| Região |
OURINHOS Centro de
Ressocialização encontra resistência na Câmara,
embora parlamentares reconheçam a situação
caótica do presídio
O impasse continua. A situação
da cadeia pública de Ourinhos é grave: superlotada
e sem condições para abrigar 157 detentos, muito
acima da capacidade de 54 vagas conforme foi projetada. A transformação
do presídio em Centro de Ressocialização
(CR) não agrada vereadores. Eles desconfiam que a criação
da nova unidade pode estar ampliando o presídio e criando
mais problemas.
Um grupo de vereadores visitou as instalações da
cadeia na tarde de quarta-feira, mas não saíram
convencidos de que o CR seja a solução. Ouvidos
pelo DEBATE, reconhecem a situação caótica
do presídio, mas temem que está sendo empurrado
um novo presídio na cidade.
O presidente da Associação de Proteção
ao Condenado (Apac), Gilberto de Oliveira, assim como autoridades
policiais, acreditam que o CR é a única alternativa
para a reforma do estabelecimento que está em precárias
condições há seis anos. Os detentos reclamam
de condições subumanas por ficarem em celas amontoadas
com até 20 pessoas (leia texto na página 6).
O vereador Flavio Ambrozim admite dúvidar se o CR vai receber
apenas os presos da região. Até o momento
vendem o projeto como se fosse uma maravilha, mas
tenho dúvidas se não vão impor presos de
fora superlotando novamente o presídio. Fora tudo isso,
a capacidade da cadeia será aumentada para 210 presos,
diz.
Ambrozim discorda que o CR seja implantado nas atuais instalações
da cadeia. Na opinião dele, o prédio devia ser afastado
da cidade, de preferência na área rural, longe de
moradias como ocorre atualmente com a cadeia. Tem que tirar
essa bomba da cidade. Em caso de fuga é mais fácil
os presos se esconderem nas casas das imediações,
do que se fosse numa área rural, afirma o vereador.
Ambrozim reclama que faltam informações mais detalhada
do projeto. Ele acredita que a realização de audiências
públicas seja a melhor solução para discutir
a viabilidade do CR.
O vereador Silvonei Rodrigues (PSDC), autor do projeto de lei
para proibir a instalação de presídio em
Ourinhos, afirma que se sua lei for aprovada não impediria
a reforma da cadeia. Embora alegue que não seja contrário
à instalação do CR, o parlamentar diz que
falta mais debate com a população da cidade porque,
pelas informações que obteve sobre outras unidades
iguais, houve fugas e resgate de preso integrante do PCC (Primeiro
Comando da Capital), facção criminosa que controla
presídios.
Até o momento, Silvonei diz que o projeto gera dúvidas.
Ele prefere que o governo apenas reforme as instalações
da atual cadeia sem criar qualquer nova estrutura. O vereador
justifica que apresentou o projeto na Câmara para proibir
a instalação de presídios no município
com objetivo de provocar um debate público. Se chegar
a um consenso de que o CR é melhor para a cidade, vamos
ser favoráveis.
Silvonei diz que o projeto do CR precisa ser apresentado com detalhes
sobre quem são as pessoas que vão administrá-lo.
No momento, o que me preocupa é que temos informações
e documentos que provam que CR em outras cidades têm problemas
com resgate de preso. Por enquanto, o parlamentar diz que
não retira o projeto.
O presidente da Câmara de Ourinhos, José Claudinei
Messias (PMDB), aguarda o envio da minuta do convênio e
documentos para conhecer mais detalhes do projeto. Ele preferiu
não opinar se é frontalmente contra, mas também
não é defensor do projeto. A Câmara vai indicar
um grupo para visitar um CR que funciona em outra cidade do Estado.
Queremos conhecer instalações onde existem
problemas e aqueles que deram certo para avaliar o projeto. Reconheço
que a situação da cadeia é gravíssima.
Os detentos cumprem pena em situação subumana. Do
jeito que funciona a cadeia, não se recupera ninguém,
disse o vereador.
Messias admitiu que a melhor solução seria reformar
a cadeia, mas não descarta estudos sobre a instalação
do CR, com a capacidade do presídio subindo para 210 vagas.
Sem acesso ao termo de convênio, não temos
como assumir uma posição. A dúvida do CR
é se realmente vão ficar presos só da região
e de menor periculosidade. Do jeito que está a cadeia é
uma bomba. Os detentos estão abrigados em péssimas
condições de higiene. É questão de
saúde pública e, o pior, que não é
só Ourinhos, mas todo o país enfrenta essa situação
no sistema penitenciário, explicou o peemedebista.
O delegado Seccional de Ourinhos, Luis Fernando Quinteiro, diz
que os detentos não estão sendo tratados com dignidade
e respeito devido às condições do prédio.
A alimentação é boa e tem atendimento
médico e dentário, mas a acomodação
é indigna para as pessoas cumprirem suas penas. Queremos
melhorar a situação dos presos, para eles cumprirem
com dignidade e respeito. O estabelecimento mais adequado é
o Centro de Ressocialização que a Secretaria de
Aministração Penitenciária está implantando
em várias partes do estado.
Diante disso, o delegado disse que os vereadores visitaram a cadeia
para ver de perto a situação dos presos. Acredito
que saíram meio deprimidos ao ver a situação
de nossos detentos. Eles também são seres humanos,
disse.
Quinteiro afirmou que os vereadores se comprometeram a visitar
CRs instalados em outras cidades do estado para conhecer como
funciona o sistema. Ao todo são 21 unidades. Eles
vão avaliar a conveniência ou não do CR para
Ourinhos.
Perguntado se a vinda da nova unidade dependeria de lei municipal,
o delegado Seccional explicou que o decreto que vai instituir
o CR na cidade é do governo do estado. Ele admite, porém,
que na Câmara vai discutir um projeto que estabelece a conveniência
ou não da vinda de CR.