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ESCÂNDALO DO ITBI
Notificação também foi proposta contra o
empresário Francisco Falavigna
Na mesma semana em que o prefeito Adilson
Donizeti obteve uma vitória parcial na Justiça,
impedindo a CPI de quebrar o seu sigilo telefônico (leia
acima), a mulher de Donizeti a secretária de Promoção
Social Adriana Marisa Basseto teve um pedido de explicações
contra o DEBATE indeferido pelo Judiciário de Santa Cruz
do Rio Pardo. Adriana queria que o jornal explicasse a reportagem
publicada no dia 1º de maio, que publicou as denúncias
de que o prefeito teria recebido dinheiro do empresário
Francisco Falavigna e detonou o escândalo do ITBI. A secretária
também ajuizou igual pedido contra o empresário,
mas a Justiça também sentenciou-o improcedente.
Igual pedido foi ajuizado pelo prefeito Donizeti (PSDB) contra
o DEBATE e o empresário Francisco Falavigna, mas a Justiça
ainda não se pronunciou a respeito. Desta vez, o casal
oficial está tendo mais cuidado nas ações
judiciais, uma vez que desde que estourou o escândalo de
corrupção no caso ITBI o prefeito e sua mulher não
processaram criminalmente ninguém, nem mesmo o empresário
de Itápolis que fez as graves denúncias. Antes deste
caso, qualquer publicação de crítica no jornal
era motivo para ação judicial. De 2002 até
hoje, o prefeito ajuizou mais de 70 procedimentos judiciais contra
o DEBATE, perdendo mais de 60.
A primeira-dama foi citada nas declarações de Francisco
Falavigna como a mulher que acompanhava o prefeito numa das visitas
que Adilson Donizeti teria feito a Bauru, quando pediu dinheiro
ao empresário. Na ocasião, segundo declarações
de Falavigna à polícia, o prefeito marcou um encontro
nas proximidades do Shopping Bauru, quando apareceu num Volkswagem
Gol azul. Ele desceu do carro e foi ao encontro do empresário,
não sem antes apresentar a mulher, que disse ser sua esposa.
Na notificação judicial, a secretária Adriana
Basseto garante que não esteve em Bauru e, portanto, não
teria participado de qualquer ação ilegal juntamente
com seu marido. Segundo ela, a reportagem assinada pelo
diretor do jornal, Sérgio Fleury Moraes foi ofensiva
uma vez que apresentou-a como participante de um suposto
escândalo. O pedido, aliás, é confuso
porque a secretária pede para o jornal esclarecer quais
textos são de responsabilidade do semanário e quais
seriam os atribuídos ao empresário Francisco Falavigna.
É exatamente nesse ponto que o juiz Gustavo Alexandre da
Câmara Leal Belluzzo, da 3ª Vara Judicial da comarca
de Santa Cruz do Rio Pardo, baseou-se para julgar improcedente
a ação de notificação. Segundo ele,
a notificação judicial só serve para explicar
textos com duplo sentido, reportagens com características
anfibológicas ou mesmo situações revestidas
de equivocidade ou dubiedade. Não se pode concluir
ser a matéria possuidora de características anfibológicas,
ou seja, de duplo sentido, a fim de amparar a adequação
desta medida judicial, que melhor se adequaria, o direito
de resposta, o qual não foi sequer pedido,
diz o juiz na sentença.
Além disso, a própria secretária diz que
a reportagem foi ofensiva e, portanto, segundo o magistrado,
não haveria razão para Adriana Basseto pedir qualquer
explicação ao jornal. Na notificação,
a secretária queria que a Justiça obrigasse o DEBATE
a publicar as explicações de seu diretor.