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Pastéis ganham recheios sofisticados e inusitados

ALIMENTAÇÃO — Criatividade dos pasteleiros de Santa Cruz do Rio Pardo é utilizada para inventar novos sabores e nomes curiosos para as guloseimas


Josias: papel reforçadoOs tradicionais pastéis de carne, queijo e palmito estão perdendo espaço para sabores exóticos. Pastelarias de Santa Cruz do Rio Pardo oferecem combinações de ingredientes pouco usuais e até receitas que não se imaginavam dentro de um pastel, como strogonoff e X-tudo.
O estabelecimento “Mundo do Pastel”, do casal Massao e Satiko Ivano Ashikaga, oferece 45 opções de pastéis salgados e 15 com recheios doces. Segundo o proprietário, a procura pelas variedades de pastéis mais comuns, como carne e queijo, é grande, mas no cardápio constam pastéis com recheios exóticos como bacalhau e camarão.
Massao Ashikaga revela que elabora as receitas de pastéis tentando melhorar o sabor. “Um pastel só de atum ficaria estranho, mas fui descobrindo que o sabor fica melhor se adicionar azeitonas e queijo, por exemplo”, explica o proprietário. O comerciante acaba sendo a “cobaia” de sua própria receita para saber se o pastel vai ter boa aceitação. “Se é bom para mim, o cliente também vai gostar”, explica.
O proprietário conta que, às vezes, o próprio cliente ajuda a criar um novo tipo de pastel. Um dos casos foi o “Divino”, com recheio de palmito e requeijão. Segundo Ashikaga, um cliente pediu, certa vez, que fosse adicionado provolone no recheio. Ele achou a mistura interessante e decidiu colocar palmito no pastel de quatro queijos. “Foi assim que criei o Divino Especial”, revela Massao.
Uma outra iguaria do cardápio chama a atenção: o pastel de ar. Ashikaga conta que muitas crianças pediam o pastel de carne, mas não comiam o recheio. Quando perguntava qual o motivo de dispensar a carne, elas respondiam que gostavam só da massa. Por isso, o comerciante decidiu fazer pastéis sem recheio. “Ele ficava estufado e começaram a chamar de pastel de ar. Eu adotei o nome”, explica.
Outro pastel de nome estranho é o Hulk, de champignon, palmito, azeitona e provolone. “Minha esposa deu esse nome porque o sabor é forte e o recheio é colorido como o personagem da televisão”, explica Ashikaga.
Jucélia frita pastel
“Carga pesada” — Eliana Ireno Pinhata, proprietária do Pinhata Lanches, também cria pastéis com nomes estranhos. Entre os 52 sabores que constam no cardápio (43 salgados), está, por exemplo, o Carga Pesada, composto de lombo, tomate, mussarela, parmesão e bacon frito. A origem do nome do pastel está no sabor forte dos últimos dois ingredientes. Eliana conta que os clientes têm preferência por pastéis mais recheados. “Eles procuram não só o sabor, mas a quantidade de ingredientes”, explica a proprietária.
Eliana explica que o processo de criação de uma nova variedade de pastel, na maioria das vezes, conta com a ajuda de algum cliente, que pede um ingrediente diferente num determinado pastel. “Se o cliente pedir a mesma combinação outras vezes, incluímos no menu”, explica. Algumas variedades tiveram origem nas receitas de pizza ou de lanches oferecidos pelo estabelecimento. “Uma vez pediram para eu montar um pastel com os ingredientes da pizza espanhola e decidi colocar no cardápio. E foi muito bem aceito”, conta a comerciante.
O Pinhata tem dois trailers, um para preparar lanches e outro para pizzas e pastéis que são elaborados por Eliana, mas montados e fritos por Jusélia de Fátima Ireno. Por noite, são vendidos em média cem pastéis, mas esse número cresce 50% nos finais de semana. Segundo a proprietária, muitas vezes o pastel é apenas um “aperitivo” dos clientes que aguardam um lanche, cujo tempo de preparo é maior.Massao e Satiko Ashikaga: tradição no pastel
Ao lado do Pinhata, fica o trailer do recifense Josias Delmiro da Silva. O “Pastel do Josias” oferece 42 variedades doces e salgadas da guloseima, com preço entre R$ 1,20 e R$ 3. No cardápio, constam pastéis curiosos como o X-Burguer e X-Tudo, além de alguns criados especificamente para homenagear a cidade.
Após uma experiência má sucedida com uma pastearia em Londrina, Josias pensou em seguir para São Paulo, mas acabou parando em Santa Cruz. Começou vendendo sorvete italiano e churros. Quando percebeu que não havia nenhuma pastelaria por perto, acatou a sugestão da esposa de começar a vender a iguaria. Hoje, prepara cerca de 15 quilos de massa de pastel por dia — utilizada somente em seu trailer. Para ele, a receita do sucesso de seus pastéis está na qualidade da matéria-prima utilizada para preparo da massa e do recheio.
Os pastéis de Josias também são “reforçados”. O X-Tudo, por exemplo, tem calabresa, bacon, carne, queijo, azeitona, batata palha, ovo e catupiry. Além disso, podem ser adicionados outros ingredientes. “Pode atingir doze ”, revela Josias.
O comerciante também criou pastéis para homenagear a cidade e até a lombada que fica em frente ao seu trailer. Ele conta que sempre discutia com a mulher a necessidade de um redutor de velocidade nos arredores. “Quando fizeram a lombada, criei os pastéis Lombada I e II, feitos de lombo”, conta.
Santa Cruz do Rio Pardo também teve sua homenagem prestada pelo pernambucano. Ele conta que, como o nome da cidade é grande, preferiu preparar dois: o Santa Cruz, de carne, e o Rio Pardo, preparado com frango. “Assim agradamos quem gosta dos dois recheios”, explica o comerciante.
Josias revela que tem, ainda, cerca de 50 pastéis que não constam no cardápio. Um exemplo são os de filé de peixe e bacalhau, que ele costuma vender somente na época da quaresma. “Mas, quando refizer o cardápio em janeiro, vou inseri-los também”, adianta.