• Região
Disfunção da tireóide pode causar doenças

HORMÔNIOS — O tireoidismo é comum e muitas vezes não é identificado por não apresentar sintomas específicos e isolados


Apesar de muitos desconhecerem, os problemas de disfunções na glândula tireóide são extremamente comuns. Devido ao lento processo de instalação e por não apresentar sintomas facilmente reconhecíveis, muitas vezes as manifestações do mau funcionamento da glândula são tratadas isoladamente e de forma errada. Sem o tratamento correto, a disfunção hormonal pode acarretar sérios danos à saúde.
Localizada na parte anterior do pescoço, a tireóide é responsável pela produção dos hormônios T3 (tijodotironina) e T4 (tiroxina), que atuam em todo o organismo regulando o crescimento, digestão e o metabolismo. O endocrinologista Fernando Celso Bessa de Oliveira diz que há uma prevalência maior do tireoidismo em mulheres. Segundo ele, existem estatísticas que mostram que de cada cinco casos da doença, quatro atingem o sexo feminino.
Por ter ligação com todo o funcionamento do metabolismo, são inúmeras as doenças relacionadas à tireóide. Mas, segundo o endocrinologista, os casos mais comuns são as disfunções decorrentes do mau funcionamento da glândula: hipotireoidismo e hipertireoidismo — e também os casos de câncer tireoidiano, que conforme pesquisas americanas atinge por volta de dez mil pessoas por ano no mundo inteiro.
Oliveira explica que tanto o hipo quanto o hipertireoidismo não são caracterizados como doenças e sim como estados funcionais, ou seja, quando a glândula não está funcionando adequadamente. Quando a tireóide libera hormônios em quantidades insuficientes ocorre o hipotireoidismo; quando libera em excesso, o hipertireoidismo.
Tireoidismo — Segundo o endocrinologista Fernando Celso Bessa de Oliveira, o hipofuncionamento tireoidiano pode ser congênito ou adquirido. Ele diz que a causa mais comum da disfunção adquirida é a tireoidite crônica auto-imune ou, como conhecida popularmente, doença de Hashimoto. “Existem anticorpos que se voltam contra as estruturas da própria glândula, prejudicando o ‘trabalho’ dela no organismo”, esclarece.
Entre os sintomas, Oliveira destaca o raciocínio lento, memória fraca, dificuldades de concentração, desânimo, sonolência excessiva, inchaços ao redor dos olhos, aumento do fluxo menstrual, pele seca, cabelo quebradiço, depressão. “O grau de comprometimento depende do momento em que a doença é descoberta e tratada”, analisa.
O hiperfuncionamento da tireóide tem como causa mais comum a doença de Graves que também é auto-imune. Além desta, pode ser causado pelo aumento do volume da glândula, o chamado bócio multinodular, por tumores tireiodianos, inflamação da tireóide, ingestão excessiva de hormônios T3 e T4 ou iodo.
“Ao contrário do hipo, com o hipertireoidismo a pessoa fica mais ‘elétrica’, acelerada, ansiosa, inquieta, tem tremores, queda de cabelo, taquicardia, grande perda de peso, atraso menstrual, irritabilidade excessiva, insônia”, diz. No grau mais extremo da doença, chamada de crise tirotóxica, a pessoa precisa de internação hospitalar. “É um dos poucos casos de urgência em tireodologia. Com a grande perda de energia a pessoa fica muita fraca, com febre, estática. Ocorre alteração nas enzimas do fígado, o que desencadeia uma hepatite grave. Enfim, é um quadro drástico e que precisa de intervenção hospitalar para que a pessoa não morra”, garante.
Tratamento — Em ambos os casos, normalmente as disfunções tireoidianas são controladas através de comprimidos. Oliveira explica que o hipotireoidismo não tem cura e deve ser controlado através da reposição hormonal, com dosagem específica para cada caso. O hipertireoidismo é tratado com medicamentos antitireoidianos e, em alguns casos, com administração de iodo radioativo. “É como se fosse uma cirurgia, mas sem intervenção cirúrgica. O iodo destrói o excesso de hormônios”, conta.
A cirurgia de tireóide é restrita aos pacientes com grande aumento do bócio ou suspeita de câncer. “Esses são os casos em que é necessário fazer a cirurgia de retirada da glândula”, afirma. Ele conta que também é normal o hiper virar hipotireoidismo. “A tireóide entra em exaustão. Mas é transitório”, ressalta.
Uma outra forma de tireoidite é a que afeta mulheres que tiveram filhos recentemente. É a tireoidite pós-parto, que ocorre de 5 a 9% das mulheres logo após darem à luz. De acordo com o médico, a doença se trata de uma condição temporária.
Os sinais e sintomas característicos do tireoidismo podem ser detectados pelo médico e confirmados através de exames sangüíneos que definem a causa da doença. Os exames de TSH, T4 e T3 livres, e TSI são os mais realizados para o diagnóstico das disfunções hormonais da tireóide.