| Região |
OURINHOS Texto em
vigor obteve sentença contrária da Justiça
e está suspensa até TJ julgar recurso
A lei antifila, semelhante
à existente em São Paulo, em que o prefeito José
Serra (PSDB) multou as agências bancárias por não
atender os clientes num prazo mínimo de 15 minutos, não
tem como ser aplicada em Ourinhos devido a um recurso contestando
a validade do texto legal que tramita no Tribunal de Justiça
(TJ). A saída jurídica é o prefeito Toshio
Misato (PSDB) apresentar nova lei para revogar a anterior, segundo
informa o assessor jurídico Márcio Cezar Siqueira
Hernandes. A questão está em estudo, porque cogita-se
de a Câmara apresentar uma nova lei.
Na Justiça de Ourinhos a prefeitura perdeu na gestão
passada um mandado de segurança impretrado pela Febraban
(associação ligada aos bancos). Com isso, não
existe instrumento jurídico para aplicar contra os bancos
ourinhenses que prestam mal atendimento aos clientes.
Mas quando a lei municipal esteve em vigência o problema
foi a falta de fiscalização da prefeitura na aplicação
da lei 4.196, de 2 de dezembro de 1998, que previa multa de cerca
de R$ 500. O texto também tinha um problema: não
definia como o banco controlar o atendimento por meio de senhas.
No ano passado, o Ministério Público abriu inquérito
civil para apurar o descumprimento da lei municipal, acionado
pelo advogado Claudio Bernini. Depois de ficar mais de meia hora
em uma fila na agência do Banespa, Bernini entrou com representação
no MP, porém até aquele momento não havia
decisão judicial a favor do município.
Na última semana, o tema ganhou força com a iniciativa
da prefeitura da capital aplicar uma lei semelhante. Quem ficar
mais de 15 minutos na fila, em dias comuns em algum banco da cidade
de São Paulo, poderá registrar queixa na subprefeitura
da região em que está localizada a agência.
A instituição infratora estará sujeita à
multa de R$ 564, que será dobrada em caso de reincidência.
Para controlar a demora no atendimento, as agências terão
de instalar máquinas que emitem senhas em que será
registrado o horário de entrada e saída da fila.
Com esse comprovante, o cliente deve dirigir-se à subprefeitura
para registrar queixa por escrito. Além do limite de 15
minutos de espera, em dias normais, a lei especifica que, na véspera
ou no dia seguinte a feriados prolongados, esse limite sobe para
25 minutos. Já em dias de pagamento de funcionários
públicos, o tempo máximo na fila será de
30 minutos leis.
No país existem 786 leis municipais que buscam coibir o
longo tempo de espera diante dos caixas bancários. Na região,
Santa Cruz do Rio Pardo tem lei desde 1999, mas por falta de fiscalização
da prefeitura é praticamente ignorada. Em São Pedro
do Turvo, a lei antifila foi aprovada pela Câmara
há pouco mais de um mês, mas a aplicação
depende da prefeitura.
Contra essas leis, os bancos já ajuizaram 441 ações
na Justiça. Por enquanto, não há nenhuma
jurisprudência firmada nem contra nem a favor dos
bancos, mas o que reforçou a lei da capital foi o julgamento
do Supremo Tribunal Federal contra a Febraban (STF) ao considerar
constitucional os municípios e o Distrito Federal implementarem
leis para limitar o tempo de espera de clientes em filas de bancos,
derrubando os mandados de segurança da Febraban que vinham
conseguindo suspender os efeitos das leis. A decisão do
STF foi tomada pelo ministro Celso de Mello, que rejeitou ação
movida pelo Banco do Brasil contra a lei 2.547/2000, editada pelo
governo do Distrito Federal para limitar as filas.
O ministro seguiu a jurisprudência firmada dentro do próprio
STF, uma vez que, em meados de junho, a 1ª Turma validou
lei semelhante do município de Criciúma-SC.
Mesmo com a decisão judicial desfavorável, a Febraban
ainda continua recorrendo das sentenças. No entender da
entidade, a Constituição determina que o funcionamento
das agências bancárias só pode ser regulado
por lei federal.
O assessor jurídico da prefeitura de Ourinhos admite que
é duvidoso se a lei vale para todos os municípios,
porque a decisão do STF só reconhece legalidade
na lei de Criciúma. O MP pediu para a prefeitura reapresentar
uma nova lei mais detalhada após a decisão do Supremo.
Emprego Para o diretor de imprensa do Sindicato
dos Bancários de Marília e Região, Valter
de Oliveira Duarte, os bancos que já foram autuados por
exceder o tempo limite de atendimento dos clientes entraram com
ações na justiça conta a multa e aguardam
e decisão do órgão.
O sindicalista considera que, com a aprovação de
leis semelhantes em outras cidades, a questão começa
a ganhar força em Ourinhos. Com a documentação
de outras cidades, vamos conversar com o juiz e com o Procon para
agilizar o processo aqui afirma o sindicalista.
Em Ourinhos, o sindicato recebe muitas reclamações
de demora, principalmente na primeira quinzena. Se a lei
vigorar, todos os bancos serão multados, afirma o
diretor de comunicação, revelando que há
pessoas que reclamam por ficarem na fila por uma hora ou mais.
Nós não podemos fazer nada, a não ser
orientar a procurar o Procon, lamenta o sindicalista. Para
Duarte, a lei obrigará os bancos a contratar mais funcionários.
Eles enxugaram os quadros de funcionários de um modo
que não dá para continuar como está,
diz Duarte.
Banco O gerente da agência de Ourinhos
do Banco do Brasil, José Acir, diz que o tempo de espera
dos clientes no seu banco varia a cada dia. Tem dia que
demora menos de um minuto, enquanto em outros, passa dos 20,
explica o gerente. Ele diz que, por mês, 2.500 clientes
utilizam os serviços do Banco do Brasil, com tempo médio
de atendimento de 10 a 20 minutos.
Segundo Acir, o Banco do Brasil já está se preparando
para o caso da aprovação da lei implementar um sistema
para deixar mais ágil o atendimento. Segundo ele, a instituição
disponibiliza dois facilitadores que orientam os clientes
para que, se possível, façam suas transações
nas máquinas de auto-atendimento. Além disso, um
novo funcionário já está em treinamento apra
integrar o quadro de atendentes e outro deve ser convocado nos
próximos meses. O banco, à medida que a lei
vai exigindo, passa a adotar medidas que diminuam o tempo na fila,
afirma Acir. O banco já trabalha, também, com sistema
de senha, sem o controle de tempo de emissão e atendimento.
O gerente diz que se tiver lei no município a agência
pretende se adaptar.