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COMPORTAMENTO Enquanto
as crianças da periferia se divertem com brinquedos tradicionais,
os filhos de pais mais abastados preferem jogos no computador
As férias escolares são
sempre aguardadas com ansiedade pelos estudantes. Porém,
quem define o tipo de diversão é a classe social
de cada um. Nos bairros pobres da cidade os dias de folga são
aproveitados nas ruas. A falta de recursos financeiros faz com
que as crianças utilizem materiais baratos para brincar.
Assim, sem perceber, elas mantêm a tradição
de antigas brincadeiras e brinquedos.
Já as crianças de classe média e alta, quando
não viajam, acabam se reunindo nos ciber cafés (casas
especializadas em jogos pelo computador) em busca de jogos eletrizantes
e de novas amizades através das salas de bate-papo da internet
e do MSN (diálogos instantâneos).
Na tarde terça-feira, 19, na Vila Operária, as ruas
estavam repletas de crianças e adolescentes. A cada quarteirão,
um grupo se divertia de maneira diferente. Nas vias em declive,
era comum encontrar meninos brincando com carrinhos de rolimã.
Nos terrenos baldios, as pipas comandavam a diversão, e
nas calçadas, crianças pequenas passavam o tempo
jogando bolinhas de gude. Os adolescentes davam preferência
ao truco.
Marcelo Alves, de 15 anos, estuda na Emef Josefa Cubas,
no Parque Minas Gerais. Ele disse que nas férias costuma
jogar truco e futebol durante o dia. À noite fico
andando na rua, disse.
Pedro Henrique Mateus, 10, gosta de empinar pipa. Ele estuda na
Emef Paulo Freire. Jogo truco também.
Só não tenho saudades da escola, admitiu.
As meninas têm menos tempo para brincar nas ruas. Nas famílias
mais humildes, elas são requisitadas para os serviços
domésticos. Jéssica Pereira, 11, gosta de jogar
vôlei na rua. Não gosto de trabalhar em casa.
Já estou sentindo falta das aulas, disse.
O cenário das férias muda radicalmente nos bairros
de classe média e alta. Nesses locais, o único brinquedo
tradicional encontrado nas ruas é a pipa. Boa parte dos
estudantes freqüenta os cerca dos 12 ciber cafés espalhados
pela cidade. A diversão não é das mais baratas.
A hora custa em média R$ 2,00. O corujão
sessão noturna dos ciber cafés é
outra opção a que os estudantes quase não
resistem. Eles passam a noite brincando nos mais diversos jogos.
A nova modalidade tem provocado preocupações para
os pais no aspecto da segurança e da saúde de seus
filhos.
No Aliança Net Game, cyber localizado na avenida
Domingos Camerlingo Caló, os corujões
são realizados duas vezes por mês, nos finais de
semana, das 23h às 6h30. A sessão noturna custa
R$ 10,00 e só entra quem tem mais de 16 anos com autorização
dos pais ou responsáveis.
No recesso escolar de julho, segundo o proprietário Elton
Franco Rodrigues, o movimento costuma aumentar em torno do 5%
a 10%. Nas férias de final de ano, a procura é
bem maior: chega a subir entre 30% e 40%, contou.
Rodrigues afirma que a casa toma todas as precauções
necessárias com relação à segurança.
Segundo ele, a autorização dos pais é fundamental.
Fechamos a porta às 23h. Até as 6h do dia
seguinte, ninguém mais entra ou sai, somente se houver
problemas de saúde, mas nesse caso, chamamos os pais. Um
alarme fica ligado e um segurança permanece na porta na
hora da saída, disse.
O cyber também não costuma aceitar a presença
de pessoas não cadastradas na casa.
Dentro do estabelecimento, duas câmeras observam o movimento
dos freqüentadores. Na sala não pode fumar nem
consumir bebida alcoólica. A lanchonete que funciona dentro
da casa só oferece refrigerante e salgadinhos, contou
Rodrigues.
Das 22 máquinas disponíveis, 19 ficam bloqueadas
para sites pornográficos. Só usam as outras três
os clientes maiores de 18 anos.
Jogos A violência está em
baixa, afirmou Elton Rodrigues. Segundo ele, o counter
strike, um dos jogos de violência que estava na moda
há alguns meses, teve sua procura drasticamente reduzida.
Agora, as pessoas estão jogando o MU,
um jogo quase infantil, mas que permite que o jogador evolua,
passando para novos desafios, contou.
O Tíbia e o GTA também estão
no auge, mas as corridas de carro e os jogos de futebol são
tradicionais: Eles não caem nunca.
Para o proprietário do Aliança, a freqüência
dos estudantes em cyber deve ser limitada: Tudo o que é
excesso faz mal. O corujão, por exemplo, só
é realizado duas vezes por mês para não saturar,
comentou.
O estudante Caio Vinicios Nunes Pereira Ruiz, 15, freqüenta
o cyber Aliança praticamente todos os dias,
apesar de ter computador em casa. Gosto mais de jogar do
que de conversar pela internet, afirmou. Segundo ele, o
cyber é mais divertido porque tem jogos diferentes e serve
como ponto de encontro com os amigos.
Michael Ronaldo Jardim, 15, disse que a mãe costuma frear
sua freqüência no cyber. Minha mãe reclama,
mas meu pai deixa. Gosto de jogar MU e Tíbia, mas também
gosto de jogos de violência, contou.
Excessos
e ausência de limites podem alterar o comportamento