminhar o assunto
diretamente para a presidência da Câmara.
Ataques Somente no momento da confecção
da ata oficial da sessão, quando a reunião já
estava encerrada, o advogado do prefeito, João Gabriel
Lemos Ferreira que também é assessor jurídico
da prefeitura apresentou um ofício assinado por
Adilson Donizeti (PSDB) explicando as razões do prefeito
em não depor sobre o escândalo do ITBI.
No documento, o prefeito insiste na versão de que a CPI
foi viciada por inúmeras irregularidades que maculam
os trabalhos realizados até a presente data. Segundo
ele, foram falhas que corromperam a comissão
e que, para o prefeito, motivou a renúncia do vereador
Leandro Fonseca Mendonça (PSDB) da condição
de membro da CPI. Donizeti lembra, ainda, que o Ministério
Público investigou improbidade na isenção
do ITBI, em ação civil pública instaurada
no ano passado, mas arquivou o inquérito alegando não
haver qualquer ilegalidade no ato. O prefeito não cita,
no entanto, que o promotor Silvio da Silva Brandini já
pediu à Procuradoria Geral de Justiça de São
Paulo a reabertura da ação após as denúncias
de corrupção envolvendo Adilson Donizeti e o empresário
Francisco Falavigna.
O prefeito também afirma que o caso já está
sendo apurado pela Delegacia Seccional de Polícia de Ourinhos
e, na opinião dele, isto torna totalmente desnecessário
o trabalho desenvolvido pela CPI. Na opinião do prefeito,
a polícia já conseguiu provas em quantidade superior
às produzidas pela comissão de investigação
da Câmara. No mesmo documento, o prefeito reafirma que não
houve improbidade administrativa na isenção do ITBI
e que ele jamais recebera R$ 30 mil do empresário Francisco
Falavigna durante o período eleitoral do ano passado.