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ADMINISTRAÇÃO
Falta de pagamento dos impostos municipais provoca crescimento
de dívida ativa no município; cobrança é
evitada por ser considerada anti-popular
A dívida ativa de Ourinhos subiu
88% entre o final do primeiro mandato de Toshio Misato (PSDB)
até a gestão de Claudemir Alves da Silva (PTB).
A análise foi feita com base em dados de 2003. Os valores
não foram corrigidos pela inflação. O levantamento
consta no relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE)
disponível na internet. Em dezembro de 2000, a dívida
estava em R$ 10,8 milhões e saltou em três anos para
R$ 17,4 milhões.
A dívida ativa é constituída pelos créditos
da prefeitura, devido ao não pagamento dos impostos municipais
pelos contribuintes, dentro dos exercícios em que foram
lançados. Por isso, segundo o TCE, só os impostos
diretos, sujeitos ao lançamento prévio, constituem
dívida ativa. Os números de 2004 ainda não
estão disponíveis pelo TCE, porque o órgão
ainda não terminou a auditoria nas contas do município.
Os prefeitos negligenciam a cobrança das dívidas
ativas por ser uma atitude impopular, principalmente em período
próximo de eleições. O petebista não
se preocupou em buscar receita conforme demonstram os números.
Toshio contratou recentemente uma empresa para buscar meios de
melhorar a arrecadação. Porém, o tipo de
contratação também foi condenado pelo TCE.
Em 2003, a arrecadação anual dos municípios
paulistas registrou um crescimento total de 6,07% e a despesa
realizada 10,47%. De acordo com o relatório do TCE, no
mesmo período comparativo, registrou-se no Estado um crescimento
de 9,29% na receita arrecadada e 9,80% na despesa realizada.
Em Ourinhos, o aumento de receita entre os dois mandatos foi de
apenas 2%. A despesa arrecadada na primeira gestão de Toshio
atingiu R$ 66,8 milhões contra R$ 68,4 milhões do
governo seguinte. É muito pouco se comparado com Santa
Cruz do Rio Pardo que teve crescimento no período de 29%.
Em dezembro de 2000, o município vizinho arrecadou R$ 18,3
milhões e em 2003 atingiu R$ 23,7 milhões.
A dívida flutuante foi a que estacionou entre os dois governos
passados. Em 2000 foi contabilizada em torno de R$ 9,7 milhões
contra R$ 10,6 milhões. A dívida flutuante é
a contraída por um breve e determinado período de
tempo, correspondendo aos valores dos quais o Estado é
mero depositário; receitas extra-orçamentárias
e os restos a pagar. Os números oficiais do ano passado
ainda não foram divulgados.
Já a dívida fundada (em longo prazo) teve redução
entre as duas gestões em 3% negativos. Toshio entregou
com dívida de R$ 6,7 milhões no final da sua primeira
gestão e três anos depois houve queda para R$ 6,5
milhões. A dívida fundada é o total das obrigações
financeiras assumidas em virtude de leis, contratos, convênios
ou operações de crédito, para amortização
em prazo superior a um ano. O número de servidores efetivos
teve queda de 4% no governo petebista, mas Claudemir Alves aumentou
a quantidade de cargos de confiança: no final da gestão
Toshio havia 108 cargos comissionados contra 241 do governo petebista.
No entanto, apenas nos primeiros três meses do novo mandato
o prefeito Toshio já havia nomeado 208 cargos em comissão.
O vereador Silvonei Rodrigues (PSDC) pediu informações
ao executivo sobre o número de cargos atualizado, mas o
total não foi informado.
Segundo o TCE, nas contas públicas os índices positivos
nem sempre refletem uma boa gestão. Uma prefeitura que
obteve aumento substancial de arrecadação acima
de 10%, por exemplo, e apresentou superávit de execução
orçamentária pode não ter tido uma cuidadosa
análise de suas contas.
Os números divulgados pelo TCE, segundo o conselheiro Antonio
Roque Citadini, faz parte de um projeto de transparência
do tribunal. Ele esteve em Santa Cruz em 7 de julho durante seminário
tira dúvidas com prefeitos, vereadores e secretários
de toda a região.
O TCE torna pública a movimentação orçamentário-financeiro
e a comparação com os indicadores do ano anterior
das prefeituras sob sua jurisdição. O DEBATE utilizou
os dados dos balanços do exercício encerrado em
dezembro de 2000, divulgados na edição do Diário
Oficial do Estado de São Paulo de 1º de junho
de 2001 com os números de 2003, disponíveis no site
do TCE.
A publicação dos balanços, segundo o tribunal,
atende com fidelidade às exigências de transparência
da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), aprovada em maio de 2000.
Sangria No orçamento deste ano
de Ourinhos, o município deve deixar de arrecadar cerca
de R$ 619.724,88. A projeção foi feita com base
no INPC acumulado de janeiro a dezembro de 2004 com índice
aproximado de inflação de 6,30%. Se incluir taxas
de serviços urbanos o município deve deixar de arrecadar
R$ 700 mil.
Fora a inadimplência, há sete tipos de isenção
de IPTU e Taxa de Serviço Urbanos (TSU) instituídas
por vereadores nos últimos anos.
A administração vai deixar de arrecadar R$ 88.653,52
por ter que conceder desconto de 25% a 1.401 municípes
que têm direito a esse tipo de benefício. Pelo menos
19 contribuintes cujas residências têm na sua porta
ponto de ônibus têm direito a 50% de desconto de imposto
isso representa R$ 1.611,21 é a menor quantia
das isenções.
Pelo menos 129 igrejas e entidades que possuem imóveis
públicos vão deixar de recolher R$ 122.091,13 de
tributos. Os 1.033 contribuintes com um único imóvel
de até 60 m2 de área construída têm
direito a desconto no IPTU. Isso significou neste ano R$ 86.848,21
a menos de IPTU nos cofres municipais. Os idosos com mais de 65
anos isentos de recolher impostos são 1.011. Isso significa
R$ 238.111,56 a menos de imposto. O contribuinte com rendimento
de apenas um salário mínimo são 113 que não
recolhem impostos (R$ 20.263,17).
De acordo com o levantamento da Secretaria de Planejamento, enviado
à Câmara, no ano passado a prefeitura deixou de arrecadar
de impostos e taxas R$ 733.509,00. Um contingente de 3.718 contribuintes
foi beneficiado com algum tipo de isenção. Para
ter direito a esse benefício, o contribuinte deve pleitear
o desconto no ano anterior.
A maior crítica da bancada de oposição ao
governo Claudemir Alves foi não divulgar à população
o direito a essas isenções. No ano passado houve
forte campanha, o que possibilitou uma corrida à prefeitura
para se inscrever em algum tipo de benefício. As leis de
isenções não foram revogadas, embora com
a entrada em vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal
(LRF) a receita perdida deve ser compensada com aumento de algum
outro imposto. (Aurélio Alonso)