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TRADIÇÃO
Bairro do Ribeirão Grande promove Folia de Reis fora de
época; evento costuma reunir público de 4 mil pessoas
e mantém tradição popular
Os moradores dos bairros rurais do Ribeirão
Grande e Córrego Fundo ainda mantêm a tradição
das Folias de Reis. A festa é comemorada em várias
regiões do país sempre no mês de janeiro.
Em Ourinhos, porém, o evento vai acontecer no próximo
sábado, 30. Evandro Merezin, que ajuda a organizar a festa
no bairro e é maestro da folia, explica que os moradores
comemoravam a data de forma separada, com duas festas. Porém,
como os organizadores eram os mesmos e ficavam sobrecarregados,
eles resolveram que a festa do Córrego Fundo seria feita
em janeiro, e a do Ribeirão Grande em julho. Só
que a do Ribeirão Grande cresceu tanto que hoje ficou uma
só. Já pensamos em voltar a fazer a nossa festa
no mês de janeiro, que é o correto, mas ainda não
definimos a mudança, afirma. Na região, além
deste grupo de folia de reis, só existem mais dois conhecidos:
em São Pedro do Turvo e Bernardino de Campos.
Nas cantorias de Reis, um grupo de pessoas se desloca cantando
e tocando instrumentos musicais. Fazem uso de temas religiosos,
referindo-se principalmente ao nascimento de Jesus e à
visita dos Reis Magos. A chegada das folias em uma residência
é cercada por rituais. A bandeira sempre vai à frente.
Os palhaços são personagens sempre presentes. Usam
máscaras confeccionadas nos mais diversos materiais (peles
de animais, tecidos, napa, tela de arame, cabaças, papelão,
colagem de papel). Dançam, fazem acrobacias e declamam
versos .
Evandro Merezin comanda a romaria dos músicos, formada
por integrantes dos dois bairros, que teve início em 18
de junho, e termina com a festa de Reis. O grupo se apresenta
todos os sábados e domingos. Um dos integrantes mora há
anos em São Paulo, mas volta todos os anos para acompanhar
o grupo. Visitamos os bairros da Água do Camilo,
Piracanjuva, Córrego Fundo e Ribeirão Grande. Além
disto, fomos para Ibirarema, Salto Grande e
Ourinhos,
explicou. Evandro conta que os moradores lotam um ônibus
para se deslocar até os lugares mais longínquos.
Apesar das mulheres não participarem das cantorias, elas
acompanham o grupo, com as crianças. A folia de Ribeirão
Grande se apresenta com viola, cavaquinho, violão, pandeiro
e tambor, além dos cantores e palhaços. Nós
cantamos o nascimento de Cristo, mesmo sendo em julho. Cantamos
oferecendo para o presépio, para manter a tradição
de Reis, explica Evandro. Segundo ele, os moradores recebem
muito bem o grupo. Geralmente eles saem à tarde e são
recepcionados com um jantar oferecido pelo dono da casa onde se
apresentam. As pessoas ajudam contribuindo principalmente
com prendas: frango, leitoa, boi e até com dinheiro. Essas
doações ajudam a realizar a festa, explica
Evandro, salientando que se o morador não puder colaborar,
não tem problema. Nós cantamos do mesmo jeito,
afirma. Durante a cantoria, a bandeira de Reis é levada
pelos diversos cômodos da casa para abençoar o imóvel.
A tradição da folia é familiar. Evandro disse
que seu pai também cantava. Nós formávamos
uma romaria com os homens da família. Antes do meu pai
morrer ele passou a bandeira para mim. Assim, fiquei responsável,
explica.
A festa A Festa de Reis do bairro do Ribeirão
Grande vai acontecer no sábado, 30, a partir das 9h. Para
nós a festa começa às 2 da manhã,
com a preparação da comida, feita por cerca de 30
mulheres, explica Evandro. O evento acontece no Centro Comunitário
do bairro e tem um público estimado em 4 mil pessoas. Mesmo
morando hoje na cidade, muitas famílias não deixam
morrer essa tradição rural. Os participantes organizam
uma procissão para iniciar a reza do terço, que
acontece às 9h. Depois é celebrada uma missa, antes
do almoço. A comida farta é servida durante todo
o dia, terminando com um forró. Matamos uns 20 porcos,
umas 50 leitoas, uns 200 frangos, enumera o maestro Evandro,
explicando o cardápio.
A animação não esconde a preocupação
com a continuidade do costume de se festejar o Dia de Reis. Poucos
se interessam, só os mais velhos, mas nós queremos
ensinar para outras pessoas, lamenta. Segundo Evandro, não
é fácil ensinar a alguém de fora da comunidade,
que não conhece a tradição. Ele acredita
que saber cantar ou tocar para acompanhar a folia é um
dom de Deus. Não adianta querer forçar para
alguém aprender, ensina. No entanto, acrescenta,
esperançoso, que muitas crianças que acompanham
a folia demonstram gostar da atividade. É a nossa
tradição, nós gostamos muito. As mulheres,
as crianças, todo mundo respeita e tem amor pela festa.
Além da Folia de Reis, o grupo preserva uma outra tradição,
menos conhecida, a recomenda das almas, que acontece
durante a Quaresma. Como a folia, a participação
é restrita aos homens.