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Bancários anunciam possibilidade de greve

ECONOMIA— Confederação Nacional dos Bancários prevê início de paralisação por tempo indeterminado a partir da próxima quinta-feira, se negociação salarial não avançar



Walter Tavares, representante do Sindicato dos Bancários, vai desenvolver atividades em Santa Cruz
As agências bancárias de todo o país podem entrar em greve por tempo indeterminado a partir de quinta-feira, 6. Em Santa Cruz do Rio Pardo e região, o Sindicato dos Bancários estará atuando no sentido de convencer os funcionários a aderir ao movimento.
A greve é anunciada pela Confederação Nacional dos Bancários devido à falta de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Ontem, em reunião com a participação de aproximadamente 5 mil bancários e dirigentes na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo, começou a ser avaliada a proposta enviada pela Febraban. Em caso de nova rejeição, está marcada para terça-feira nova manifestação para convocação para outra assembléia, a ser realizada na próxima quarta, 5. Na quinta-feira, 6, terá início, então, greve geral e por tempo indeterminado. A última paralisação geral do sistema bancário ocorreu em 1985.
A campanha salarial 2005 dos bancários reivindica 11,77% de reajuste salarial (sendo 5,7% referentes à inflação de setembro de 2004 até agosto de 2005), participação nos lucros e resultados (PLR) de 1 salário vigente do bancário acrescido de 80% do valor do salário e uma parcela fixa de R$ 788,00, além da manutenção da 13ª cesta-alimentação.
Após quatro rodadas de negociação, a Fenabam ofereceu no dia 20 de setembro a proposta de 4% de reajuste salarial, PLR de 80% do salário do bancário mais parcela fixa de R$ 730,00 e abono de R$ 1 mil. A 13ª cesta-alimentação não seria mantida.
Nas semanas anteriores, os sindicatos já haviam promovido paralisações nas agências. Segundo o representante do Sindicato dos Bancários de Bauru para Santa Cruz do Rio Pardo e região, Walter Tavares, a entidade concentrou a atividade na cidade-sede por ter o maior número de bancários — 1,5 mil. As agências passaram a abrir às 12h, ao invés de 10h30, e na última quarta-feira, 28, ficaram fechadas — o movimento teve adesão de 27 das 40 agências da cidade, sendo que somente o Banco do Brasil e o Bradesco funcionaram normalmente.
“Em Santa Cruz tomamos a decisão de não fazer as paralisações por falta de gente para conduzir o movimento. Nós temos apenas dois diretores aqui”, diz Tavares. Ele afirma, porém, que a partir da quinta-feira, 6, o sindicato estará fazendo manifestações pela greve nas agências dos municípios que abrange — nove, no total.
O sindicalista justifica a decisão da greve alegando que os bancos são o setor que mais lucra no país. Ele cita reportagem do jornal Folha de S. Paulo onde consta a informação de que os bancos cobriram a folha de pagamentos no primeiro semestre usando apenas o dinheiro da cobrança de tarifas. “Os banqueiros são quem mais ganham no país e continuam sendo privilegiados pelo governo de plantão, que é o PT”, critica Walter Tavares.

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