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Tucanos agora vão tentar cassar
vereador Rui Reis no Legislativo

POLÍTICA — Em meio a discussões em rádio, tática do prefeito é cassar vereador do PV



Rui Reis (PV)
Durante a semana políticos se revezaram nos microfones das rádios Difusora e Morena FM para discutir a adesão de Samuel Reis (PSC) ao prefeito Adilson Donizeti (PSDB). Entre discussões acaloradas e críticas contundentes, ficou clara a próxima tática do grupo ligado ao chefe do executivo: ter número suficiente na Câmara para cassar o mandato do vereador Rui Reis (PV), hoje o mais eloqüente oposicionista do governo. Com a nova composição política, o prefeito passa a ter 4 vereadores na Câmara — Roberto Marsola (PTB), Celso Localli e Leandro Mendonça (PSDB) e agora Antonio Ferreira de Jesus (PFL). No entanto, ele ainda conta com o vereador Manoel Carlos Manezinho Pereira (PTB), que vem criticando as declarações de Rui Reis (PV).
“O Samuel esteve na minha casa dois dias antes e garantiu que tudo não passava de boato”, disse, indignado, o presidente da Câmara Edvaldo Godoy (PPS). Ele anunciou que a partir de agora não vai chamar o vereador de “pastor”. “Para mim, é um ex-pastor, pois disse uma mentira para todos nós”, disse Edvaldo.
O advogado Cézar Guilherme Mércuri, que assessorava a Comissão Processante da Câmara, foi protagonista de uma “saia justa” causada por Samuel uma semana antes. Amigo pessoal de Samuel, Mércuri recebeu o sinal verde do vereador para desmentir, na rádio Difusora, as versões que davam como certo o ingresso do parlamentar no governo. No dia seguinte, Samuel aderiu a Donizeti. “Ele cometeu um suicídio político. Para mim, é como um amigo que morreu”, disse o advogado, demonstrando uma grande mágoa.
Rui Reis foi um dos mais duros críticos da mudança de bancada de Samuel Reis (PSC). Na segunda-feira, o vereador sugeriu que não houve uma simples adesão, mas uma “compra” de consciência. Na rádio Morena FM, Reis chegou a declamar uma marchinha de carnaval de sua autoria, onde apela ao “imperador” para não dar dinheiro ao “pastor”. “Tudo indica que houve um crime neste caso. Tenho certeza que as autoridades vão averiguar este crime, pois há uma espécie de ‘valerioduto’ em que um dinheiro chegou às mãos do pastor. Afinal, todo mundo sabe que o Samuel vivia em dificuldades financeiras e, de repente, tem um carro novo na garagem”, disse Rui. “Somente o cargo já é um ato de corrupção, pois trata-se de uma troca”, denunciou o parlamentar.
O vereador do PV disse que tanto o vereador Samuel Reis quanto o prefeito Adilson Donizeti devem ser investigados. “Os dois são culpados, pois existe a corrupção ativa e a passiva”, explicou. Em seguida, Reis disse que, se comprovada a rede de corrupção na cidade, “muita gente vai parar na cadeia”. Ele citou nominalmente o prefeito, os vereadores Samuel, Celso Localli, Roberto Marsola, Leandro Mendonça e os advogados João Gabriel, Dorival e Paulo Pamegiani, Ana Paula Stramandinoli, Antonio Manfrin Júnior e até a vice-prefeita Maura Macieirinha. “Eu tenho medo que esse pessoal vá todo para a cadeia, pois o que está ocorrendo é grave. Uns recebem dinheiro e outros trabalham. Alguns são no mínimo coniventes”, disse.
O vereador tucano Leandro Mendonça entrou no ar por telefone e chamou Rui de “leviano”. “Se na cabeça dele eu vou para a cadeia, ele certamente vai para o manicômio”, disparou Leandro. Sobre a mudança de posição de Samuel, o tucano disse que “se isto aconteceu, é uma vergonha”. E concluiu: “O bando de lá é deste naipe e o Rui Reis está junto. Se se vendem por um lado, se vendem para outro também”. Leandro insistiu que “é uma vergonha” caso Samuel tenha se vendido para trocar de lado. Entretanto, ponderou que, caso isto não tenha ocorrido, Samuel pode ter chegado à conclusão que estar ao lado do governo é melhor. “Ele pode ter pensado melhor e percebido que o prefeito não tem a culpa que dizem”, disse. Leandro também atacou o PV, partido no qual Rui Reis acaba de se filiar, lembrando que o estatuto do Partido Verde defende a liberação da maconha e o aborto.
No dia seguinte, o advogado João Gabriel Lemos Ferreira, assessor da prefeitura, atacou Reis na mesma emissora, mostrando indignação pelo fato do vereador ter citado o nome de sua mulher, Ana Paula Stramandinoli. Reis entrou ao vivo por telefone e lembrou que sua mulher também foi vítima de perseguição, quando, logo após ele romper com o governo, a Vigilância Sanitária fez uma blitz na empresa Botelho Reis. “Enquanto estavam perseguindo a minha esposa, estava tudo certo. Agora doeu em todo mundo, pois citei o nome das pessoas que defendem este governo e esta pouca vergonha que está ocorrendo na cidade”, atacou Reis.