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ESCÂNDALO DO ITBI
Enquanto inquérito não anda no Tribunal de Justiça
e Procuradoria, prefeito contrata um dos grandes criminalistas
do país
Quase
seis meses depois que o desembargador Jarbas Mazzoni, presidente
da seção criminal do Tribunal de Justiça,
autorizou a quebra do sigilo telefônico do prefeito Adilson
Donizeti (PSDB), de Santa Cruz do Rio Pardo, o Ministério
Público ainda não teve acesso às informações
constantes do celular do chefe do executivo. O DEBATE obteve informações
sobre o processo na semana passada. Desde 15 de dezembro, os autos
estavam na Procuradoria de Justiça de São Paulo.
Para defendê-lo neste caso, nova surpresa: o prefeito contratou
o advogado José Roberto Batochio, ex-presidente da OAB
de São Paulo entre 1991 e 1993, ex-deputado federal pelo
PDT e um dos mais caros criminalistas do país. Para trancar
a Comissão Processante na Justiça de Santa Cruz,
o prefeito contratou o jurista José Nilo de Castro.
A demora na quebra de sigilo do prefeito é um exemplo da
morosidade que o foro privilegiado impõe aos detentores
de mandato, beneficiando políticos suspeitos de corrupção.
A quebra do sigilo do prefeito foi pedida em junho pelo delegado
Amarildo Leal, de Ourinhos, que preside o inquérito onde
o prefeito é acusado de ter recebido propina do empresário
Francisco Falavigna. O pedido foi aceito em agosto, quando o desembargador
Jarbas Mazzoni autorizou a quebra. Desde então, a operadora
Vivo não respondeu à primeira solicitação
e o TJ reiterou o pedido.
Em novembro, a operadora de celular enviou um ofício técnico
ao Tribunal de Justiça, reconhecendo que, por força
de legislação federal, deve armazenar as informações
pelo prazo de 5 anos. No entanto, a Vivo fez uma série
de indagações sobre qual seria o procedimento para
quebra do sigilo do celular do prefeito, citando termos técnicos
como histórico, back up e outros.
Somente no final do ano passado a Procuradoria de Justiça
insistiu que necessita das informações, de forma
simples, mas só agora o pedido foi encaminhado novamente
ao Tribunal de Justiça. Assim, um novo ofício será
remetido à operadora Vivo.
O DEBATE também descobriu que o delegado Amarildo Leal
não pediu apenas a quebra do sigilo telefônico do
prefeito Adilson Donizeti, mas também do aparelho do empresário
Francisco Falavigna. O objetivo é confrontar as ligações
para verificar se o prefeito, como garante Falavigna, realmente
telefonou ao empresário no dia 11 de agosto, momentos antes
de ambos se encontrarem nas imediações da destilaria
Agrest (antiga Sobar), no município de Espírito
Santo do Turvo, local em que teria ocorrido a entrega de R$ 30
mil ao prefeito.
Há um outro ponto no processo em que a Procuradoria de
Justiça contesta argumentos da defesa do prefeito sobre
a tipificação do crime. Adilson Donizeti parece
insistir que o suposto recebimento de propina seria, na verdade,
uma doação eleitoral. Para o Ministério Público
de São Paulo, o argumento revela a tática de anular
o inquérito na Justiça comum e transferir o caso
para a Justiça Eleitoral. Neste caso, começando
do zero, a ação certamente iria demorar vários
anos para ser julgada.
Novo advogado Se causou surpresa o prefeito contratar
o jurista mineiro José Nilo de Castro para ajuizar ação
contra a Comissão Processante com os honorários
(R$ 60 mil) pagos pelos cofres públicos , Adilson
Donizeti acaba de contratar um dos maiores criminalistas do país
para defendê-lo no inquérito que apura corrupção
no caso ITBI. José Roberto Batochio assumiu a defesa de
Donizeti há alguns meses e, inclusive, já peticionou
no inquérito.
Batochio se notabilizou como vice-presidente da OAB de São
Paulo nos anos 80, chegando a presidir a entidade alguns anos
mais tarde. Depois, foi eleito deputado federal pelo PDT, mas
não conseguiu a reeleição em 2002. Recentemente,
ganhou notoriedade ao defender Flávio Maluf, filho do ex-prefeito
Paulo Maluf. Pai e filho foram presos sob acusação
de corrupção no ano passado. No final de 2005, Batochio
conseguiu livrar Flávio da prisão.