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DIREITOS Estatuto
da Criança e do Adolescente é defendido, mas sua
eficácia ainda gera dúvidas devido ao aumento da
criminalidade entre adolescentes
O Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA) acaba de completar 15 anos, mas ainda tem sua eficácia
discutida principalmente devido ao aumento da violência
e da marginalidade entre os adolescentes.
Se por um lado o ECA garantiu uma série de direitos para
as crianças e adolescentes, o estatuto não teve
como garantir aos menores uma inserção social maior.
O professor da Faculdade Estácio de Sá de Ourinhos,
Maurício Gonçalves Saliba, questiona justamente
esse aspecto do ECA. Saliba é mestre em Educação
pela Unesp sobre o assunto sua dissertação
de mestrado será publicada pela Editora Unesp em dezembro
e defende no próximo ano uma tese de doutorado na
mesma linha.
Para ele, o ECA se utiliza de meios legais para vigiar e controlar
o comportamento dos adolescentes, sem promover a verdadeira cidadania,
como prega.
O ECA promoveu uma estatégia de vigilância
dos menores por meio de pedagogos e assistentes sociais. O acompanhamento
feito é uma forma do governo entrar nas casas dessas famílias
e fiscalizar tudo, avalia. Vemos no Brasil um empobrecimento
cada vez maior, a marginalização dos jovens aumentando
e o ECA não dá conta de resolver isso porque tem
uma demanda aumentada de vigilância, afirma.
Outro problema citado por Saliba é a falta de estrutura
do Poder Judiciário para lidar com a questão dos
menores. O Judiciário não tem verbas nem capacidade
de organizar o acompanhamento de forma mais eficaz, explica.
O professor salienta que o ECA tornou a forma de tratar os menores
mais humanitária. Ficou mais democrática.
O ECA representa uma segurança para o adolescente e sua
família, uma proteção física maior.
Mas não quer dizer que não seja uma forma de controle,
diz.
Saliba rebate os críticos que condenam o ECA por ser muito
maleável com os menores. As pessoas falam
do ECA como se tivesse dado mais direitos ao menor infrator, mas
ele apenas proibiu que se jogasse um adolescente na cadeia,
afirma.
Um aspecto ressaltado pelo o professor, aliás, é
o fato da discussão sobre o estatuto ser muito centralizada
na questão da punição, quando deveria abordar
a inserção social. Temos um mercado capitalista
com tendência a marginalizar. A evasão domiciliar
dos menores, a miséria que aumenta, tudo isso é
encoberto. Se não passarmos pela discussão da marginalização,
é enganação e repressão. E há
exemplos históricos de que a repressão sozinha nunca
resolveu nada. As pessoas não querem ver essa realidade,
explica.