| Cidade |
SANEAMENTO BÁSICO
Estatal inicia processo para contratar empresa que vai
construir estação de tratamento de esgoto no rio
Pardo
A
Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São
Paulo) abriu segunda-feira, 26, concorrência pública
para escolher a empresa que vai construir a ETE (Estação
de Tratamento de Esgoto) de Santa Cruz do Rio Pardo. O empreendimento
está orçado em R$ 7,7 milhões. A ETE compreende
um pacote de obras que inclui instalação de interceptor,
estação elevatória final, linha de recalque,
emissário final e estação elevatória
da ponte. Essas obras acessórias fazem parte do complemento
da ETE para captar o esgoto de dois pontos da cidade para direcioná-lo
aos coletores-tronco, que atualmente desaguam no rio Pardo e nos
ribeirões São Domingos e Mandassaia, na margem direita
do Pardo, na região do antigo Matadouro.
No aviso de licitação divulgado pela
Sabesp consta a disposição do edital completo a
partir da última segunda-feira e o recebimento das propostas
até 31 de outubro deste ano, às 9h na sala de licitações
1, avenida do Estado, 561, Ponte Pequena, em São Paulo.
Não existe um prazo para o início da obra porque
o processo licitatório é demorado. A Sabesp calcula
que, se não houver problemas na concorrência, a obra
pode ter início em 2006 e terminar num prazo de três
anos, segundo Sergio Buscarini, gerente da unidade de Santa Cruz.
A inclusão de mais obras aumentou o custo da Estação
de Tratamento de Esgoto (ETE). Da última vez em que foi
licitada, a obra teve o custo estimado em cerca de R$ 4 milhões,
mas o contrato final não foi assinado por falta de condições
financeiras da Sabesp em assumir o empreendimento. A estatal alegou
problema de caixa no período do Plano Real, quando houve
forte valorização do dólar.
A captação do esgoto em vários pontos necessitará
de um interceptor com tubo de concreto de 800 mm de diâmetro
para conduzir os efluentes até a estação
elevatória-final, instalada nas imediações
do antigo estande do Tiro de Guerra, na região do bairro
Divinéia. Nesse ponto a Sabesp projetou a elevatória,
que vai bombear o esgoto para a lagoa de tratamento. São
seis lagoas anaeróbicas com 4 metros de profundidade e
três facultativas de 1,60 m. O sistema faz a decantação
de todo o esgoto coletado até lançá-lo de
volta ao rio Pardo completamente sem impurezas.
No pacote de obras, consta linha de recalque, que
é uma tubulação de ferro fundido de 500 mm
de diâmetro com extensão de 2.700 metros que conduzirá
os efluentes da elevatória até a entrada da lagoa.
Segundo o engenheiro Osvaldo Cortela, o tubo é de ferro
fundido para agüentar a pressão do material lançado
até a estação, devido o desnível do
terreno. No trajeto há uma rocha grande que será
necessário desmontar com explosivo. Por isso, no edital
é obrigatória a visita técnica dos interessados
para não alegar, depois de assinado o contrato, a necessidade
de aditamentos no custo da obra devido ao investimento na remoção
de eventuais obstáculos para vencer o desnível entre
a estação de recalque e as lagoas.
A elevatória da ponte será construída em
área do parque Orlando Quagliato. Esse investimento foi
incluído na licitação deste ano e não
constava no projeto de 1998. Essa estação é
para puxar o esgoto da margem esquerda e lançá-lo
na margem direita do rio.
Coincidentemente, a licitação foi anunciada depois
que o Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou
o recurso da Sabesp e manteve a sentença da juíza
Ana Carolina Achôa Aguiar Siqueira de Oliveira de condenar
a estatal por danos ambientais pelo lançamendo de esgoto
urbano sem tratamento no rio Pardo. Com a decisão, a empresa
está obrigada judicialmente a construir a estação
de tratamento no município. A sentença saiu em 5
de agosto, embora ainda caiba recurso para o Superior Tribunal
Federal (STF). A sentença final prevê multa diária
de cerca de R$ 60 mil se a empresa não iniciar a obra.
A Sabesp foi condenada na primeira vez na Justiça de Santa
Cruz em 8 de setembro de 2002. Na ocasião, a juíza
determinou a estatal a abster-se de despejar esgoto doméstico
no rio Pardo e exigiu submetê-lo a prévio tratamento.
A ação civil pública foi movida pelo promotor
de Justiça do Meio Ambiente, Vladimir Brega Filho. Os efluentes
são despejados in natura em dois pontos do
rio Pardo e trazem sérios riscos à saúde
da população ribeirinha e de municípios à
jusante, devido à captação das águas
para abastecimento domiciliar, além de degradação
ambiental.