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Rodoviária de Santa Cruz se torna
ponto de circulares intermunicipais

TRANSPORTE — Empresas oferecem poucas opções de ônibus de longo percurso em Santa Cruz



Maioria dos ônibus que partem de Santa Cruz são circulares intermunicipais
A rodoviária de Santa Cruz do Rio Pardo se transformou num ponto de ônibus de linhas suburbanas intermunicipais. A maior parte são essas linhas circulares para cidades da região. Os ônibus de linhas de longo percursos são apenas 4 para São Paulo (com partidas de Ourinhos), duas para Curitiba (PR), duas para Bauru, duas para Ribeirão Preto e uma para Londrina (PR).
Isso significa que a construção de uma nova rodoviária fora do limite urbano (na rodovia distante da cidade) vai atrapalhar o acesso do usuário, principalmente as pessoas de baixa renda que têm as circulares como a única opção de transporte para se locomover pelas cidades vizinhas. A necessidade é maior para um terminal de ônibus urbano, numa localização melhor e próxima da cidade.
A estrutura da rodoviária é limitada para um maior fluxo de veículos coletivos. A prefeitura de Santa Cruz já manifestou interesse em construir um novo prédio para receber ônibus e viajantes fora da cidade, mas os lugares escolhidos não têm agradado a população. Um dos locais citados é nas imediações do Distrito Industrial (DI), próximo a SP-327 (saída para Ourinhos), como se fosse rodoviária para ônibus de longo percurso.
“Eu já ouvi boatos da mudança [da rodoviária] para o Distrito Industrial ou Posto Kafé [na rodovia SP-225], mas para mim, longe desse jeito, já nem seria mais rodoviária de Santa Cruz”, opinou o funcionário da empresa Manoel Rodrigues, Otávio da Silva.
Para ele, o espaço da rodoviária está limitado, mas um novo prédio longe do que existe agora seria “pior para a cidade”.
Silva acredita que a cidade precisa “facilitar para o usuário” e o acesso a esses lugares é difícil devido à falta de linhas circulares municipais até a nova rodoviária. Apenas duas linhas urbanas existem hoje, uma para a Vila Madre Carmem e outra para a Vila Saul, mas elas param de funcionar, no máximo, às 22h, porque não há passageiros suficientes para justificar o funcionamento até mais tarde. Isso traria dificuldades para passageiros que preferem viajar à noite, porque eles precisariam utilizar um táxi — muito mais caro que uma passagem de circular — para chegar à rodoviária.
A própria Manoel Rodrigues tem uma linha de ônibus para São Paulo à 0h45. Outras três opções para a capital paulista são às 7h45, 12h45 e 15h45. A empresa também oferece transporte para mais 18 cidades, a maioria utilizando os mesmos ônibus para São Paulo.
Além dos carros para a capital, a empresa oferece circular para Ipaussu, Chavantes, Canitar e Ourinhos em 15 horários entre 5h25 e 20h. Aos domingos e feriados, são dez saídas para esses destinos. Para Espírito Santo do Turvo, Paulistânia e Bauru, outra circular sai de Santa Cruz em 5 horários distintos, mas no final de semana somente uma oferece o serviço, às 20h. Outra empresa que trabalha com trasporte intermunicipal circular é a Avoa (Auto Viação Ourinhos Assis), que oferece linhas para Ourinhos com dois itinerários: via Usina São Luís, com 6 horários de saída, e via São Pedro do Turvo, com 4 horários diários. A representante da Avoa na cidade é o guichê da Princesa do Norte, que também vende passagens para a Viação Garcia. Segundo a atendente Elizete de Fátima Birelli, logo também serão vendidas passagens da empresa Andorinha. “Mas apenas as passagens, porque o ônibus vai sair de Ourinhos”, explica. O guichê fica dentro de um dos três bares da rodoviária. A balconista revela que vende passagens para essas empresas, mas o comprador precisará se dirigir até Ourinhos ou ao Posto Paloma na maioria dos casos. A empresa Princesa do Norte tem linhas para Ipaussu e Piraju e oferece baldeação para Curitiba, Ponta Grossa, Castro, Wenceslau Braz, Jaguariaíva e Jacarezinho em dois horários. Dois ônibus também saem diariamente em direção a Bauru. A Garcia tem um ônibus que passa no município com destino a Londrina todos os dias, às 16h30 e outros dois com direção a Bauru, Araraquara, Jaú e Ribeirão Preto às 11h50 e 1h40. “Mas, quem quiser, pode comprar aqui a passagem para diversos lugares pela Garcia e embarcar em Ourinhos”, explica Elizete. Segundo ela, o baixo número de veículos que passam pela cidade faz com que o posto de venda de passagens de Santa Cruz perca muitos clientes que precisam do transporte coletivo, mas preferem comprá-las no local de embarque. “As linhas para Foz do Iguaçu bem que poderiam passar por aqui, assim como a Bauru-Maringá, que chegam aqui perto, no trevo da SP-225 com SP-327, e não passam aqui. Há vários passageiros daqui para esses destinos”, conta Elizete, explicando que há vários pedidos para que a Bauru-Maringá, da Garcia, comece a incluir Santa Cruz no itinerário. Porém, nenhuma resposta foi dada.
Lúcia reclama das poucas opções de horários das circulares
Reclamação — Apesar do intenso movimento, o usuário reclama de mais disponibilidade de horários para algumas cidades. A aposentada Lúcia Colácio, de São Berto, distrito de Manduri, veio a Santa Cruz do Rio Pardo na quinta-feira, 2, para ser atendida no posto do INSS. Chegou às 11h na rodoviária e teve ficar até às 16h para embarcar de volta à sua casa.
Para ela, os horários são muito restritos e não atendem plenamente as necessidades de quem precisa do transporte coletivo. A aposentada explica que, quando havia posto do INSS em Piraju, ela não precisava se deslocar tanto e podia voltar pra casa mais fácil. “Agora, tiraram o atendimento de lá e deixam em uma cidade que não oferece condições para pessoas de fora se locomoverem”, disse Lúcia, que revela já ter feito reclamação semelhante na terça-feira, 29, nas rádios da cidade. “Temos que brigar pelos nossos direitos, sem medo de represálias”, defende.

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