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Escritor diz que novelas são escritas "com emoção"

CULTURA — Autor de “Alma Gêmea”, novela da Globo, Walcyr Carrasco participou sexta-feira da “Feira do Livro” e depois da final do festival em Bernardino de Campos


Walcyr Carrasco (no destaque) subiu ao palco para cumprimentar alunos que encenaram "O Menino Narigudo"A receita para escrever bem é colocar para fora os sentimentos e a emoção. Assim o escritor Walcyr Carrasco, o autor da novela “Alma Gêmea”, da Globo, resumiu onde encontra inspiração para escrever crônicas e a trama de suas novelas. O escritor esteve sexta-feira na 2ª Feira do Livro do Colégio Camões de Santa Cruz do Rio Pardo, como convidado da Editora Moderna. À noite seguiu para Bernardino de Campos — sua cidade natal — para participar ontem da entrega de prêmios do Festival de Teatro (Festar).
A vinda dele à região levou em conta os antigos laços afetivos com o vizinho município onde passou a infância, mas também sua amizade pessoal com o ator santa-cruzense Umberto Magnani — que faz um personagem em “Alma Gêmea”.
Walcyr autografou livros e no salão paroquial da matriz São Sebastião contou a uma platéia de alunos, professores e o povo em geral sua vida de jornalista, autor de livros infanto-juvenis e escritor de várias novelas.
Walcyr começou a gostar de ler na infância ao conhecer a obra de Monteiro Lobato. “A leitura foi o meu fio condutor, até hoje alguns personagens de Alma Gêmea têm referência nos livros que li quando era criança”.
Fez faculdade de história, mas não terminou, e mudou para o curso de jornalismo na USP por considerar que a profissão tinha algo a ver com a sua paixão por escrever. “Deixei de sair muito fim de semana para escrever um conto que nunca foi publicado”, lembrou. Após a palestra, Walcyr Carrasco assistiu à apresentação de “O menino Narigudo” — texto de sua autoria — encenada por um grupo de estudantes do Colégio Camões na sexta-feira.

DEBATEQual a receita para escrever novelas que conquiste o público?Walcyr conversa com o ator santa-cruzense Umberto Magnani Netto
Walcyr Carrasco — Para escrever qualquer coisa, seja um livro, uma peça de teatro ou uma novela, o importante é escrever abrindo as portas da própria emoção, com sinceridade e colocar o coração naquilo que a gente escreve.
DEBATEQual é o segredo de acertar no gosto do público de novela das 18h?
Walcyr — Preservo nas minhas novelas um tipo de relação humana que não existe na grande cidade, as pessoas se conhecerem e construirem uma vida juntas. Isso nas cidades maiores não existe mais. Buscar esse tipo de comportamente vem da minha educação no interior. Morei em Bernardino de Campos e depois Marília.
DEBATEA sua experiência de jornalista, de repórter com passagens pelas redações da Veja, IstoÉ, revista Contigo entre outras, ajuda a compor os personagens de suas novelas?
Walcyr — Essa experiência de jornalista ajuda a pesquisar para não falar bobagem. Na novela qualquer informação é fruto de pesquisa. Procuro não errar, porque os hábitos mudaram principalmente quando se faz uma novela de época.
DEBATEComo vê essa cobrança do “politicamente correto”? Há poucos dias uma entidade entrou com ação judicial para proibir em uma novela um personagem indígena para não prejudicar a imagem da raça?
Walcyr — Acho isso uma loucura. Para mostrar a solução de um problema é necessário mostrar o que está acontecendo. A novela dura bastante tempo no ar. Então, primeiro você mostra o problema. Se já é cobrado antes de mostrar o problema, não vai mostrar a solução.
DEBATEÉ mais difícil escrever para jovem?
Walcyr — Gosto de escrever para jovens, até porque estamos formando cidadãos. Trabalhar com isso é muito importante para mim. Acho que contribui para a formação de futuras gerações.
DEBATEComo é ser escritor num país com índice alto de analfabetismo?
A peça "O Menino Narigudo" foi apresentada após a palestra
Walcyr — Não penso nisso. Se pensar nos problemas, não se chega a soluções. Eu gosto de escrever e torço para as pessoas lerem meus livros. Não fico pensando nos problemas na hora de escrever, senão não escreveria.

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