| Região |
Situação da cadeia é
caótica
OURINHOS Dententos
da cadeia ficam amontoados em 9 celas contendo de 17 a 20 pessoas
Presos têm que
se revezar em dois turnos para dormir. O esgoto está entupido,
há barata por todo canto e surto de sarna. A cadeia pública
de Ourinhos está com 157 presos para capacidade de 54 pessoas.
Já houve fuga e pequenas rebeliões que foram controladas
depois de detentos serem transferidos.
O inferno é aqui mesmo, diz o detento Milton
(não forneceu o sobrenome) ao falar das péssimas
condições do presídio. As celas abrigam de
17 a 20 pessoas num espaço de cerca de 16 m2. É
igual a leão na jaula, compara o presidiário
ao explicar para jornalistas e vereadores como é viver
com mais 17 pessoas num pequeno espaço.
Os presos dormem amontoados em redes e colchões. Não
tem espaço para se mexer, diz o detento ao mostrar
como ficam espremidos. Segundo Milton, um grupo de presidiários
dorme de dia, porque sobra espaço com a saída de
um grupo que faz trabalho artesanal na escolinha da cadeia, aonde
são fabricadas pipas e funciona uma fábrica improvisada
de confecção de calças. À noite
eles vêm cansados e dormem, enquanto os que dormiram de
dia ficam acordados, conta o detento. Ele pede ao delegado
Seccional, Luis Fernando Quinteiro, para melhorar as condições
do presídio.
O sistema hidráulico do prédio é antigo e,
com o aumento no número de presidiários, os vasos
sanitários estão sempre entupidos. Na quarta-feira,
as caixas de esgoto do pátio de sol tinham sido abertas.
É para desentupir, explicou o delegado Miguel
Toledo de Morais, atual diretor do presídio. A única
cela não superlotada é o xadrez número 1,
reservado aos presos de bom comportamento (os faxinas),
mas também excedia a capacidade mínima.