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POLÍTICA Samuel
Reis teria de denunciar ao mandato para assumir cargo na Codesan,
com salários de R$ 3,8 mil; pasta da Cultura foi a escolhida
Não
deu certo o plano do vereador afastado Pastor Samuel Reis (PSC)
de assumir o cargo de diretor-executivo da Codesan Companhia
de Desenvolvimento Santa-cruzense , empresa de economia
mista ligada à prefeitura. O vereador, que responsabilizou
o prefeito por corrupção no relatório da
CPI do ITBI e surpreendentemente aderiu ao governo, teria de renunciar
ao mandato para assumir o cargo com salários de R$ 3,8
mil. A solução encontrada pelo prefeito foi nomear
Samuel como secretário da Cultura, conforme antecipou o
DEBATE na semana passada. O salário, porém, será
menor: R$ 2.064,96.
A adesão do vereador Pastor Samuel Reis abortou de vez
a possibilidade de cassação do prefeito pela Câmara,
caso a Justiça autorize a volta da Comissão Processante.
A negociata foi premeditada pelo prefeito Adilson Donizeti (PSDB)
há várias semanas e culminou com o afastamento de
Samuel do legislativo e a posse do suplente Antônio Ferreira
de Jesus (PFL) funcionário da prefeitura que já
anunciou o apoio ao governo. O plano ainda inclui a adesão
de mais um vereador da oposição e, neste caso, o
cotado seria Manoel Carlos Manezinho Pereira (PTB).
A idéia inicial era dar o cargo de diretor-executivo na
Codesan para o parlamentar adesista, com salários de R$
3,8 mil. No entanto, pela Constituição Federal um
vereador só pode assumir cargo em empresa de economia mista
caso renuncie ao mandato. Um exemplo disso é o fato do
atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ter renunciado
ao mandato de deputado federal para assumir a instituição.
A Codesan reuniu extraordinariamente seu conselho na sexta-feira,
27, e aprovou por maioria de votos a indicação de
Pastor Samuel Reis para o cargo de diretor-executivo. O voto de
desempate foi do advogado Dorival Parmegiani, presidente do conselho
e assessor jurídico da prefeitura. Os conselheiros Marcelo
Picinin e Denise Vidor protestaram e pediram que o prefeito indicasse
Samuel numa secretaria do governo, que tem salários menores.
A reunião chegou a ser interrompida para que o prefeito
fosse contatado por telefone. Adilson Donizeti, entretanto, não
aceitou a sugestão e manteve a indicação
de Samuel para a Codesan.
Na segunda-feira, o prefeito distribuiu panfletos pela cidade
anunciando que a adesão do relator da CPI ao governo era,
na verdade, uma composição política.
O folheto anunciado como sendo do PSDB de Santa Cruz
traz ofensas ao ex-vice-prefeito Miro Picinin e ao seu filho,
Marcelo Picinin, insinuando que ambos teriam pressionado a conselheira
Neide Basseto para votar contra a indicação de Samuel.
O texto diz que a conselheira teve de tomar fortes medicamentos
em razão das supostas pressões.
Além disso, o folheto diz que o jornalista Sérgio
Fleury Moraes e o vereador Jorge Araújo (PHS) estariam
fazendo pressão para que o assessor jurídico
da Câmara, José Eduardo Catalano, assinasse um parecer
contrário à posse de Samuel Reis na Codesan. Isto
jamais aconteceu. Esta questão é constitucional
e independe de parecer, afirmou no início da semana
o advogado José Eduardo Catalano. Ele desmentiu que tenha
recebido qualquer tipo de pressão e confirmou que somente
conversou com o jornalista Sérgio Fleury Moraes no sábado
à noite, na véspera da circulação
do jornal. Naquela edição, o DEBATE trouxe o posicionamento
de Catalano sobre o caso.
José Eduardo Catalano, aliás, contou que foi tirar
satisfações com a vice-prefeita Maura Macieirinha
(PSDB). Segundo ele, Maura disse que nada tinha a ver com o folheto,
mas iria providenciar um desmentido na próxima edição.
O último folheto do PSDB distribuído pelo prefeito
circulou em setembro do ano passado, quando denunciou
que o vereador Samuel Reis, que tinha acabado de apresentar um
relatório contra o prefeito na CPI do ITBI, teria recebido
um terno para votar contra o relatório de Celso Localli,
que inocentava o prefeito das acusações de corrupção.
Mudança Na terça-feira, os advogados
do prefeito Adilson Donizeti jogaram a toalha: Samuel
não poderia, de fato, assumir a Codesan sem renunciar ao
mandato. A solução foi entregar ao vereador afastado
a única secretaria vaga no atual governo: a pasta da Cultura.
Samuel, aliás, admite que a escolha do cargo foi de
última hora. Além disso, ele confessou que
estava envergonhado com o salário que receberia
na Codesan (leia na página 7). O assessor jurídico
da prefeitura, João Gabriel Lemos Ferreira, também
admitiu que o governo ainda não sabia exatamente qual o
cargo que Pastor Samuel Reis ocuparia na administração.
Resolvido o dilema, anteontem o prefeito Adilson Donizeti mandou
confeccionar novo panfleto, dirigido aos servidores públicos,
dizendo que a composição política
com Samuel Reis ocorreu através de pedido da população
que, segundo ele, estava expresso em várias faixas espalhadas
pela cidade desde o final do ano passado. As faixas, porém,
foram afixadas pelo próprio prefeito.