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Referendo sobre venda de armas divide opiniões

VOTAÇÃO — Marcado para o dia 23 de outubro, referendo vai decidir se comércio de armas de fogo e munições será permitido ou não no Brasil


Frei Lourenço Papin é a favor do desarmamentoO referendo sobre a comercialização de armas de fogo e munição no Brasil, que será realizado no dia 23 de outubro, divide opiniões. Os defensores da posse de armas justificam sua posição alegando não querer deixar a população indefesa diante dos criminosos. Já os que defendem a proibição do comércio de armas acreditam que o ato pode contribuir para a redução da violência.
No referendo o eleitor terá que responder à seguinte pergunta: o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil? A votação será realizada nas respectivas zonas eleitorais — a exemplo das eleições. Quem estiver fora do domicílio eleitoral deverá justificar a ausência. A votação é facultativa apenas para os maiores de 70 anos de idade, para os analfabetos e para aqueles entre 16 e 18 anos.
Em Santa Cruz do Rio Pardo, o presidente da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Gerson Balielo, afirma ser a favor da comercialização de armas. Balielo justifica seu posicionamento contra o desarmamento por acreditar ser uma medida “paliativa”. “Não vai diminuir a violência”, diz. Ele também acha que a comercialização legal das armas de fogo não aumenta os índices. “Quem guarda arma em casa não vai sair por aí dando tiros”, acredita.
Para Balielo, caso a comercialização seja proibida, as pessoas que conseguem armas de fogo de forma ilegal se sentirão mais “poderosas”. “Quem estiver com uma arma ilegal vai saber que não terá resistência para usá-la”, explica.
Para o frei Lourenço Papin, porém, a comercialização deve ser proibida como forma de reduzir os índices de violência. Para justificar seus argumentos, o religioso apresenta estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mortes por arma de fogo no Brasil — o primeiro colocado, no ranking da ONU,Balielo acha medida "paliativa" em homicídios praticados por arma de fogo. “A cada 13 minutos um brasileiro morre assassinado por arma de fogo”, diz. O percentual das mortes por arma de fogo em comparação ao total de mortes, segundo ele, é de 63,9% — maior do que o índice de mortes por acidentes de trânsito. Papin ainda apresenta dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo para justificar o argumento de que os crimes cometidos por armas de fogo não são sempre de autoria de criminosos. “Em São Paulo quase 50% dos homicídios são cometidos por pessoas sem histórico criminal e por razões banais”, diz.
Papin acredita que as armas passem uma “falsa sensação de segurança” aos seus proprietários. “Arma não traz segurança e poder a ninguém. E devido a elas, um pequeno instante de raiva pode se transformar em uma tragédia que vai acompanhar a pessoa pelo resto da vida”, afirma. “E as pessoas que possuem arma de fogo tem 57% mais chances de serem assassinadas do que as que não possuem”, alega, citando a estatística de que apenas uma entre 17 pessoas que reagem a um assalto são bem-sucedidas. “É raro que a pessoa tenha tempo hábil para se defender. Essa pessoa que é bem-sucedida geralmente é ex-policial, ou possui curso de tiro, enfim, tem traquejo com a arma”, avalia.
A respeito da alegação de que os criminosos estarão armados e a população indefesa, Papin argumenta que as armas utilizadas pelo crime são roubadas de proprietários legais. “O bandido não tem a documentação necessária para comprar arma de fogo legalizada. Ele toma dos cidadãos que a possuem. Quem alimenta o crime é o próprio cidadão que mantém a arma em casa”, afirma. “A população se assusta com o fato terrível do bandido estar munido de armas de grande porte. Isso é nas guerras das favelas. Mas o assaltante comum usa arma pequena”, explica.
Segundo Papin, com a campanha do desarmamento feita pelo governo e a conseqüente entrega de armas de fogo em todo o país, já houve redução do número de homicídios. O religioso lembra que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) posicionou-se contra o comércio das armas de fogo e munições. “E os bispos estão conclamando os cidadãos de bem a votar também, contribuindo para uma cultura de paz e uma civilização de amor”, diz.

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