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IRREGULARIDADE Apenas
dois locais em Santa Cruz, o Icaiçara Clube e o CPP, possuem
auto de vistoria do Corpo de Bombeiros, que atesta segurança
A maior parte dos prédios utilizados
para eventos como festas, bailes e shows em Santa Cruz do Rio
Pardo não possui o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros.
Na prática, significa que não há garantia
de segurança nesses locais eles não passaram
pela avaliação sobre isso. Na cidade, apenas o Icaiçara
Clube e o Centro do Professorado Paulista (CPP) estão de
acordo com a legislação. Nem mesmo a Expopardo,
de propriedade da prefeitura, segue as normas de segurança.
O auto de vistoria é obrigatório em todo o território
estadual para qualquer tipo de edificação que não
seja unifamiliar onde reside apenas uma família.
A vistoria tem como objetivo verificar se foram adotadas medidas
de segurança contra incêndios. As exigências
mínimas são saída de emergência, iluminação
de emergência, sinalização de emergência
e extintores.
As edificações e também áreas
abertas são classificadas de acordo com o grupo
de risco prevista pelo decreto estadual 46.076/01
e uma série de instruções técnicas
que são atualizadas com freqüência.
Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros, sargento Valdir da
Costa, o ideal é que antes de qualquer construção
o proprietário apresente um croqui ao engenheiro responsável.
Os engenheiros conhecem o decreto e suas instruções
técnicas, explica. Somente depois que as adaptações
ao projeto forem feitas, tendo em vista a segurança, a
obra deve ser iniciada. O croqui pode, inclusive, ser submetido
ao Corpo de Bombeiros para análise e considerações
de adaptações.
Após o término da obra, o local deve obrigatoriamente
passar pela vistoria. Se os dispositivos e equipamentos
estiverem dispostos corretamente, bem como a sinalização,
o auto é expedido. Se não estiverem, novas considerações
serão feitas até que tudo esteja de acordo,
explica Costa.
Sem o auto de vistoria, não é possível que
o estabelecimento consiga alvarás da prefeitura para funcionamento.
Para estabelecimentos comuns, o auto tem validade de até
três anos. Para locais de reunião de público
acima de 50 pessoas a validade é de dois
anos.
Para eventos em locais abertos como festas do peão
ou similares o auto é temporário, expedido
apenas para a sua realização. Se essas festas
ocorrem em locais fechados, o auto não é expedido.
O estabelecimento obrigatoriamente já deveria ter, para
estar se dispondo a funcionar, diz o sargento.
Costa alega que muitas pessoas encaram a necessidade do auto de
vistoria de forma errônea. Não é o bombeiro
que exige isso. Somos apenas fiscalizadores do Estado sobre a
legislação, afirma.
Fiscalização Apesar da exigência legal, diversos
eventos são realizados em Santa Cruz do Rio Pardo em locais
sem o auto de vistoria. Cabe ao Poder Judiciário
e à prefeitura não permitir a realização
de eventos e o funcionamento das instituições sem
o auto, sob a responsabilidade de que expedindo alvarás
ou autorizando, serem co-autores com a falta de segurança,
diz Costa.
O problema, segundo o sargento, é que os proprietários
geralmente pesam apenas o custo financeiro de modificar um prédio
para obter o auto de vistoria. Todo mundo acha segurança
caro. Não encara isso como investimento, explica.
A exceção são as lanchonetes, que estão
se organizando e fazendo as modificações para obtenção
dos autos.
Grande culpa da situação, porém, cabe à
própria população por não cobrar dos
estabelecimentos a segurança necessária. Eu
recomendo que as pessoas perguntem, antes de alugar um local para
um evento, se está de acordo com as normas de segurança,
afirma.
O comandante do Corpo de Bombeiros acredita que a situação
possa ser revertida. Ele cita o caso da regularização
dos estabelecimentos que vendem gás de cozinha (GLP) em
Santa Cruz.
Há alguns anos, os bombeiros, em parceria com a Promotoria
de Defesa dos Direitos do Consumidor e a imprensa, realizaram
uma ampla campanha para que os comerciantes de gás adotassem
as normas de segurança necessárias para continuarem
em funcionamento. Poucas cidades no Estado de São
Paulo seguem a legislação sobre o GLP. Santa Cruz
hoje é um exemplo e as cidades da região, sob a
jurisdição de Santa Cruz, estão melhorando,
alega Costa.